Braskem pede tutela cautelar e abre mediação para renegociar dívida de US$ 9,5 bi

A Braskem deu nesta quinta-feira, 26, um novo passo na tentativa de reorganizar sua dívida de US$ 9,5 bilhões. A petroquímica protocolou um pedido de tutela de urgência cautelar na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo e iniciou um processo de mediação com credores financeiros.
As medidas foram aprovadas pelo conselho de administração da companhia e têm escopo estritamente financeiro, sem afetar contratos com fornecedores, clientes ou demais parceiros. A movimentação jurídica é o desdobramento de negociações que chegaram a um impasse.
Documentos tornados públicos pela própria Braskem mostram que a empresa propôs a seus credores prorrogar todos os vencimentos em cinco anos e reduzir os juros em 200 pontos-base, com a opção de pagar os juros na forma de "PIK", sem desembolso de caixa, entre julho de 2026 e dezembro de 2028.
O grupo de credores, porém, rejeitou a oferta e a classificou como "totalmente insatisfatória", exigindo o aumento de juros, não redução; além de contribuição dos acionistas para o esforço de reestruturação. A Braskem, por sua vez, recusou a contraproposta.
A situação reflete, em boa parte, os impactos relacionados ao desastre ambiental em Maceió. A exploração de sal-gema pela companhia provocou o afundamento do solo na capital, levando a um amplo programa de indenizações, realocações e compensações.
Caixa no limite
Por trás da disputa, há uma urgência concreta de liquidez. As projeções internas da companhia, incluídas nos documentos divulgados, mostram que, sem reestruturação, a Braskem ficaria com caixa livre negativo já em dezembro de 2026, chegando a um déficit de US$ 821 milhões no fim do ano.
O serviço da dívida só no terceiro trimestre de 2026 soma US$ 878 milhões, entre bonds, debêntures, cartas de crédito e dívidas bilaterais. No total da dívida, há uma linha rotativa de crédito de US$ 1 bilhão com vencimento em dezembro e as cartas de crédito em aberto somam mais US$ 1,3 bilhão.
O que a Braskem quer
A proposta da companhia não prevê corte do valor principal das dívidas nem conversão em ações. A ideia é alongar os prazos, preservar o caráter não garantido das dívidas e manter as linhas de capital de giro em funcionamento.
Como parte do plano, a Braskem propôs a criação de uma nova linha de cartas de crédito de até US$ 1,5 bilhão para substituir as linhas em aberto existentes.
Com a reestruturação aprovada, as projeções internas indicam que a empresa conseguiria reconstruir caixa ao longo dos próximos anos, chegando a um saldo livre de US$ 1,6 bilhão ainda em 2026 e de US$ 5,2 bilhões em 2035.O plano de negócios projeta Ebitda de US$ 2,2 bilhões em 2026, com melhora gradual até US$ 3 bilhões em 2035, sustentado pela recuperação dos spreads petroquímicos e pelo projeto Transforma Rio, que deve adicionar capacidade de produção a partir de 2029.
A Braskem informou que manterá o mercado atualizado sobre os desdobramentos do processo. O conselho de administração também aprovou, caso necessário, a adoção de medidas protetivas no exterior.
