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TecnologiaExameLabBDR
24/06/2026
6 min

Busca com IA: 5 dicas para pesquisar melhor na nova era do Google

Busca com IA: 5 dicas para pesquisar melhor na nova era do Google

O Google já não é mais a lista de links que acompanhou a relação da maior parte das pessoas com a internet. Com a integração da inteligência artificial (IA), o buscador agora lê perguntas, consulta várias páginas e monta uma resposta personalizada antes que o usuário clique em qualquer resultado. O recurso Modo IA— disponível no Brasil desde setembro de 2025 — ultrapassou 1 bilhão de usuários mensais no mundo em maio de 2026, segundo a empresa, com volume de consultas dobrando a cada trimestre.

A mudança alterou o comportamento de quem pesquisa, e agora as pessoas sentem que sanaram suas dúvidas sem clicar em nenhum link. É o que indica um levantamento da SparkToro com dados da Similarweb, publicado em junho de 2026: que 68% das buscas feitas nos Estados Unidos entre janeiro e abril de 2026 terminaram sem nenhum acesso em site externo. No AI Mode, a taxa de buscas sem clique é ainda maior, cerca de 93%, segundo a SemRush.

Mas se a busca com IA é diferente da convencional, como garantir que ela terá a mesma qualidade que uma curadoria feita pelo usuário? Veja cinco dicas para tirar mais proveito dessa mudança e a evitar os erros que a IA ainda comete.

O que mudou na busca do Google com IA?

Duas camadas de IA operam dentro do Google em 2026. A primeira são as AI Overviews, os resumos que aparecem no topo dos resultados, acima dos links. Elas sintetizam informações de várias páginas em um bloco de texto com fontes citadas, e já são exibidas em parte relevante das buscas.

A segunda camada é o Modo IA, a busca conversacional do Google. Ao ativar esse recurso — pelo botão na barra de pesquisa ou pelo menu abaixo dela —, o usuário entra em uma interface que funciona como um chatbot que interpreta a pergunta, divide o pedido em subtemas, consulta diversas fontes e organiza uma resposta integrada.

No Brasil, o Modo IA roda com o modelo Gemini 3.5 Flash desde maio de 2026, em português. A busca multimodal também está ativa: o Circule para Pesquisar (Circle to Search), disponível em celulares Android compatíveis, permite selecionar qualquer elemento na tela — de uma imagem a um trecho de texto — e obter resultados sem sair do app em uso. O Google Lens cumpre função parecida a partir da câmera ou de fotos salvas na galeria.

Como pesquisar melhor na busca com IA do Google?

1. Escreva perguntas completas em vez de palavras soltas

A busca com IA funciona melhor quando recebe uma frase inteira, não termos jogados na barra. Isso acontece porque o modelo lê a estrutura da pergunta para entender o que o usuário quer, então, quanto mais clara for a intenção, mais precisa é a resposta. Segundo dados do Google, as consultas feitas no Modo IA são, em média, três vezes mais longas do que as buscas tradicionais.

Em vez de digitar "notebook leve edição de fotos", experimente "qual notebook leve para edição de fotos tem boa bateria e custa até R$ 5.000?". A primeira busca devolve uma lista genérica; a segunda tende a gerar uma comparação filtrada por preço e uso.

2. Inclua contexto na pergunta

A IA preenche os espaços vazios da pergunta com suposições. Se a busca não diz o país ou o orçamento, a resposta vem ampla demais para ser útil. Adicionar esses filtros logo no início da consulta reduz o ruído e aumenta a chance de o resumo acertar o alvo.

Quem pesquisa sobre saúde, por exemplo, obtém respostas mais relevantes ao incluir idade e condição. Quem compara produtos pode indicar uso pretendido e faixa de preço. "LGPD IA" devolve um panorama vago; "como a LGPD trata IA generativa em empresas brasileiras em 2026?" devolve um recorte mais completo.

3. Faça perguntas de acompanhamento

No AI Mode, a busca funciona como um chat. Depois da primeira resposta, o campo de texto abaixo do resultado aceita perguntas que continuam a conversa — sem precisar repetir o que já foi dito.

Se a IA listou quatro opções de fone de ouvido, o próximo passo pode ser "compare o primeiro e o terceiro" ou "qual desses tem melhor cancelamento de ruído para escritório?", para evitar abrir várias abas e concentrar a pesquisa em uma conversa só.

4. Use imagem e voz para pesquisar

A busca com IA não depende de texto. No celular, o Circule para Pesquisar permite selecionar qualquer elemento na tela — uma peça de roupa em um vídeo, o nome de um restaurante em uma foto — e abrir os resultados sem sair do app. O Google Lens faz o mesmo a partir da câmera, basta apontar para um objeto ou uma placa em outro idioma. A busca por voz também aceita perguntas completas e funciona em português.

5. Peça fontes na própria busca

A IA gera respostas mais verificáveis quando a pergunta pede comprovação. Incluir termos como "com dados", "segundo pesquisas" ou "cite fontes" na consulta faz o modelo a priorizar páginas com referências rastreáveis.

Para temas como saúde ou finanças, essa prática faz diferença. Em vez de perguntar "exercício aeróbico emagrece?", buscar "quais estudos mostram a relação entre exercício aeróbico e perda de peso?" tende a devolver uma resposta com mais fontes.

Como verificar se a resposta gerada pela IA está correta?

As respostas do Google com IA vêm acompanhadas de fontes. O primeiro passo da verificação é abrir esses links e conferir se os sites de origem são referências reconhecidas no assunto. É uma atitude indispensável, especialmente para temas mais delicados, como saúde, visto que a IA pode cruzar informações de fontes desatualizadas ou simplificar nuances que mudam o sentido da orientação.

Outro recurso útil é comparar a resposta do Modo IA com os resultados tradicionais. O botão "Web" no menu de navegação do Google exibe a lista convencional de links, o que permite checar se as fontes do resumo coincidem com as páginas mais relevantes para aquela consulta.

Quais são os limites e riscos da busca com IA?

A IA do Google sintetiza conteúdo de diversas páginas, mas não garante precisão. Erros factuais aparecem com frequência em dados numéricos e em assuntos onde as fontes disponíveis se contradizem. O modelo pode apresentar uma informação incorreta com a mesma confiança com que apresenta um dado verificado, por exemplo.

Há também um viés de seleção, em que a IA tende a priorizar páginas com boa estrutura de dados e autoridade de domínio, o que nem sempre coincide com a fonte mais precisa ou mais atualizada sobre um tema específico.

A perda de transparência é outro ponto. Na busca tradicional, o usuário vê dez links e decide em qual confiar. Na busca com IA, o modelo decide quais trechos de quais páginas compõem a resposta — e essa curadoria não é visível. O resumo pode ignorar ressalvas ou condensar uma discussão complexa em uma frase afirmativa.

AutorMarina Semensato
FonteExame
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