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Mundo
12/09/2026
21 min

Brics pede cautela no Oriente Médio, enquanto China tenta transformar bloco em mediador da crise

Neste sábado, 12, Xi Jinping afirmou que a guerra não atende aos interesses da comunidade internacional; Declaração conjunta do grupo pediu “máxima prudência”

Brics pede cautela no Oriente Médio, enquanto China tenta transformar bloco em mediador da crise

A guerra no Oriente Médio e seus impactos sobre a segurança energética global dominaram o primeiro dia da cúpula do Brics em Nova Délhi, na Índia.

O encontro reúne líderes de China, Índia, Rússia e Irã em um momento de escalada das tensões na região e de aumento das preocupações sobre o fornecimento de petróleo e as principais rotas marítimas do comércio internacional.

Criado originalmente por Brasil, Rússia, Índia e China e ampliado nos últimos anos, o Brics busca ampliar sua influência em temas econômicos e geopolíticos.

O grupo reúne atualmente 11 países e representa cerca de 40% da economia mundial, considerando a paridade de poder de compra, e mais de um quarto do comércio global. 

O conflito no Oriente Médio entrou no centro da agenda após a intensificação dos ataques envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

A crise também passou a pressionar mercados de energia, com riscos sobre dois pontos estratégicos para o transporte marítimo: o Estreito de Ormuz, entre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico, e o Estreito de Bab el-Mandeb, que conecta o Mar Vermelho ao Oceano Índico.

Neste sábado, 12, o presidente da China, Xi Jinping, afirmou que a guerra “não atende aos interesses comuns da comunidade internacional”.

++ Leia mais: Brics na Índia: por que o dólar está no centro da disputa entre os países do bloco

Segundo declarações divulgadas pela imprensa estatal chinesa, o líder afirmou que o conflito tem causado “graves perdas aos povos da região” e defendeu que o Brics contribua para a busca por estabilidade no continente. 

Pouco depois, os países do bloco divulgaram uma declaração conjunta pedindo “máxima prudência” e que sejam evitadas ações capazes de agravar ainda mais a guerra.

O documento também condenou ataques contra infraestrutura civil e instalações nucleares pacíficas sob salvaguardas internacionais.

Energia e petróleo entram no centro das discussões

A preocupação econômica por trás da crise está ligada ao papel do Oriente Médio no mercado global de energia. O Estreito de Ormuz, em particular, é uma das principais rotas para o transporte de petróleo e gás, enquanto o Bab el-Mandeb é estratégico para navios que conectam a Ásia e a Europa.

A escalada do conflito ocorre em um momento em que o bloqueio ou a ameaça às rotas marítimas já começa a pressionar os preços do petróleo. Nesta semana, o barril voltou a ultrapassar o patamar simbólico de US$ 100, segundo agências internacionais.

A Índia, uma das maiores consumidoras de energia do mundo, também é peça-chave nesse contexto. O país manteve a compra de petróleo russo, mesmo diante de pressões ocidentais, enquanto busca garantir segurança energética para sua economia.

O presidente russo, Vladimir Putin, participa da cúpula em Nova Délhi e foi recebido pelo primeiro-ministro indiano Narendra Modi.

O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, também usou o encontro para defender uma posição contrária à presença dos Estados Unidos na região. Segundo ele, os países do Oriente Médio devem ser responsáveis pela própria segurança.

“Não precisamos de um policial na região: a integridade territorial e a segurança regional só poderão ser garantidas por seus principais atores e pelos países que a compõem”, afirmou Pezeshkian.

China tenta fortalecer influência dentro do Brics

Além da guerra, a cúpula também funciona como uma demonstração da tentativa da China de ampliar o papel do Brics como espaço de articulação entre países emergentes.

Xi Jinping afirmou que os integrantes do grupo devem rejeitar “toda forma de protecionismo” e defender o sistema comercial multilateral, com a Organização Mundial do Comércio como centro das negociações.

A presença do líder chinês em Nova Délhi também tem peso simbólico. Foi a primeira viagem de Xi à Índia desde 2019, após anos de tensão entre os dois países, especialmente depois do confronto militar na fronteira do Himalaia em 2020.

Xi e Modi realizaram uma reunião bilateral durante a cúpula, em um movimento interpretado como tentativa de reaproximação diplomática.

Apesar da busca por uma posição comum, as diferenças internas do Brics continuam sendo um desafio para o bloco.

A declaração divulgada evitou citar diretamente os países envolvidos no conflito, refletindo a necessidade de conciliar interesses de integrantes com posições distintas, como Irã, Emirados Árabes Unidos, Índia e China.

Na abertura do encontro, Modi defendeu que o Brics tenha uma atuação baseada em maior participação dos países emergentes nas decisões globais. “Cada país deve ter sua voz e sua parte”, afirmou o primeiro-ministro indiano.

O Brasil é representado na cúpula pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que lidera a delegação brasileira em Nova Délhi. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participa do encontro.

AutorSofia Schuck
FonteExame
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