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Sacre Investimentos
EmpresasACS
03/06/2026
4 min

Braskem (BRKM5) no limite: companhia corre contra o tempo para evitar um calote de R$ 760 milhões nos investidores

Braskem (BRKM5) no limite: companhia corre contra o tempo para evitar um calote de R$ 760 milhões nos investidores

A Braskem (BRKM5) está em uma corrida contra o tempo para evitar que suas contas saiam do controle. O sinal de alerta acendeu por causa de US$ 150 milhões (R$ 758,96 milhões, na cotação atual do dólar) em juros de dívidas emitidas no exterior, que vencem entre julho e agosto.

Segundo o portal Pipeline, a petroquímica não fará esses pagamentos nos prazos originais, o que abre as portas para um calote oficial.

Para evitar que isso aconteça, a Braskem precisa conseguir fechar a recuperação extrajudicial, que é um acordo direto com os credores, homologado posteriormente na Justiça. É o mesmo movimento feito recentemente pela Raízen (RAIZ4).

A questão é que a Braskem precisa do apoio de pelo menos um terço dos seus credores ainda neste mês.

  • LEIA TAMBÉM: Braskem (BRKM5) busca fôlego com credores, e recuperação extrajudicial entra no radar, diz agência

Calote nos bonds

Segundo o Pipeline, a Braskem teria que arcar com o pagamento de juros dos bonds de 2028, 2030, 2031, 2041 e 2050 a partir de julho.

Caso esses pagamentos não sejam feitos, passa a vigorar o chamado "período de carência" (geralmente 30 dias), até que o calote se torna oficial — e vira uma bola de neve.

Diante de um default oficial, outras emissões da companhia podem decretar vencimento antecipado. Ou seja, todos os credores poderiam exigir seu dinheiro de volta ao mesmo tempo, algo que a empresa não teria como honrar imediatamente.

Na prática, a corrida pela recuperação extrajudicial vai muito além dos R$ 760 milhões em risco com os pagamentos de julho. Se a petroquímica fechar um pré-acordo com os credores, a empresa consegue:

  1. Pausar os pagamentos de juros: uma suspensão de 90 dias nas cobranças de dívidas.
  2. Fôlego para refinanciar: terá tempo para convencer a maioria dos credores a aceitar um plano definitivo de reestruturação.
  3. Agilidade para recomeçar: o processo extrajudicial é mais rápido e barato do que uma recuperação judicial comum, que costuma paralisar a empresa em brigas nos tribunais por meses.

Como a Braskem chegou a esse ponto?

A situação financeira da companhia não piorou do dia para a noite — é fruto de uma combinação de fatores que se desenrolam há anos.

A mais recente é a crise em Alagoas. O desastre geológico causado por minas de sal-gema em Maceió gerou indenizações bilionárias, o que drenou o caixa e fez a empresa perder seu selo de "boa pagadora" (grau de investimento) perante as agências de risco.

Em meio a esses pagamentos, o setor petroquímico não vive o melhor momento do seu ciclo. Toda a indústria está passando por um período prolongado de baixos lucros devido ao custo alto de produção e baixo valor do bem comercializado. É uma crise que se estende desde a pandemia.

Outro problema da Braskem foi a demora para concluir a venda da parcela que era da Novonor (antiga Odebrecht), até então, principal acionista.

As negociações demoraram anos, entre diferentes interessados, mas só foi desenrolar no final de 2025. Atualmente, a empresa está em processo de mudança de comando, com a gestora IG4 assumindo o controle que era da Novonor junto à Petrobras (PETR4).

Um ponto crucial, no entanto, é que não há qualquer sinalização de que a Petrobras vá "salvar" a Braskem injetando dinheiro novo ou oferecendo garantias para pagar esses juros de curto prazo.

  • SAIBA MAIS: Petrobras (PETR4) e IG4 selam acordo pela Braskem (BRKM5); XP diz que movimento pode “destravar” reestruturação

O que esperar agora?

A Braskem terminou o primeiro trimestre com cerca de US$ 1,06 bilhão em caixa, mas tem US$ 1,46 bilhão em dívidas vencendo ainda este ano.

Sua subsidiária no México, a Braskem Idesa, já está negociando separadamente o processo de entrada em recuperação judicial nos Estados Unidos (o chamado Chapter 11).

O objetivo agora é evitar a todo custo uma recuperação judicial completa no Brasil, que seria o último recurso caso as negociações extrajudiciais falhem.

AutorMonique Lima
FonteSeu Dinheiro
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