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InternacionalACS
23/07/2026
5 min

Brasil vai dar o troco em Trump após nova tarifa que pega 60 países em cheio

Brasil vai dar o troco em Trump após nova tarifa que pega 60 países em cheio

A meia-noite é o ponto exato de maior escuridão, que marca o fim de um ciclo e abre espaço para o nascimento de um novo dia. No cenário econômico internacional, esse foi o momento escolhido para uma virada drástica nas relações comerciais globais: as novas tarifas de Donald Trump entraram em vigor no primeiro minuto da sexta-feira (24) — e pegam o Brasil em cheio (de novo).  

Essa ofensiva protecionista ocorre após o presidente norte-americano ter se enfurecido com contratempos judiciais, especialmente após perder na Suprema Corte dos EUA, que considerou ilegais taxações impostas anteriormente pelo seu governo. 

 Decidido a intensificar o uso de tarifas como mecanismo de arrecadação e de pressão diplomática, o governo de Trump volta a movimentar o cenário global. 

O argumento da vez e os alvos de Trump 

Comandada pelo representante comercial dos EUA (USTR), Jamieson Greer, a medida se fundamenta em investigações da Seção 301 e é apresentada como uma resposta contra práticas e políticas ligadas ao uso de trabalho forçado em cadeias globais de suprimentos.  

Um membro do alto escalão do governo norte-americano chegou a classificar a decisão como a ação de direitos trabalhistas mais abrangente já tomada na história por qualquer país. 

As novas taxas, estipuladas entre 10% e 12,5%, cobrirão 60 parceiros comerciais que representam 99,4% de todo o comércio de importação dos EUA. Elas substituirão as tarifas globais temporárias de 10% que expiram exatamente no mesmo horário de meia-noite. 

Para o Brasil, o impacto da nova medida é expressivo, porém não é inesperado. O país já havia sido alvo recente de um tarifaço de 25% sobre as exportações para os EUA, e era esperado que pudesse estar na nova ofensiva de Trump.  

Como o Brasil figura na lista das nações sujeitas à alíquota adicional de 12,5% — que partem de 10% —, a taxação total sobre o país salta agora para 37,5%. 

  • Leia também: De Embraer (EMBJ3) à WEG (WEGE3): quem ganha, quem perde na bolsa e as ações isentas das novas tarifas de Trump

A reação imediata do Brasil 

Cerca de meia hora depois do anúncio das tarifas, o Brasil respondeu Trump, rechaçando a decisão da administração norte-americana.  

Em nota oficial, o governo brasileiro acusou o USTR de manipular um tema caro aos direitos humanos e à luta histórica dos trabalhadores para mascarar a falta de base legal interna para suas políticas protecionistas, acusando injustamente os 60 parceiros comerciais de práticas desleais. 

O Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil destacou que já havia prestado esclarecimentos e fornecido farta documentação ao governo de Trump comprovando a eficácia da legislação nacional e da fiscalização aduaneira no combate ao trabalho escravo.  

Além disso, o Brasil lembrou que é reconhecido há décadas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) por seu compromisso firme na área. 

Vale lembrar que o Brasil é signatário de 66 Convenções em vigor da OIT, enquanto os Estados Unidos ratificaram apenas 10 e ratificou todos os quatro instrumentos fundamentais da OIT sobre o tema (Convenções 29 e 105, Recomendação 203 e o Protocolo à Convenção 29), contra apenas um ratificado pelos EUA. 

Além disso, o Brasil país tipifica como crime não apenas o trabalho forçado, mas jornadas exaustivas e condições degradantes, aplicando punições severas e mantendo publicamente a "lista suja" de empregadores infratores, além de prever cláusulas rigorosas em acordos comerciais (como com o Mercosul, União Europeia e Chile). 

Classificando a medida dos EUA como inteiramente arbitrária e injustificada, o Brasil anunciou que iniciará imediatamente os trâmites para aplicar a Lei de Reciprocidade — aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional — e levará a disputa ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). 

  • A Lei de Reciprocidade Econômica autoriza o governo brasileiro a adotar contramedidas e sanções equivalentes contra países ou blocos econômicos que imponham barreiras, sanções ou tarifas injustificadas aos produtos, serviços e investimentos nacionais.

As exceções de Trump 

Apesar do forte impacto, o governo norte-americano estabeleceu algumas exceções que foram detalhadas no documento oficial com as tarifas.  

  • Produtos da Seção 232: itens como aço e alumínio não sofrerão taxas acumuladas. 
  • Matérias-primas e abastecimento: produtos cuja taxação possa provocar desabastecimento no mercado interno norte-americano ou causar perturbações em toda a economia dos EUA foram isentos. 
  • Bens não produzidos internamente: produtos agrícolas ou bens que não possam ser cultivados ou obtidos em quantidades suficientes dentro dos EUA também ficaram de fora. 
  • Efetividade: artigos para os quais as novas tarifas não contribuam substancialmente para eliminar o trabalho forçado não serão taxados. 

Os 60 alvos das tarifas 

  1. Argélia 
  1. Angola 
  1. Argentina 
  1. Austrália  
  1. Bahamas 
  1. Barrein 
  1. Bangladesh 
  1. Brasil 
  1. Camboja  
  1. Canadá 
  1. Chile 
  1. República Popular da China  
  1. Colômbia  
  1. Costa Rica 
  1. República Dominicana  
  1. Equador  
  1. Egito  
  1. El Salvador 
  1. União Europeia 
  1. Guatemala 
  1. Guiana  
  1. Honduras 
  1. Hong Kong 
  1. Índia  
  1. Indonésia  
  1. Iraque  
  1. Israel 
  1. Japão  
  1. Jordânia 
  1. Cazaquistão  
  1. Kuwait 
  1. Líbia  
  1. Malásia  
  1. México  
  1. Marrocos  
  1. Nova Zelândia  
  1. Nicarágua  
  1. Nigéria 
  1. Noruega  
  1. Omã  
  1. Paquistão 
  1. Peru 
  1. Filipinas  
  1. Catar  
  1. Rússia  
  1. Arábia Saudita  
  1. Cingapura  
  1. África do Sul  
  1. Coreia do Sul  
  1. Sri Lanka 
  1. Suíça ( 
  1. Taiwan 
  1. Tailândia  
  1. Trinidad e Tobago  
  1. Turquia  
  1. Emirados Árabes Unidos  
  1. Reino Unido  
  1. Uruguai  
  1. Venezuela 
  1. Vietnã 
AutorCarolina Gama
FonteSeu Dinheiro
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