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NegóciosMPOL
16/09/2026
5 min

Brazil at Silicon Valley leva evento do Vale do Silício para São Paulo pela primeira vez

Primeira edição brasileira reuniu nomes de empresas como Nubank, Cognition e Decagon para discutir IA, inovação e transformação dos negócios

Brazil at Silicon Valley leva evento do Vale do Silício para São Paulo pela primeira vez

Durante oito anos, o Brazil at Silicon Valley levou empreendedores, investidores e executivos brasileiros ao Vale do Silício, nos Estados Unidos, para discutir tecnologia e inovação. Agora, a organização decidiu fazer o caminho inverso.

Nesta quarta-feira (16), o BSV realizou em São Paulo a primeira edição do Vale do Silício @ Brasil, evento fechado que reuniu empreendedores, investidores, executivos, acadêmicos e representantes do setor público na sede da Fiesp, na Avenida Paulista.

A mudança acontece em um momento em que ainteligência artificial começa a sair da fase de testes e entrar nos processos das empresas. Para o BSV, isso criou uma necessidade que o encontro realizado nos Estados Unidos não conseguia atender sozinho: levar a discussão para companhias e profissionais que ainda não participam do circuito tradicional de inovação.

“Percebemos que fazer esse movimento só no Vale do Silício não era suficiente. A gente acabava falando com quem já estava acostumado com esse ambiente. Para chegar às empresas mais tradicionais e ao público corporativo, precisávamos estar aqui. É difícil levar toda essa gente para passar uma semana no Vale do Silício”, afirma Isabella Canazza, membro do Board do Brazil at Silicon Valley.

A organização pretende manter a marca Vale do Silício @ Brasil e ampliar a iniciativa para outras regiões do país. A próxima edição, porém, ainda não tem formato, cidade ou programação definidos.

“A gente quer que esteja aqui quem realmente vai conseguir fazer algo a respeito das informações que vai ouvir”, afirma Canazza.

IA deixa o laboratório e entra na operação

O principal tema do encontro foi a inteligência artificial. Executivos de empresas como Nubank, Cognition e Decagon discutiram uma questão que começa a substituir o debate sobre o potencial da tecnologia: como colocar modelos de IA para trabalhar dentro de operações que já existem.

No Nubank, a adoção entre os funcionários passou de cerca de 25% a 30% para 98%, segundo dados apresentados por David Vélez, CEO do Nubank. O avanço mostra a velocidade com que a tecnologia pode se espalhar dentro de uma companhia, mas também expõe um dos principais obstáculos para a adoção: a reação dos próprios funcionários.

Uma das preocupações discutidas foi o impacto da produtividade sobre os empregos. No caso do Nubank, segundo Vélez, o ganho obtido com IA foi direcionado para fazer mais com a mesma quantidade de pessoas, em vez de simplesmente reduzir o quadro.

O desafio muda de escala quando a IA precisa operar em empresas com sistemas, processos e bases de dados construídos ao longo de anos. É nesse ponto que entram os chamados agentes de IA, sistemas capazes de executar tarefas e interagir com outras ferramentas, em vez de apenas produzir respostas.

Scott Wu, CEO da Cognition, empresa responsável pelo agente de programação Devin, discutiu como essa mudança afeta o desenvolvimento de software. A tecnologia pode assumir parte do trabalho de programação, enquanto os engenheiros passam a dedicar mais tempo à definição de problemas, supervisão dos agentes e construção dos sistemas.

Na Decagon, startup americana de agentes de IA para atendimento ao cliente, a discussão passa para outra frente. A companhia, avaliada em US$ 4,5 bilhões após uma rodada de US$ 250 milhões, anunciou a abertura de um escritório em São Paulo e vê o Brasil como um dos mercados estratégicos para sua expansão na América Latina.

Para Jesse Zhang, cofundador e CEO da Decagon, a próxima etapa é ampliar o papel dos agentes: além de conversar com clientes, eles devem ser capazes de executar tarefas e workflows dentro das empresas.

O desafio é particularmente relevante para grandes empresas, como bancos, companhias aéreas e operadoras de telecomunicações, que têm sistemas, bases de dados e processos complexos. Para que um agente execute uma tarefa de ponta a ponta, é preciso conectá-lo a essa estrutura e ensiná-lo a navegar pelos diferentes fluxos da companhia.

IA chega à segurança pública

O debate apresentado em São Paulo também mostrou que a aplicação da IA vai além das empresas. A Pax, companhia brasileira de inteligência artificial voltada para segurança pública, apresentou uma solução para conectar informações usadas em investigações.

O problema, segundo David Peixoto, fundador e CEO da empresa, está na fragmentação dos dados. Registros de crimes, relatórios de ocorrências e imagens de câmeras podem estar espalhados e ser difíceis de acessar e conectar. A empresa também trabalha com informações como placas de veículos, que podem ajudar a relacionar diferentes elementos de uma investigação.

“Eles têm registros de crimes. Têm relatórios de ocorrências. Têm todas essas informações, mas elas normalmente estão fragmentadas e são muito difíceis de acessar e conectar”, afirma Peixoto.

A proposta é permitir que investigadores consultem essas informações de forma mais simples, usando perguntas em linguagem natural, ou seja, sem precisar navegar por diferentes bases de dados para encontrar uma informação específica.

“De uma maneira muito simples, como no ChatGPT ou no Claude, eles podem fazer perguntas sobre aquele crime específico”, afirma Peixoto.

Peixoto vê no Brasil espaço para desenvolver uma plataforma de IA voltada à segurança pública. Na avaliação do executivo, o país reúne características que podem favorecer o desenvolvimento desse tipo de tecnologia.

“O Brasil é o melhor lugar para construir a principal plataforma de IA para segurança pública do mundo”, afirma Peixoto.

AutorBianca Camatta
FonteExame
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