Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
InvestMercadosBDR
16/08/2026
4 min

Burger King virou o jogo contra o McDonald’s com a ajuda do Whopper

Burger King cresce 8,5% nos EUA enquanto McDonald’s avança apenas 0,8% no segundo trimestre

Burger King virou o jogo contra o McDonald’s com a ajuda do Whopper

A disputa pelo consumidor de fast food nos Estados Unidos ganhou um novo capítulo no segundo trimestre. Enquanto o McDonald's desacelerou em seu principal mercado, o Burger King acelerou as vendas domésticas, em meio à pressão da inflação, dos combustíveis e da busca por opções mais baratas.

As vendas em mesmas lojas do McDonald's nos EUA cresceram 0,8% no período, abaixo do avanço global de 1,3% da companhia. O resultado foi sustentado, principalmente, pelo aumento do ticket médio, enquanto o fluxo de clientes nos restaurantes caiu.

No Burger King, o movimento foi o oposto. As vendas no mercado americano avançaram 8,5%, impulsionadas por promoções, melhorias nas lojas e pela reformulação do hambúrguer Whopper. O desempenho foi puxado pelo carro-chefe da rede. Desde o lançamento da versão aprimorada do Whopper, em fevereiro, as vendas do sanduíche cresceram 20%. A rede também ampliou ofertas em um momento em que consumidores de menor renda estão mais sensíveis aos preços.

"Estamos vendendo muito mais Whoppers pelo preço cheio, e eles representam um excelente custo-benefício quando comprados individualmente", afirmou o CFO da Restaurant Brands International, Sami Siddiqui, ao Business Insider. "Oferecer um excelente custo-benefício em todo o cardápio, com o mix certo, é realmente a fórmula", acrescentou.

A perda de ritmo levou o McDonald's a promover uma mudança na liderança de sua operação americana. Skye Anderson assumirá a presidência da divisão nos EUA, substituindo Joe Erlinger, que ocupava o cargo havia mais de seis anos.

Anderson era diretora de operações nos EUA e está há 26 anos na companhia. Durante o período em que comandou a região oeste do país, contribuiu para um aumento médio de US$ 100 mil no fluxo de caixa por restaurante e para um avanço superior a 30% nas vendas em mesmas lojas.

A mudança ocorre após a companhia reconhecer problemas na execução de iniciativas recentes. O CEO do McDonald's, Chris Kempczinski, admitiu que a rede não conseguiu executar adequadamente o lançamento de seu cardápio promocional com itens de até US$ 3.

Ao anunciar Anderson, o executivo disse ter "plena confiança de que ela é a líder ideal para esta próxima fase de nossas operações nos EUA" e a classificou como uma "agente de mudança comprovada, capaz de agir com urgência para mobilizar o nosso sistema."

Apesar da fraqueza no fluxo de clientes nos EUA, o McDonald's apresentou lucro acima das projeções no segundo trimestre. A companhia registrou lucro líquido de US$ 2,36 bilhões ou US$ 3,32 por ação, ante US$ 2,25 bilhões em igual período do ano passado.

Excluindo itens não recorrentes e despesas de reestruturação, o lucro por ação ajustado foi de US$ 3,38, acima dos US$ 3,32 esperados pelos analistas consultados pela LSEG. Já a receita líquida somou US$ 7,10 bilhões, alta de 4% na base anual, mas ligeiramente abaixo da estimativa de US$ 7,13 bilhões.

Fora dos EUA, o desempenho foi mais resistente. As vendas em mesmas lojas cresceram 1,5% nas operações diretas e 1,9% nos mercados licenciados, que lideraram o crescimento global da rede.

McDonald's enfrenta concorrência

A pressão sobre o McDonald's não vem apenas do Burger King. A disputa pelo consumidor americano avançou para outras categorias, incluindo restaurantes de serviço casual e lojas de conveniência. O Burger King, por sua vez, prevê investimentos de US$ 700 milhões até o fim de 2028 em tecnologia, reformas e marketing.

Já a Wendy's registrou queda de 7% nas vendas comparadas nos EUA no trimestre e reduziu dividendos para financiar sua reestruturação. Ao mesmo tempo, redes de restaurantes como o Chili's passaram a disputar diretamente consumidores de fast food.

Redes de lojas de conveniência, como Sheetz, Wawa e Buc-ee's, também vêm ganhando espaço no segmento. "O estigma com algumas dessas operadoras de lojas de conveniência ficou para trás", afirmou o chefe de pesquisa analítica da Placer.ai, R.J. Hottovy.

Para recuperar espaço nos EUA, o McDonald's prepara um plano baseado no redesenho arquitetônico das lojas, na aceleração do atendimento e no uso mais intensivo de dados. "Vemos uma oportunidade de elevar o padrão nos EUA e acelerar o desempenho em nosso maior mercado", afirmou Kempczinski.

Entre os analistas de Wall Street, o preço-alvo médio para a ação MCD é de US$ 316,06, o que representa potencial de valorização de 15,55% em relação aos níveis atuais de negociação. A companhia mantém ainda o histórico de 50 anos consecutivos de aumento de dividendos.

*Com informações do Business Insider, Investing.com e CNBC

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
Distribuído por