BTG Pactual eleva Gerdau (GGBR4) para compra: ‘o pior já passou’

O BTG Pactual elevou a recomendação da Gerdau (GGBR4) de neutra para compra nesta segunda-feira (6), considerando a companhia como uma das “melhores teses” para o atual momento do mercado.
O banco também revisou para cima o preço-alvo de GGBR4 de R$ 25 para R$ 28 no fim de 2026, o que representa um potencial de valorização de 30,6% sobre o preço de fechamento da última sexta-feira (3).
Para os analistas, os resultados da operação nos EUA, fundamentos domésticos em melhora gradual e um perfil atrativo de geração de caixa no médio prazo mostram que a empresa está bem-posicionada para entregar retornos sólidos aos acionistas.
“A tese agora combina momentum de resultados com suporte de valuation, e enxergamos espaço para um retorno total ao acionista de cerca 10% nos próximos 12 meses, impulsionado por dividendos e recompras de ações”, destacaram os analistas Leonardo Correa, Marcel Zambello, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo em relatório.
Em reação, as ações operam entre as maiores altas do Ibovespa (IBOV) desde o início do pregão. Por volta de 14h15 (horário de Brasília), GGBR4 subia 0,93%, a R$ 21,64. Na máxima intradia, os papéis atingiram alta de 2,15% (R$ 21,90). Acompanhe o Tempo Real.
A Metalúrgica Gerdau (GOAU4) acompanha o tom positivo e operava com alta de 1,16%, a R$ 9,59, no mesmo horário.
Por que comprar GGBR4 agora?
Segundo relatório, a visão construtiva do BTG Pactual para a Gerdau se apoia em três pilares:
- a rentabilidade nos EUA deve seguir notavelmente resiliente;
- o Brasil está atingindo o ponto mais negativo do ciclo, ajudado por menores importações e alguma capacidade de precificação; e
- proteção cambial (USD) em um ambiente eleitoral incerto, já que 75% do Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) é dolarizado.
O banco considera que a Gerdau é a uma das siderúrgicas de maior qualidade na cobertura da instituição, beneficiada pela exposição diferenciada ao mercado norte-americano e por um negócio no Brasil que, segundo os analistas, parece estar atingindo o ponto mais negativo do ciclo.
A equipe de analistas destaca que a operação brasileira tem sido pressionada por maiores importações, principalmente de aços planos, e um cenário mais desfavorável de oferta e demanda em aços longos. Contudo, as medidas antidumping recentes já melhoraram o sentimento e a expectativa é de que o “momentum continue se fortalecimento gradualmente”.
“As pressões de custo que pesaram sobre os resultados do primeiro semestre devem se aliviar ainda mais no segundo semestre, enquanto a continuidade da agenda antidumping (com o caso do HRC esperado até o fim do ano) deve oferecer um vento favorável adicional”, afirmam os analistas.
Eles ainda chamam a atenção para o início de operação do projeto Miguel Burnier, que, apesar de um pequeno atraso, ainda deve contribuir com cerca de R$ 200 milhões para o Ebitda do Brasil neste ano, com o benefício pleno se aproximando de R$ 1 bilhão em 2027, uma vez totalmente maturado.
“No geral, seguimos cautelosos com o mercado brasileiro, mas acreditamos que o pior já passou e esperamos uma recuperação gradual dos resultados daqui em diante”, destacaram os analistas.
Nas contas do BTG Pactual, a operação brasileira da Gerdau responde a 23% do Ebitda consolidado – o que é um fator muito menos relevante para a tese de investimento do que para a maioria dos pares locais.
Além disso, os analistas esperam que resultados do segundo segundo trimestre mostrem uma melhora na qualidade dos números da companhia.
“Mais importante, não vemos isso como uma tese restrita a 2026, já que esperamos que a maior parte dessas tendências permaneça em vigor ao longo de 2027″, acrescentaram.
Já em relação às operações nos EUA, os analistas avaliam que o principal ponto de atenção dos investidores é quanto a elevada rentabilidade é sustentável no longo prazo. “Acreditamos que o mercado ainda subestima a durabilidade do ciclo atual de resultados da Gerdau nos EUA.”
O BTG projeta margens Ebitda nos EUA de 25% em 2026, reduzindo para um patamar mais conservador de 22% em 2027.
O futuro do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA) também está no radar. “Mesmo que um novo acordo seja eventualmente firmado, acreditamos que os fundamentos regionais devem permanecer sólidos, ainda que com alguma normalização em relação aos níveis atuais”, afirmaram em relatório.
Ação descontada
Em relatório, o BTG Pactual também destaca que o desconto do valuation da Gerdau em relação aos pares norte-americanos “provalmente” está ligado a um efeito de localização geográfica no Brasil, com os investidores precificando as operações locais como se fossem permanecer em “crise perpetuamente”.
“Caso os investidores passassem a atribuir à Gerdau um múltiplo mais próximo de uma tese norte-americana, uma simples soma das partes sustentaria uma expansão de múltiplos de mais de 25%”, calcula o banco.
Hoje, a siderúrgica negocia a 3,8x Ebitda projetado para 2026, enquanto os pares norte-americanos negociam entre 6x e 8x, implicando um desconto de mais de 40%.
Os analistas ainda consideram que Gerdau é “um dos poucos nomes” capaz de retornar cerca de 10% em caixa, ao mesmo tempo em que oferece um momentum de resultados favorável no curto prazo.
Além disso, a companhia é um “ativo com bens tangíveis no exterior e uma leitura cambial simples, já que não há dúvidas quanto ao repasse de preços, dado que a sensibilidade dos resultados é, em grande parte, função de efeitos de conversão cambial”.
Para o banco, a companhia é um dos “um dos hedges em dólar mais sensíveis”, sendo uma das empresas que podem se beneficiar de uma eventual valorização da divisa norte-americana.
Em outras palavras, as ações da companhia funcionam como uma espécie de proteção (hedge) contra a desvalorização do real ante o dólar.
Nas contas do BTG, uma variação de 10% na taxa de câmbio impacta aproximadamente 20% o valor justo das ações (equity value) de GGBR4. “Gostamos dessas características em um ambiente mais incerto, especialmente com tantas leituras cambiais desafiadoras no Ibovespa.”
