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28/10/2026
6 min

BTG lista 26 ações que ficaram baratas depois do tombo pós-eleição

Após tombo de 20% do Ibovespa em dólar, banco encontra oportunidades, mas alerta para novas quedas

BTG lista 26 ações que ficaram baratas depois do tombo pós-eleição

O tombo da bolsa brasileira após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou um rastro de ações negociadas a preços que o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) considera difíceis de ignorar.

O banco vê que algumas empresas perderam mais de 60% de seu valor de mercado em poucos dias, enquanto outras passaram a valer apenas três ou quatro vezes o lucro esperado para 2027.

Em meio à turbulência, o BTG identificou 26 ações que considera atrativas, de gigantes como Petrobras a empresas menores, como C&A, Tenda e Banco Pine. Mas a instituição financeira também acredita que a bolsa pode cair mais 10% em dólar caso o governo não apresente medidas capazes de aliviar a parte fiscal.

Depois de o Ibovespa despencar 20,1% em dólar na segunda-feira, 26, em reação ao resultado da eleição presidencial. A queda foi acompanhada por uma disparada dos juros de longo prazo, que chegaram a 15,1%, em um movimento de aversão ao risco provocado pelas preocupações com as contas públicas.

"Uma queda de 20% em dólar em um único dia é muita coisa, talvez até demais", escrevem em relatório divulgado nesta quarta-feira, 28. "Analisamos os desempenhos relativos e as avaliações e chegamos a uma lista de empresas de alta qualidade que acreditamos estar negociando a preços muito atrativos".

Segundo o levantamento, 53 ações perderam mais de 30% desde a sexta-feira, 23, anterior. Com isso, o Ibovespa passou a negociar a 7,7 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, nível um desvio-padrão abaixo de sua média histórica.

Ações negociadas a preços que o BTG considera difíceis de ignorar

Empresas Código
3tentos TTEN3
Ambev ABEV3
Banco Pine PINE4
C&A CEAB3
Caixa Seguridade CXSE3
Copasa CSMG3
Cury CURY3
Cyrela CYRE3
Embraer EMBJ3
Eneva ENEV3
Equatorial Energia EQTL3
Gerdau GGBR4
Iguatemi IGTI11
Localiza RENT3
Motiva MOTV3
Orizon ORVR3
Pague Menos PGMN3
Petrobras PETR4
Porto Seguro PSSA3
Rede D'Or RDOR3
Sabesp SBSP3
SLC Agrícola SLCE3
Smart Fit SMFT3
Tenda TEND3
TIM TIMS3
Vivo VIVT3
Fonte: BTG Pactual, 28 de outubro de 2026. Códigos negociados na B3. Os dados não consolidam uma recomendação de compra, visto que cada investidor deve avaliar o seu portfólio de forma individual de acordo com suas próprias metas.

De Cyrela a Petrobras, onde o BTG vê oportunidades

A lista do BTG reúne empresas de diferentes setores, mas algumas chamam atenção pelos múltiplos de negociação após a queda. Na construção civil, a Cyrela (CYRE3) aparece avaliada em apenas 3,7 vezes o lucro estimado para 2027.

A Cury (CURY3) negocia a 6,1 vezes, enquanto a Tenda (TEND3), de menor capitalização, apresenta um múltiplo de 3,1 vezes. São avaliações que refletem, em parte, o receio de que os juros elevados continuem prejudicando o setor.

A Localiza (RENT3) também ganhou espaço entre as oportunidades identificadas pelo banco. Depois de acumular uma desvalorização de 18,6% em 30 dias, a locadora de veículos passou a negociar a 7 vezes o lucro projetado para 2027.

Entre as companhias de infraestrutura e serviços essenciais, o BTG destaca Equatorial (EQTL3), Eneva (ENEV3) e Sabesp (SBSP3), com taxas internas de retorno estimadas em 13%, 12% e 10,5%, respectivamente.

A concessionária Motiva (MOTV3) e a administradora de shoppings Iguatemi (IGTI11)também aparecem com retornos implícitos de 13%. A Rede D'Or (RDOR3), por sua vez, negocia a 13 vezes o lucro esperado para 2027.

Já Petrobras (PETR4) continua sendo vista pelo banco como uma alternativa relativamente segura, enquanto Gerdau (GGBR4) e Embraer (EMBR3) oferecem exposição ao dólar, característica que pode ajudar a compensar parte dos efeitos de uma eventual desvalorização do real.

O BTG também inclui nomes de perfil mais defensivo, como Ambev (ABEV3), Porto Seguro (PSSA3), Caixa Seguridade (CXSE3), Telefônica Brasil - Vivo (VIVT3) e TIM (TIMS3).

Ações menores têm múltiplos de até três vezes o lucro

Entre as chamadas "small caps", empresas de menor valor de mercado, os descontos são ainda mais expressivos em alguns casos. A C&A (CEAB3), que acumula queda de 41,7% em 2026, negocia a 3,2 vezes o lucro projetado para 2027.

O Banco Pine (PINE4) aparece com múltiplo de 3 vezes, enquanto a rede de farmácias Pague Menos (PGMN3), que perdeu 51,9% de seu valor no ano, está avaliada em 4,2 vezes.

Também entram na seleção Smart Fit (SMFT3), 3tentos (TTEN3) e SLC Agrícola (SLCE3), além de Copasa (CSMG3) e Orizon (ORVR3). Essas duas últimas se destacam pelas taxas internas de retorno estimadas em 14% e 15%, respectivamente.

Os múltiplos baixos, porém, não significam necessariamente que uma ação já tenha encontrado seu piso.

O próprio BTG reconhece que as projeções de lucro das empresas podem ser revisadas para baixo diante da perspectiva de menor crescimento econômico e juros persistentemente elevados.

Essa preocupação ajuda a explicar a ausência de duas varejistas conhecidas da lista principal.

Embora Assaí (ASAI3) e Lojas Renner (LREN3) pareçam bastante atrativas após a liquidação na avaliação da entidade, negociando a 8 e 5,4 vezes o lucro, respectivamente, o banco alerta que a desaceleração da economia e a Selic elevada podem comprometer seus resultados em 2027.

O risco de uma nova queda de 10% na bolsa brasileira

Se os preços ficaram mais interessantes, o cenário econômico continua sendo o grande problema. Na avaliação dos analistas, o mercado pode precisar de mais tempo para absorver o resultado eleitoral e, principalmente, a falta de clareza sobre os próximos passos da política fiscal.

"Mesmo que isso não aconteça, a bolsa pode andar de lado até que o governo anuncie o que pretende fazer para enfrentar a grave situação fiscal do país, se é que fará alguma coisa", afirma o relatório, ao abordar o risco de uma queda adicional de 10% em dólar.

O BTG não demonstra grande confiança na apresentação de um pacote fiscal robusto. Ainda assim, acredita que medidas mais modestas poderiam ajudar a estabilizar as ações e os juros de longo prazo, desde que sinalizem algum compromisso com o controle das despesas públicas.

O banco trabalha com crescimento de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027 e uma Selic de 12,5% ao fim do próximo ano, mas admite que os juros podem terminar o período acima dessa projeção.

Depois de grandes tombos, a bolsa costuma reagir. Será?

Há um dado histórico que joga a favor de uma eventual recuperação. Desde 1998, o mecanismo de "circuit breaker", que interrompe temporariamente as negociações diante de quedas muito acentuadas, foi acionado 17 vezes na bolsa brasileira, em cinco episódios de crise, segundo o BTG.

Em todas essas ocasiões, o banco disse que o Ibovespa registrava valorização de pelo menos 30% um ano depois.

Após a crise financeira global de 2008, por exemplo, a recuperação chegou a quase 89% nos 12 meses seguintes ao último acionamento do mecanismo. Na pandemia de 2020, o avanço foi de 72%.

Esse histórico mostra que momentos de pânico podem ser seguidos por recuperações expressivas, embora não exista garantia de que o movimento se repetirá.

*A EXAME alerta que a reportagem não constitui uma recomendação de investimento para os leitores. Quem investe deve avaliar, individualmente, seu portfólio, condições e metas.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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