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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
11/09/2026
5 min

Brasileira investe R$ 40 milhões em aeroportos para desafiar gigantes globais da logística

Nova infraestrutura da TriStar Express permitirá que cargas de e-commerce, medicamentos e pesquisa clínica cheguem diretamente a diferentes regiões do país.

Brasileira investe R$ 40 milhões em aeroportos para desafiar gigantes globais da logística

A logística internacional brasileira ainda tem um ponto de concentração: São Paulo. Para tentar ajustar este cenário, a empresa de logística TriStar Express, de Guarulhos (SP), está investindo R$ 40 milhões na criação de uma rede própria de hubs de carga dentro de aeroportos, com estruturas na sua cidade sede, Brasília (DF), Confins (MG) e Fortaleza (CE).

A primeira etapa do projeto está em Guarulhos, onde a empresa terá um armazém alfandegado de 3.250 metros quadrados dentro do complexo G400, empreendimento desenvolvido pela Brookfield Properties em parceria com a GRU Airport. A estrutura já está pronta e passa pela fase final de adequações e homologação para operar.

A aposta da empresa é atender um mercado que cresce em ritmo acelerado: o comércio eletrônico internacional, além de setores que exigem operações mais complexas, como medicamentos, cannabis medicinal, pesquisa clínica e produtos biológicos.

"Quando a gente fala de logísticainternacional, normalmente depende de empresas multinacionais. A gente quer criar uma empresa brasileira com essa sinergia entre aeroporto e logística", afirma Ricardo Teixeira, executivo da TriStar Express.

A companhia estima que, quando a nova estrutura estiver totalmente operacional, poderá alcançar capacidade de 3 milhões de remessas por mês. Hoje, a TriStar movimenta cerca de 200 mil pacotes mensais, segundo o executivo.

Por que a empresa quer espalhar hubs pelo Brasil

A estratégia da TriStar nasce de uma mudança no perfil do comércio exterior brasileiro. Segundo Ricardo, o país recebe atualmente cerca de 16 milhões de pacotes de e-commerce internacional por mês, mas grande parte dessas cargas entra pelo eixo paulista porque poucas empresas possuem autorização para realizar o desembaraço aduaneiro fora de São Paulo.

A proposta da empresa é permitir que cargas destinadas a outras regiões possam chegar diretamente a aeroportos próximos do consumidor.

Hoje, um produto comprado por um consumidor do Nordeste pode entrar por Guarulhos e seguir por transporte terrestre até o destino final. Com a estrutura da TriStar em Fortaleza, por exemplo, a companhia estima reduzir prazos de entrega de cerca de 30 dias para aproximadamente 12 dias.

"Queremos descentralizar de São Paulo e usar a estrutura que existe de aeroportos fora do Sudeste para o comércio internacional", diz Teixeira.

A expansão também mira setores de maior valor agregado. A TriStar atua em quatro verticais: e-commerce, cannabis medicinal, healthcare e produtos biológicos, como materiais para pesquisa clínica.

Ricardo Teixeira, executivo da TriStar Express: "A ideia é criar uma logística internacional com o DNA de aeroporto e descentralizar a operação no Brasil" (TriStar Express/Divulgação)

Como funciona um hub alfandegado dentro do aeroporto

Diferentemente de um galpão logístico convencional, um armazém alfandegado opera sob controle dos órgãos reguladores. A estrutura permite que cargas internacionais sejam recebidas, desembaraçadas e nacionalizadas dentro do próprio aeroporto.

No caso da TriStar, o espaço em Guarulhos terá participação de órgãos como Receita Federal, Anvisa e Ministério da Agricultura nos processos de fiscalização.

"O produto chega ao aeroporto, passa por todo o processo de legalização e sai pronto para o consumidor ou para uma empresa", explica Ricardo.

O investimento de R$ 40 milhões inclui equipamentos, adequações internas e estrutura necessária para a homologação. Metade desse valor será direcionada justamente para equipamentos e preparação do armazém.

Por que Guarulhos é estratégico nessa expansão

Guarulhos é o principal ponto de entrada da carga aérea internacional brasileira. Segundo Paulo Souza, diretor de logística da GRU Airport, o aeroporto responde por 57% da carga aérea importada do país.

O terminal opera 24 horas por dia, sete dias por semana, e movimenta cerca de 600 toneladas de carga aérea chegando e outras 600 toneladas saindo diariamente, considerando importação e exportação.

Para Paulo, a chegada da TriStar reforça a posição do aeroporto como plataforma logística.

"O G400 é uma área de 30 mil metros quadrados. A chegada de novos players é muito importante para o desenvolvimento da logística aérea", afirma.

O espaço onde a TriStar ficará instalada faz parte de um projeto maior. O G400 possui 30 mil metros quadrados e terá outras quatro empresas além da TriStar, todas ligadas ao setor de e-commerce, segundo a GRU Airport.

Aeroporto também amplia sua infraestrutura de cargas

O movimento da TriStar ocorre em meio a uma expansão maior da infraestrutura logística de Guarulhos.

Além do G400, o aeroporto tem o G500, já finalizado, com 50 mil metros quadrados, e o G600, ainda em fase de infraestrutura do terreno, com previsão de mais de 80 mil metros quadrados.

Segundo Paulo Souza, Guarulhos já possui mais de 200 mil metros quadrados de galpões ligados à operação de cargas.

O executivo afirma que a vantagem de operar dentro do aeroporto é ganhar velocidade no processo aduaneiro.

"Uma carga importada consegue fazer toda a tratativa aqui dentro, todo o desembaraço, e já sai pronta para o mercado", diz.

Apesar dos investimentos, o mercado ainda enfrenta uma concentração elevada em São Paulo.

Segundo Ricardo, a logística internacional tem uma demanda diferente da logística nacional. Enquanto o Brasil ampliou a oferta de galpões para produtos domésticos, ainda existe escassez de estruturas dentro dos aeroportos para cargas internacionais.

"A falta de espaço dentro do aeroporto ainda é grande. Guarulhos é o maior aeroporto de carga do Brasil, mas mesmo assim não dá conta do volume que existe", afirma.

Com a nova rede de hubs, a TriStar tenta ocupar esse espaço e levar uma operação que hoje está concentrada em São Paulo para outras regiões do país.

AutorGuilherme Gonçalves
FonteExame
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