BTG vê riscos para Cogna (COGN3) e corta preço-alvo da ação — mas fundamentos seguem ‘aprovados’
O BTG Pactual considera que a Cogna (COGN3), depois de um primeiro semestre razoável, tem alguns desafios daqui para frente. Após incorporar os resultados dos últimos trimestres ao modelo, o BTG assumiu projeções mais conservadoras para a Kroton, que representa aproximadamente dois terços dos resultados operacionais da Cogna, enquanto o banco adotou uma visão mais […]
O BTG Pactual considera que a Cogna (COGN3), depois de um primeiro semestre razoável, tem alguns desafios daqui para frente.
Após incorporar os resultados dos últimos trimestres ao modelo, o BTG assumiu projeções mais conservadoras para a Kroton, que representa aproximadamente dois terços dos resultados operacionais da Cogna, enquanto o banco adotou uma visão mais otimista em relação à educação básica.
Como resultado, as novas projeções de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, em inglês) e lucro líquido para 2027 da Cogna estão 4% e 20% abaixo das estimativas anteriores, respectivamente.
Considerando o custo de capital mais elevado no Brasil, o BTG cortou o preço-alvo para o final de 2027 para R$ 4 — ante R$ 5 para o final de 2026. A nova precificação implica um potencial de valorização de quase 87% em relação ao fechamento anterior.
Por volta das 11h06 (horário de Brasília), COGN3 subia 0,47% (R$ 2,15).
Oportunidades e riscos
Do lado positivo, segundo o BTG, a Cogna recebeu recentemente aprovação para pouco mais de 100 polos de EAD matricularem alunos em cursos de enfermagem.
Embora a enfermagem não possa mais ser oferecida na modalidade de ensino a distância, polos qualificados e com infraestrutura adequada podem matricular alunos que, formalmente, frequentarão o curso na modalidade presencial, diz o banco.
“Isso deverá oferecer algum suporte à captação e compensar parcialmente a fraqueza descrita acima na próxima rodada de matrículas”, afirma.
Por outro lado, a inadimplência continua sendo um risco. As despesas com provisão para devedores duvidosos (PDA) estão atualmente em torno de 13% a 14% das receitas da Kroton, nível que a administração considera saudável.
Entretanto, o BTG observa que uma piora nos indicadores de inadimplência em outros segmentos de consumo poderia eventualmente se espalhar para o ensino superior.
“Historicamente, a inadimplência da Kroton tem apresentado maior correlação com o desemprego, que permanece em níveis favoráveis por enquanto, mas poderia se tornar um obstáculo caso as condições do mercado de trabalho se deteriorem”, diz o banco.
Redução da alavancagem
Dada a sólida geração de FCF (fluxo de caixa livre) da companhia, a administração continua considerando a redução da dívida como a alternativa mais atrativa de alocação de capital.
De acordo com o banco, a Cogna ainda possui um volume significativo de financiamento de fornecedores, o chamado “risco sacado”, que pretende reduzir gradualmente.
“Ao mesmo tempo, a administração vê espaço para aumentar a distribuição aos acionistas em relação ao payout mínimo atual de 25%, embora uma eventual mudança na política de dividendos provavelmente só seja discutida com o conselho após as eleições”, diz o BTG.
Para 2026, a companhia estima cerca de R$ 600 milhões em capex orgânico, principalmente relacionados a investimentos em tecnologia e melhorias em inteligência artificial, além de investimentos para fortalecer a infraestrutura de laboratórios dos cursos de medicina.
Além disso, grandes operações de fusões e aquisições (M&A) não estão no radar da Cogna neste momento.
“Portanto, a estratégia de alocação de capital permanece simples: continuar reduzindo a dívida líquida e, potencialmente, aumentar os dividendos ao longo do tempo”, avalia o banco.
Ainda vale comprar?
O BTG enxerga deterioração do ambiente macroeconômico e da percepção de risco, com uma eventual desaceleração econômica podendo criar obstáculos adicionais, especialmente porque o setor de educação é considerado de alto beta, ou seja, tende a ser mais sensível às condições econômicas.
“Ainda assim, os fundamentos do setor permanecem saudáveis até o momento, e acreditamos que a Cogna continua bem posicionada para atravessar esse ambiente, apoiada por sua geração contínua de caixa e pela melhoria de seu balanço patrimonial”, afirma o banco.
Além disso, a Cogna segue oferecendo uma combinação atrativa de geração razoável de fluxo de caixa livre e valuation barato.
Com isso, o BTG mantém a recomendação de compra para Cogna, visto que as ações estão sendo negociadas a um múltiplo atrativo de 4,5 vezes o lucro projetado para 2027 e apresentando um rendimento de fluxo de caixa livre de 25%.
