C&A lidera alta do Ibovespa: por que as ações disparam hoje?
Papéis da varejista sobem mais de 4% em dia de Bolsa em queda

As ações da C&A lideram as altas do Ibovespa nesta quinta-feira, 27, impulsionadas pela recepção positiva do mercado ao anúncio do seu novo ciclo estratégico de crescimento até 2030, batizado de "Full Power", e ao otimismo de analistas após o "Investor Day" da companhia na quarta-feira, 26.
Os papéis (CEAB3) iniciaram o dia em alta e, perto das 11h, mantinham os ganhos com avanço de 4,46%, cotados a R$ 8,20, após oscilarem entre a mínima de R$ 7,81 e a máxima de R$ 8,26. É a maior alta do dia enquanto o Ibovespa rompe as seis sessões seguidas positivas, com queda de 0,41%, aos 173.878 pontos.
A varejista saiu de um período de reconstrução financeira para entrar em uma nova fase de expansão, segundo o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME). O novo ciclo estratégico sucede o programa Energia, conduzido entre 2024 e 2026.
A receita líquida de vestuário da companhia cresceu 30,5%, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, em inglês) ajustado saltou 76% e a alavancagem caiu de 1,5 vez para 0,2 vez a relação entre dívida líquida e Ebitda, entre 2023 e o período encerrado no segundo trimestre de 2026.
C&A traça metas de crescimento até 2030
Com a base financeira reconstruída, a C&A agora mira ampliação, com planos de abrir novas lojas, ampliar a presença digital e lançar uma marca própria de roupas esportivas: a ACE. "O novo ciclo desloca o foco cada vez mais para o crescimento, mantendo, ao mesmo tempo, a disciplina de capital", de acordo com o BTG.
"A estratégia combina ganhos adicionais de produtividade no negócio principal com uma maior presença de lojas, maior penetração omnichannel [que integra todos os canais da empresa], maior engajamento dos clientes e novas frentes de crescimento. Tudo isso apoiado por investimentos adicionais em logística e tecnologia", acrescentou.
Até 2030, a C&A pretende reformar entre 100 e 120 lojas dentro do conceito Energia, levar o programa Dispersão a outras 60 a 80 unidades e abrir de 60 a 80 novas lojas. A meta também prevê elevar a penetração digital de 7% para 15% das vendas de vestuário e triplicar o número de clientes omnichannel.
'Omnichannel' ganha espaço na estratégia da C&A
O omnichannel é uma das principais alavancas da estratégia. Clientes que compram tanto nas lojas físicas quanto no canal digital gastam o dobro e compram com o dobro da frequência.
As lojas reformadas pelo programa Energia apresentam vendas por metro quadrado cerca de 15% superiores às do grupo de controle e NPS, métrica usada para medir a satisfação e a lealdade dos cliente, cerca de 15 pontos mais alta, o que sustenta a aceleração das reformas.
ACE é aposta da C&A no mercado esportivo
A ACE é a nova marca da C&A dedicada ao segmento de roupas esportivas. A companhia prevê abrir inicialmente até dez lojas próprias, concentradas em shoppings de primeira linha e voltadas ao público com faixa de renda A e B.
Depois, poderá ampliar a rede e testar franquias, chegando a até 25 unidades antes de uma expansão mais ampla. No Brasil, o mercado de artigos esportivos somou cerca de R$ 37 bilhões em 2025 e deve alcançar R$ 48,6 bilhões até 2030. Para o BTG, "a oportunidade é significativa".
"A ACE terá um posicionamento premium (em relação ao negócio principal da C&A), com identidade de marca própria e canais físicos e digitais, ao mesmo tempo em que aproveitará a infraestrutura existente da C&A de suprimentos, logística, tecnologia e back-office (sem contato direto com clientes)", detalhou.
C&A investirá até R$ 300 mi em logística e quer ampliar C&A Pay
Até 2030, a C&A prevê investir entre R$ 200 milhões e R$ 300 milhões em logística, com a transição para uma rede mais regional e flexível. O plano inclui um novo centro de distribuição em Pernambuco e maior participação do modelo "Push & Pull", de 54% dos produtos em 2025 para cerca de 70% ao longo do ciclo.
O C&A Pay, lançado em 2021, também será um motor de crescimento. A penetração chegou a 28% das vendas no primeiro semestre de 2026 e a operação atingiu o ponto de equilíbrio financeiro, com inadimplência sob controle, na avaliação do BTG Pactual.
Clientes que usam o C&A Pay compram com o dobro da frequência, têm ticket médio 25% maior e gastam 150% a mais na rede. A companhia planeja ampliar a adesão e lançar novos produtos, como cartão de marca própria e empréstimos pessoais, mantendo cautela na concessão de crédito.
Por que o BTG mantém recomendação de compra para C&A
Para o BTG Pactual, a melhora da operação principal, a geração de caixa e a disciplina nas operações de crédito sustentam uma visão construtiva sobre a C&A, com preço-alvo de R$ 19.
Com as ações negociadas a cinco vezes o lucro projetado para 2026, considerado atrativo pelos analistas e com espaço para ganhos adicionais de eficiência operacional, o banco reiterou a recomendação de "compra" para os papéis (CEAB3).
A C&A também pretende distribuir integralmente os lucros que superarem o necessário para os investimentos, "o que provavelmente implica pagamentos progressivamente maiores no futuro", mantendo a alavancagem abaixo de 0,5 vez.
