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Sacre Investimentos
EconomiaACS
23/06/2026
3 min

BTG avalia que ata veio “dovish”, mas não muda cenário de fim de cortes em 2026

BTG avalia que ata veio “dovish”, mas não muda cenário de fim de cortes em 2026

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta terça-feira (23) trouxe um sinal mais “dovish” do que o comunicado da semana passada, na avaliação do BTG Pactual.

Segundo o banco, o Banco Central indicou que uma eventual pausa no ciclo de cortes não significaria necessariamente o seu fim, deixando aberta a possibilidade de retomada da flexibilização monetária mais à frente. Ainda assim, a instituição manteve a projeção de Selic em 14,25% até o fim de 2026, diante da piora do cenário inflacionário e da desancoragem das expectativas.

Para os economistas que assinam o relatório, a principal novidade da ata foi o esclarecimento sobre a estratégia que vem sendo considerada pelo Copom para levar a inflação de volta à meta.

Segundo o BTG, o documento deixa claro que a convergência da inflaçãoao objetivo no primeiro trimestre de 2028 pode envolver novos cortes de juros. Além disso, esses movimentos não precisariam ocorrer de forma consecutiva, podendo ser precedidos por uma interrupção temporária do ciclo.

“A ata sugere que uma pausa pode fazer parte da própria estratégia de convergência, desde que combinada com eventual retomada adiante, caso as condições permitam”, destacaram os economistas.

Na visão do banco, o BC tenta deslocar a discussão do mercado de um cenário de pausa com risco de alta de juros para um cenário de pausa com possibilidade de retomada dos cortes. A estratégia preservaria maior flexibilidade para a autoridade monetária reagir à evolução dos dados econômicos nos próximos meses.

Ata reforça tom mais dovish

O BTG também avalia que a ata reforçou uma função de reação mais branda do que a percebida no comunicado divulgado após a reunião da semana passada.

Um dos principais elementos destacados pelos analistas foi a justificativa apresentada pelo Copom para aceitar uma convergência mais lenta da inflação à meta. Segundo o documento, trajetórias que levariam a inflação para o centro da meta já no quarto trimestre de 2027 exigiriam movimentos mais abruptos na taxa Selic, além de produzirem períodos prolongados de inflação abaixo do objetivo.

Diante desse cenário, o BC optou por uma estratégia de suavização, priorizando menor volatilidade dos ativos financeiros e da atividade econômica, mesmo que isso signifique alcançar a meta apenas no primeiro trimestre de 2028.

Para o BTG, essa abordagem reforça a preferência da autoridade monetária por evitar mudanças bruscas na condução da política monetária e reduz a probabilidade de respostas agressivas a choques temporários de oferta.

Cenário continua “hawkish”

Apesar da interpretação mais dovish da ata, o banco ressalta que o diagnóstico econômico apresentado pelo Copom continua bastante duro.

O documento voltou a destacar a resiliência da atividade econômica, o mercado de trabalho aquecido, a inflação acima do limite superior da meta e as expectativas inflacionárias desancoradas.

Além disso, a ata tornou explícita a avaliação de que o balanço de riscos para a inflação segue assimétrico para cima, reforçando a preocupação do Banco Central com novos choques inflacionários.

Segundo os economistas, a deterioração observada desde a reunião de abril também passou a incluir as expectativas para 2028, ampliando os desafios para o processo de convergência da inflação.

AutorJuliana Caveiro
FonteMoney Times
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