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BrasilMPOL
05/10/2026
5 min

Brasil vive uma 'onda conservadora nas urnas' no 1º turno, diz Fabio Zambelli

Análise do especialista aponta avanço decisivo da direita no Congresso, consolidação de Tarcísio de Freitas em São Paulo, viradas estratégicas no Sul e os desafios do centro ante a polarização

Brasil vive uma 'onda conservadora nas urnas' no 1º turno, diz Fabio Zambelli
RESUMO +

O primeiro turno das eleições de 2026 fortaleceu a direita no Congresso Nacional e em governos estaduais neste domingo, 4, segundo Fabio Zambelli, analista de risco político e jornalista. A articulação de chapas conservadoras impulsionou vitórias no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, enquanto candidaturas de terceira via perderam espaço.

A apuração do primeiro turno das eleições de 2026 revelou um mapa político marcado pelo fortalecimento da direita, com redefinição de forças no Congresso Nacional e novas lideranças regionais que prometem ditar o ritmo da política brasileira nos próximos anos. É essa a análise do especialista Fabio Zambelli, analista de risco político e jornalista, que participou da transmissão ao vivo da EXAME neste domingo, 4.

Segundo o analista, o resultado das urnas nos principais colégios eleitorais do país reflete aeficiência da articulação da direita em transferir votos e consolidar chapas completas. A combinação entre a disciplina do eleitorado conservador, o alinhamento tático para a disputa das duas vagas ao Senado e o uso estratégico das máquinas estaduais e municipais impulsionou vitórias decisivas no Sul, Sudeste e Centro-Oeste — e redesenhou o mapa de forças políticas nacionais.

O movimento também estreitou o espaço de candidaturas alternativas da "terceira via" e impôs uma nova correlação de forças na relação do Palácio do Planalto com o Poder Legislativo. Veja abaixo as principais considerações do especialista durante a apuração das eleições:

O 'efeito São Paulo' e a consolidação de Tarcísio

A reeleição do governador Tarcísio de Freitas em São Paulo, ainda em primeiro turno, acompanhada pela vitória da dupla de senadores Guilherme Derrite e André do Prado, do Partido Liberal (PL) consolidou o estado como a principal fortaleza do campo conservador.

De acordo com Zambelli, a articulação na Grande São Paulo — potencializada pela atuação do prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB) — foi determinante para movimentar o eleitorado de regiões periféricas e reverter margens históricas.

"Essa dupla, Ricardo Nunes e Tarcísio, conseguiu melhorar o desempenho da direita na Grande São Paulo, uma região com mais de 10 milhões de eleitores. A criação dessa 'colinha pronta' entre a liderança do governo e os candidatos ao Senado mostrou uma organização tática que garantiu uma votação expressiva", avalia o analista.

O resultado do pleito paulista também impôs uma dura derrota ao Governo Federal, com a não eleição das ex-ministras Simone Tebet e Marina Silva para o Senado, além da margem ampliada de Tarcísio sobreFernando Haddad (PT), até então, principal sucessor de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a presidência da República.

A força do PL e a reorganização do Senado

O avanço da direita foi visível nas disputas para o Senado Federal em colégios eleitorais estratégicos. No Distrito Federal, a 'dobradinha' entre Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, do PL, confirmou o alinhamento do eleitorado conservador do Centro-Oeste. Fenômeno semelhante ocorreu em Santa Catarina, com as eleições de Carol de Toni e Carlos Bolsonaro, também do PL.

Zambelli destaca que a capacidade de mobilização do PL e a disciplina do eleitor na reta final superaram as projeções das pesquisas de véspera:

"A direita se organizou com muita clareza para a eleição do Senado. O eleitor chegou às urnas com a chapa consolidada na cabeça. A estratégia de vincular figuras de forte apelo popular a nomes da bancada federal funcionou perfeitamente no Sul, Sudeste e Centro-Oeste."

Vitória de Moro no Paraná e avanço no Rio Grande do Sul

No Paraná, a eleição de Sérgio Moro (PL) ao governo do estado em primeiro turno marcou um dos retornos mais simbólicos da noite. A despeito do crescimento docandidato governista Sandro Alex (PSD) na reta final, a força da marca de Moro e a divisão do eleitorado local garantiram o resultado.

"A vitória de Sérgio Moro tem um significado político enorme. Trata-se do retorno de uma figura central da Lava Jato ao comando de um estado estratégico, enfrentando máquinas locais e consolidando sua liderança autônoma dentro do espectro da direita", ressalta o analista.

No Rio Grande do Sul, a eleição de Luciano Zucco (PL) para o Palácio Piratini ainda na primeira etapa, somada ao desempenho da bancada conservadora no Senado — com destaque para Marcel van Hattem e Ubiratan Sanderson (ambos do PL) —, evidenciou o esvaziamento das candidaturas de centro alinhadas à gestão de Eduardo Leite (PSD).

Fraco desempenho da 'Terceira Via' e o diagnóstico das candidaturas

A apuração também expôs o estreitamento do espaço para candidaturas alternativas de centro e de perfil liberal tradicional. Nomes como Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos enfrentaram dificuldades para furar o bloqueio da polarização nacional.

Sobre o desempenho do governador de Minas Gerais, Zambelli observa que a falta de uma marca nacional própria e a sobreposição do eleitorado com o bolsonarismo limitaram seu alcance:

"Zema ficou sem espaço no espectro eleitoral. Ele é aprovado em Minas, mas não conseguiu expandir sua base fora do estado nem se diferenciar da candidatura de Flávio Bolsonaro. Ao tentar flutuar entre a crítica e o apoio, acabou perdendo terreno na própria base."

Por outro lado, o crescimento da candidatura de Augusto Cury na terceira posição é apontado por Zambelli como uma busca pontual do eleitorado por um tom mais moderado, embora sem força suficiente para alterar a dinâmica de ida ao segundo turno entre as duas principais forças do país.

O desenho das urnas no primeiro turno de 2026 estabelece uma bancada federal de perfil predominantemente conservador e alinhada às pautas do Centrão e do PL. O próximo ciclo governamental terá de negociar com um Poder Legislativo organizado, de forte apelo regional e com bancadas estaduais fortalecidas pela expressiva votação de puxadores de votos, como Nikolas Ferreira em Minas Gerais e Lucas Pavanato em São Paulo.

AutorDa Redação
FonteExame
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