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InvestMercadosCMDT
16/06/2026
5 min

BTG vê janela de entrada no ouro após queda de 25% — e recomenda três ações

BTG vê janela de entrada no ouro após queda de 25% — e recomenda três ações

O ouro viveu um dos períodos mais turbulentos de sua história recente. Depois de bater uma máxima histórica de US$ 5.595 por onça em janeiro deste ano, o metal despencou cerca de 25% até as mínimas, no início deste mês de junho. O BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) enxerga nessa correção uma oportunidade rara de entrada. Em relatório de junho, o banco tem recomendação de compra de uma cesta de mineradoras latino-americanas e mantém viés construtivo para o metal no longo prazo.

Por que o ouro caiu?

A queda não veio do nada. Segundo o BTG, a correção foi provocada principalmente por um reajuste nas expectativas de juros nos Estados Unidos, após dados econômicos virem mais fortes do que o esperado. O payroll de 5 de junho surpreendeu o mercado para cima e derrubou o ouro no maior tombo diário em mais de três meses. A inflação americana também contribuiu: o CPI chegou a 4,2% ao ano em maio — máxima desde abril de 2023 —, o PCE ficou em 3,8% ao ano e o PPI atingiu 6,5% ao ano, todos bem acima da meta do Fed de 2%.

A queda foi acelerada com vendas automáticas. O acordo entre Estados Unidos e Irã também reduziu o prêmio de risco geopolítico embutido no preço do metal.

A tese de recuperação do BTG

Para o BTG Pactual, os fundamentos estruturais do ouro seguem intactos. A posição técnica está mais saudável agora do que antes da correção. Investidores reduziram exposição, o que abre espaço para uma retomada. O banco acredita que, caso as expectativas de juros americanos se tornem mais dovish (tendência de corte), o metal pode voltar a ganhar impulso rapidamente.

Um dos pilares mais sólidos da tese do BTG é o papel dos bancos centrais como compradores. No primeiro trimestre de 2026, as compras líquidas do setor oficial somaram 244 toneladas, bem acima da média dos últimos 15 anos, de 157 toneladas por trimestre. A China completou o 18º mês consecutivo de compras, acelerando justamente durante a correção de março e abril. Polônia e Cazaquistão também seguiram comprando de forma consistente.

O World Gold Council projeta demanda oficial entre 700 e 900 toneladas em 2026, em linha com 2025. O banco destaca ainda que os mercados emergentes alocam apenas entre 5% e 10% de suas reservas em ouro, ante uma média global de 28%, o que sugere um longo caminho de acumulação estrutural pela frente.

ETFs recuam, mas tese segue viva

Em maio, o volume de ouro físico que lastreia todos os ETFs de ouro do mundo caiu 16 toneladas, com saídas de cerca de 9 toneladas nos Estados Unidos e na Ásia, enquanto a Europa ficou estável. Isso significa que os investidores resgataram cotas líquidas no mês e os fundos tiveram que vender ouro físico para honrar esses resgates.

O BTG interpreta o movimento como volatilidade pontual, não como ruptura de tendência. Para o banco, a queda dos juros reais americanos é o elo que falta para os fluxos de ETFs voltarem com força ao ouro.

As três ações para apostar na recuperação

O BTG Pactual indica uma cesta de três mineradoras latino-americanas para capturar a potencial retomada do ouro. As três sofreram correções expressivas a partir de seus picos recentes e hoje negociam com desconto relevante em relação a seus pares globais.

Aris Mining (ARIS) é a mais descontada do trio. A ação caiu cerca de 23% e negocia a apenas 0,4x preço sobre valor patrimonial líquido, desconto de 40% em relação à média dos pares latino-americanos, que é de 0,75x. O BTG aponta potencial de valorização de 113% com preço-alvo de US$ 37 por ação. A empresa tem projetos de crescimento como Toroparu e Soto Norte ainda não precificados pelo mercado.

Aura Minerals (AUGO) acumula queda de cerca de 39% desde a máxima recente, a maior do grupo. Negocia a 0,6x preço sobre valor patrimonial e 4,5x EV/EBITDA para 2026. O banco destaca a execução operacional da companhia e um pipeline robusto de crescimento, com projetos como Borborema, Serra Grande e Era Dourada.

Buenaventura (BVN) recuou cerca de 21% e oferece exposição dupla a ouro e prata num ambiente de preços historicamente elevados. A mina San Gabriel, em comissionamento, deve acrescentar cerca de 50 mil onças por ano em 2026 e superar 120 mil onças em 2027. A companhia ainda detém uma participação de 19,58% na Cerro Verde, produtora de cobre de baixo custo, o que adiciona uma fonte de receita estável e dividendos regulares ao portfólio.

Demanda de investimento lidera a mudança estrutural

Uma das transformações mais relevantes do mercado de ouro nos últimos anos é a mudança na composição da demanda. No primeiro trimestre de 2026, a demanda de investimento representou 45% do total — impulsionada por geopolítica, risco de desvalorização de moedas e diversificação de reservas em relação ao dólar americano. A joalheria, que historicamente dominava o mercado, encolheu para apenas 28% da demanda.

O BTG aponta ainda que o ouro segue subinvestido no contexto global. A participação do metal no total de ações e títulos mundiais ainda está abaixo do piso da faixa considerada ótima de alocação. Para o banco, esse desequilíbrio, somado ao avanço do ouro como instrumento de investimento e ao papel crescente dos bancos centrais emergentes, sustenta a tese de preços elevados por um longo período.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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