BTG troca Copasa e Totvs por Sabesp e Rede D’Or na carteira de ações de setembro
Banco aposta em Sabesp e Rede D’Or diante de valuations atrativos e mantém proteção cambial para um cenário fiscal mais adverso

O BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) fez mudanças na carteira de ações da bolsa brasileira, a 10SIM, para setembro, em um mês que começa com os investidores de olho na reta final das eleições e nos próximos passos da política fiscal. O banco retirou Copasa (CSMG3) e Totvs (TOTS3) das recomendações e incluiu Sabesp (SBSP3) e Rede D’Or (RDOR3). Além disso, Itaú Unibanco (ITUB4) e Cury (CURY3) também tiveram seus pesos reduzidos.
As alterações ocorrem após um agosto deforte oscilação nos fluxos estrangeiros. Até 20 de agosto, investidores internacionais haviam retirado R$ 23 bilhões de ações brasileiras, segundo o relatório.
"As preocupações com a desafiadora situação fiscal do Brasil e o ambiente de crédito desafiador, combinadas com uma eleição presidencial ainda indefinida, levaram os investidores estrangeiros a reduzir a exposição e permanecer cautelosos neste momento", afirmou a equipe de Equity Research do banco.
Nos dez últimos dias do mês, porém, o movimento mudou de direção, com compras de cerca de R$ 5 bilhões. No fim, o Ibovespa caiu 0,3% em reais em agosto, enquanto recuou 2,3% em dólares, um desempenho inferior aos pares latino-americanos e ao S&P, que subiu 2,6% em agosto.
Diante desse cenário, para setembro, o BTG preservou a estrutura da 10SIM, com uma combinação de empresas mais expostas aos juros de longo prazo e outras que podem se beneficiar de um cenário de câmbio mais pressionado. A estratégia considera dois caminhos possíveis para os ativos brasileiros diante das incertezas fiscais e eleitorais.
“Acreditamos que os juros de longo prazo e as ações já precificam uma quantidade considerável de risco fiscal, enquanto o real não”, afirma o banco.
A carteira passa a ter 50% de sua alocação em Serviços Básicos, Infraestrutura e ações de fluxo de caixa de longo prazo com Axia (AXIA3), Eneva (ENEV3), Sabesp, Motiva (MOTV3) e Rede D’Or. Já Itaú representa 10%, enquanto Embraer (EMBJ3) e Gerdau (GGBR4) somam 20% em teses de câmbio. A Petrobras (PETR4) também foi mantida e responde por 15% em setembro, enquanto Cury fica com os 5% restantes.
Na avaliação do BTG, essa composição deixa 65% da carteira em empresas que podem se beneficiar de juros de longo prazo mais baixos, enquanto os outros 35%, formados pelas posições de câmbio e Petrobras, podem oferecer proteção caso o cenário fiscal se deteriore.
Copasa sai e entra Sabesp
A mudança entre as empresas de saneamento é uma das principais novidades de setembro. A Copasa, que tinha peso de 5% em agosto, deixa o portfólio para dar lugar à Sabesp, que entra com participação de 10%.
“Acreditamos que a Sabesp oferece uma relação risco-retorno mais atrativa do que a Copasa”, afirma o banco. O BTG afirma que a ação é negociada atualmente a uma taxa interna de retorno real de 10,5%.
A Sabesp também está entre as principais escolhas do BTG para os próximos seis a 12 meses. A instituição vê a empresa como uma tese de crescimento e de fluxo de caixa de longo prazo, apoiada pelo crescimento contratado de Ebitda e lucro, por dividendos crescentes, pela característica de monopólio natural do negócio e por ganhos adicionais de eficiência após a privatização.
A ação, porém, passou por uma correção recente. Os papéis caíram cerca de 15% depois que a administração indicou que as maiores despesas com marketing e call center devem continuar pressionando os resultados ao longo de 2026. Para o BTG, 2027 deve refletir melhor a realidade sustentável da companhia.
Rede D’Or entra no lugar da Totvs
A outra troca foi a entrada da Rede D’Or, com peso de 10%, no lugar da Totvs, que tinha participação de 5%. A empresa de software deixa a carteira depois de apresentar forte desempenho desde sua inclusão na 10SIM, enquanto a rede hospitalar passa a ser uma das apostas do banco para setembro.
A Rede D’Or é classificada pelo BTG como uma ação de alta qualidade e fluxo de caixa de longo prazo. A companhia apresenta dívida líquida equivalente a 1,8 vez o Ebitda e negocia a cerca de 13 vezes o lucro projetado para 2027, contra média histórica de 18 vezes.
“Após a recente queda das ações locais, a ação passou por uma queda de múltiplos relevante, o que acreditamos oferecer um ponto de entrada atrativo”, afirma o relatório.
O banco também destaca a resiliência dos resultados recentes da Rede D’Or. O resultado do segundo trimestre trouxe uma surpresa positiva e, na avaliação do BTG, reforçou a percepção de qualidade do ativo em um momento de deterioração das expectativas macroeconômicas para diversas empresas domésticas.
Itaú e Cury têm pesos reduzidos
Entre as posições que permaneceram na carteira, Itaú e Cury tiveram seus pesos reduzidos. No caso do Itaú, a participação caiu de 15% para 10%, embora a recomendação permaneça de compra. O banco considera a instituição sua principal tese de qualidade entre os grandes bancos, sustentada pela qualidade dos ativos, pela gestão de risco e por um balanço considerado sólido.
A Cury passou de 10% para 5%, mas também continua com recomendação de compra. O BTG mantém uma visão positiva sobre a construtora devido ao desempenho do programa Minha Casa, Minha Vida e às mudanças recentes nas condições do programa, que ampliaram a acessibilidade e o mercado endereçável para imóveis de baixa renda.
A Petrobras continua como a maior posição individual da carteira, com 15%. O BTG destaca o desempenho operacional da companhia e sua capacidade de capturar preços mais altos de combustíveis por meio das margens de refino.
O banco estima yield de fluxo de caixa ao acionista de cerca de 11% e dividend yield de aproximadamente 9% para 2027, considerando Brent a US$ 70 por barril e crack spreads de cerca de US$ 30 por barril.
Embraer, Gerdau e Petrobras formam a parcela da carteira mais diretamente relacionada à proteção cambial. No caso da Embraer, o BTG espera continuidade do bom momento operacional no segundo semestre de 2026, apoiado pela melhora da cadeia de suprimentos e por maior eficiência.
A Gerdau, por sua vez, tem cerca de 75% do Ebitda exposto aos Estados Unidos, segundo o banco. Essa característica faz com que a companhia tenha uma geração de resultados majoritariamente dolarizada e, portanto, ofereça proteçãodiante de uma eventual desvalorização do real. A ação é negociada a 3,6 vezes o EV/Ebitda projetado para 2027.
Nas demais posições, o BTG mantém uma visão positiva sobre Motiva, Axia e Eneva.
A Motiva é considerada uma ação defensiva, com resultados resilientes e contratos protegidos contra a inflação. A Axia se beneficia, na visão do banco, de uma perspectiva favorável para os preços de energia e de uma alavancagem que deve permanecer abaixo de três vezes neste ano. Já a Eneva passou a ter maior previsibilidade de fluxo de caixa após os contratos de longo prazo obtidos no leilão de capacidade realizado em março.
O valuation é um dos argumentos usados pelo banco para manter uma visão construtiva sobre a bolsa. Excluindo Petrobras e Vale, o Ibovespa era negociado a 9,7 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses ao fim de agosto, um desvio-padrão abaixo da média histórica. Incluindo as duas empresas, o múltiplo era de 8,2 vezes.
Os juros reais de longo prazo também permanecem no centro da estratégia. Eles encerraram agosto em 7,7%, depois de uma queda de 17 pontos-base no mês, mas ainda em um nível considerado elevado pelo BTG.
É nesse ponto que o banco vê uma possibilidade de maiores ganhos do que perdas para a carteira. Caso haja uma melhora das contas públicas, a queda dos juros de longo prazo poderia beneficiar as empresas domésticas e de fluxo de caixa mais distante. Se o cenário fiscal piorar, por outro lado, a pressão sobre o real poderia favorecer as posições dolarizadas e a Petrobras.
“Se o ajuste fiscal se concretizar, os juros de longo prazo devem cair e as ações de fluxo de caixa de long duration devem performar bem. Por outro lado, se a situação fiscal continuar a se deteriorar, o real deve se enfraquecer de forma mais relevante”, afirma o BTG.
| Ativo | Peso no Portfólio |
|---|---|
| Petrobras (PETR4) | 15% |
| Itaú Unibanco (ITUB4) | 10% |
| Axia Energia (AXIA3) | 10% |
| Embraer (EMBJ3) | 10% |
| Eneva (ENEV3) | 10% |
| Gerdau (GGBR4) | 10% |
| Motiva (MOTV3) | 10% |
| Sabesp (SBSP3) | 10% |
| Rede D'Or (RDOR3) | 10% |
| Cury (CURY3) | 5% |
