Brasileiros ganham espaço no desenvolvimento global do bitcoin, diz Vinteum
Desenvolvedores formados no Brasil conquistaram grants internacionais e vagas em empresas do setor cripto

Desenvolvedores brasileiros estão ampliando sua participação no desenvolvimento do software de código aberto que sustenta o Bitcoin, segundo o relatório de quatro anos da Vinteum, organização sem fins lucrativos que financia e apoia desenvolvedores e pesquisadores de Bitcoin no Brasil e na América Latina.
O relatório, divulgado na quinta-feira, 27, mostra que ex-participantes do programa Bitcoin Dev Launchpad, criado pela organização para formar novos desenvolvedores, conquistaram "grants" (bolsas, subvenções) de instituições internacionais como OpenSats e BDK Foundation e foram contratados por empresas globais do setor, como Boltz, Second e Lightning Labs.
Um dos exemplos é Erick Cestari. Menos de um ano depois de entrar no programa de formação em São Paulo, o desenvolvedor apresentou uma pesquisa de segurança em Berlim, em uma conferência internacional sobre a rede Lightning. No mesmo período, passou quatro meses como estagiário de engenharia de segurança na Lightning Labs.
A primeira turma do Bitcoin Dev Launchpad também teve dois participantes que posteriormente se tornaram beneficiários de grants da própria Vinteum.
Segundo a organização, atualmente 36 integrantes de sua comunidade trabalham ativamente no desenvolvimento em código aberto do Bitcoin. Desse total, oito são desenvolvedores financiados diretamente por grants da Vinteum.
Como a IA mudou a formação de desenvolvedores
Um dos principais desafios identificados pela Vinteum no último ano foi o avanço das ferramentas de inteligência artificial capazes de gerar código funcional ou aparentemente plausível sem que o usuário necessariamente compreenda o problema que está tentando resolver.
A organização afirma que, diante desse cenário, mudou a forma de avaliar candidatos ao programa de formação. A quantidade de código produzido deixou de ser um dos principais indicadores, enquanto discussões individuais, revisão iterativa e a capacidade de explicar, defender e aprimorar decisões técnicas passaram a ter maior peso.
Os participantes também passaram a desenvolver contribuições em cópias supervisionadas dos projetos antes de enviá-las aos repositórios oficiais. O trabalho é revisado internamente por desenvolvedores experientes.
“O objetivo não é maximizar o número de pessoas entrando no programa ou a quantidade de pull requests [proposta de alteração de código em um projeto, usada para pedir que o seu trabalho seja revisado e integrado à versão principal] produzidos”, afirma Lucas Ferreira, cofundador e diretor-executivo da Vinteum. “Queremos ajudar mais pessoas a se tornarem contribuidores independentes, confiáveis e capazes de assumir responsabilidades de longo prazo em projetos de código aberto de Bitcoin.”
