‘Brasil precisa ameaçar cair no abismo para ter ajuste fiscal’, diz CEO da Armor Capital
Varejo e construção civil são setores que devem ficar sob pressão, enquanto bancos com forte atuação no financiamento ao consumo e no atendimento a clientes de baixa renda podem enfrentar aumento da inadimplência, segundo Alfredo Menezes, CEO da Armor Capital, gestora com quase R$ 2 bilhões de patrimônio sob custódia, que vê perspectivas difíceis para […]

Varejoe construção civilsão setores que devem ficar sob pressão, enquanto bancoscom forte atuação no financiamento ao consumo e no atendimento a clientes de baixa renda podem enfrentar aumento da inadimplência, segundo Alfredo Menezes, CEO da Armor Capital, gestora com quase R$ 2 bilhões de patrimônio sob custódia, que vê perspectivas difíceis para o mercado diante da falta de sinalizações de ajuste fiscal.
Durante participação na Copa BTG Trader 2026, realizada nesta quinta-feira (29), em São Paulo (SP), o executivo afirmou que a condução das contas públicas do Brasil piorou entre o primeiro e o segundo turno das eleições, diante das promessas de benefícios feitas tanto por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito presidente no último domingo (25), como por Flávio Bolsonaro (PL), que também disputou o pleito.
Na avaliação do gestor, o país, que já enfrentava dificuldades, pode atravessar um período prolongado de pressão econômica. “Eu tenho uma visão que a gente vai passar aí algum tempo bem apertado”, afirmou.
Ajuste fiscal depende de pressão do mercado
Para Menezes, o novo governo Lula não deve priorizar medidas fiscais enquanto os mercados não reagirem de forma mais contundente às perspectivas para as contas públicas.
“O Brasil é assim: ele precisa estressar, ameaçar cair do abismo para a gente fazer um ajuste fiscal”, disse.
O executivo avalia que, nesse contexto, o câmbio é um dos principais fatores capazes de pressionar os parlamentares a agir, uma vez que a cotação da moeda influencia os preços de diversos produtos.
“O que incomoda o governo é uma coisa só, o câmbio. Porque câmbio é parte da inflaçãoe da inflação de alimentos. Então não vejo o PT tomando uma medida mais austera, se o mercado ficar nessa lateral”.
No mercado de juros, o gestor aponta os títulos prefixados de longo prazo entre os ativos mais sujeitos a sofrer. Na bolsa, a expectativa é de um desempenho horizontal, “embora alguns papéis possam se destacar”.
O peso dos investidores estrangeiros
Claudio Coppola, asset manager da Venice Invest e que também participou do evento, sinalizou a mesma preocupação com a condução da política fiscal. Para ele, o discurso de vitória de Lula não trouxe indicações claras de como o governo pretende equilibrar as contas públicas.
“Minha visão é mais ou menos parecida com a do Alfredo, estou muito preocupado e um pouco pessimista… No discurso da vitória, Lula fala que não vai mexer na educação, que vai criar um jeito diferente para tratar dos velhinhos, então é difícil você extrair daí algum ajuste fiscal”, afirmou.
O gestor ponderou que as próximas definições da equipe de governo e a reação dos investidores serão importantes para avaliar os rumos da política econômica.
“A gente precisa ver quem vai ser o ministro da Fazenda, quem vai ser o da Casa Civil e como o mercado vai se comportar depois disso”, acrescentou.
Para Coppola, as decisões dos investidores estrangeiros também terão papel importante na trajetória dos ativos brasileiros.
“O gringo é que tem o dinheiro, ele é que move o mercado. Então, às vezes, o local é muito mais pessimista do que o estrangeiro. O gringo é mais complacente”, ponderou.
