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EmpresasACS
02/06/2026
3 min

Braskem (BRKM5) busca fôlego com credores, e recuperação extrajudicial entra no radar, diz agência; ações caem na bolsa

Braskem (BRKM5) busca fôlego com credores, e recuperação extrajudicial entra no radar, diz agência; ações caem na bolsa

A Braskem (BRKM5) voltou ao centro das atenções do mercado nesta terça-feira (2), com as ações em queda após rumores de que a petroquímica estaria articulando uma reestruturação de dívidas antes de vencimentos relevantes previstos para julho.

Segundo informações da Bloomberg, a Braskem avalia recorrer à recuperação extrajudicial no Brasil, uma alternativa que permite renegociar passivos com credores fora de um processo formal de recuperação judicial.

A notícia acendeu um sinal de alerta entre investidores e levou as ações da companhia a operarem em forte queda ao longo do pregão.

Após uma queda superior a 6% pela tarde, os papéis conseguiram arrefecer as perdas, encerrando a sessão em baixa de 1,27%, cotados a R$ 10,10.

Procurada pelo Seu Dinheiro, a Braskem não se manifestou até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto.

Braskem negocia recuperação extrajudicial com credores, diz agência

De acordo com a Bloomberg, a Braskem busca primeiro assegurar o apoio de credores que detenham ao menos um terço de sua dívida.

Alcançado esse patamar, a empresa poderia obter uma suspensão de 90 dias nos pagamentos, criando uma janela para negociar um plano mais amplo de reestruturação.

A estratégia em análise prevê que a Braskem entre com o pedido extrajudicial já munida de um entendimento preliminar com grupos de credores, bondholders e instituições financeiras.

Durante o período de proteção, a companhia trabalharia para conquistar a adesão de credores que representem a maioria dos débitos, condição necessária para a homologação de um plano definitivo.

No entanto, a agência afirma que outras alternativas continuam sendo avaliadas. Entre elas, estaria a possibilidade de solicitar proteção judicial por meio de uma medida cautelar, mecanismo que também poderia dar fôlego adicional às negociações com os credores.

O que dizem os analistas

Na visão de Beny Fard, sócio da B8 Partners, especialista em investimentos e negócios internacionais, o mercado reagiu negativamente ao potencial avanço do plano de reestruturação extrajudicial da Braskem.

Para o especialista, "o movimento, embora tecnicamente menos grave que uma recuperação judicial, sinaliza ao acionista que ele está no fim da fila" de recebimento.

"Em um processo de reestruturação, acionistas situam-se atrás de todos os credores na ordem de recebimento, e, se o plano envolver conversão de dívida em ações, a participação dos minoritários pode ser reduzida de forma expressiva", avalia Fard.

Nos últimos dias, o Citi manteve uma visão cautelosa sobre a petroquímica, com classificação de alto risco para a companhia, citando preocupações com a estrutura de capital e o elevado endividamento da empresa.

Os analistas seguem céticos em relação à estrutura de capital da Braskem. Entre as principais preocupações do banco está o pagamento das dívidas da companhia, incluindo um desembolso de US$ 1 bilhão previsto para o quarto trimestre de 2026 ligado à linha standby.

Além disso, os analistas afirmam que o risco de uma eventual recuperação judicial continua no radar e sustenta a postura mais cautelosa com a ação.

  • Leia também:Quem devem ser os novos líderes na Braskem (BRKM5), que tentarão recuperar a petroquímica após venda de fatia da Novonor para a IG4

Na visão do banco, alguns fatores poderiam melhorar a percepção sobre a Braskem nos próximos trimestres.

Entre os possíveis gatilhos estão um acordo para reestruturar a dívida da companhia, com eventual adiamento de pagamentos, condições mais favoráveis para a compra de matéria-prima e aumento da taxa de utilização das plantas industriais.

AutorCamille Lima
FonteSeu Dinheiro
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