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Sacre Investimentos
InvestMercados
06/11/2026
4 min

C&A testa escala 5x2 em 60 lojas e vê funcionários faltarem menos, diz CEO

Com o avanço do movimento nos shoppings aos domingos, varejista vê no dia o principal desafio para manter o atendimento e evitar perdas de vendas

C&A testa escala 5x2 em 60 lojas e vê funcionários faltarem menos, diz CEO
RESUMO +

A varejista C&A já testa a jornada de trabalho 5x2 em 60 lojas, a pouco mais de um mês do fim previsto da escala 6x1 no Brasil, em 16 de dezembro. Segundo o CEO Paulo Correa, o projeto reduziu o absenteísmo, mas criou desafios para manter o atendimento aos domingos, quando cresce o fluxo nos shopping centers.

A C&A já começou a testar os efeitos de uma jornada de trabalho 5x2 em 60 lojas da rede, a pouco mais de um mês da entrada em vigor da emenda constitucional que prevê o fim da escala 6x1 no Brasil, em 16 de dezembro. A experiência trouxe resultados iniciais positivos na redução do absenteísmo, índice de falta dos funcionários, mas também revelou um desafio para a operação de manter o atendimento nos domingos, justamente um dos dias em que o fluxo de consumidores nos shopping centers tem crescido.

"Estamos testando em 60 lojas e já vimos o absenteísmo cair", afirmou Paulo Correa, CEO da C&A, em entrevista à EXAME após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre. O executivo, porém, não abriu os números do projeto nem detalhou o impacto financeiro da mudança.

Segundo Correa, a companhia tem trabalhado em duas frentes para compensar o possível aumento de custos provocado pelaredução da jornada de 44 para 40 horas por semana, sem redução salarial: diminuir o absenteísmo e elevar a produtividade das equipes.

Para isso, a varejista também implementou uma ferramenta de planejamento de horas e tarefas, que permite simular a distribuição do tempo dos funcionários ao longo do dia e organizar melhor a alocação das equipes.

A preocupação é que o fim da escala 6x1, sem mudanças na produtividade, represente um aumento proporcional no custo de pessoal. O executivo citou como exemplo uma eventual redução de 10% no número de horas trabalhadas, mantidas as demais condições, o custo poderia subir na mesma proporção. A companhia ainda precisa encontrar formas de compensar esse efeito.

"Se eu mantiver apenas as atividades que realizo hoje, esse será o potencial de aumento de custos com a mudança da jornada de 48 para 40 horas. A redução desse impacto dependerá da capacidade de elevar a produtividade e reduzir o absenteísmo", afirmou.

É nos domingos, contudo, que a equação se torna mais complexa. Correa afirma que o dia tem ganhado importância para o varejo, impulsionado pelo aumento do fluxo nos shopping centers.

"Talvez seja aquele momento da família, de lazer. Vai no shopping, levar as crianças. Tem mais restaurantes no shopping center, então passa a ser uma alternativa de entretenimento para as pessoas", disse.

A questão, contudo, é que, coma escala 5x2, a organização das folgas pode reduzir a disponibilidade de funcionários justamente nesse período. A proposta de mudança na jornada prevê dois dias de descanso semanal, comuma das folgas preferencialmente aos domingos.

Domingo é o mais impactado pelo fim da 6x1

Para uma varejista que depende do atendimento presencial, isso exige reorganizar as equipes sem comprometer a experiência de compra.

"Por conta da escala 5x2, o domingo é onde é mais impactado. Vem cada vez mais fluxo e você tem um número de pessoas menor, então tem que melhorar a produtividade. Não tem jeito. Senão, você tem um impacto muito grande, não só de custos, mas de perda de venda", afirmou o CEO.

A questão ganha ainda mais relevância na reta final do ano, quando o movimento nas lojas costuma se intensificar. Dezembro, em particular, concentra um período importante para o varejo de vestuário, com o Natal, o que aumenta a necessidade de manter equipes suficientes para atender os consumidores.

Uma dasapostas da C&A para reduzir a dependência de funcionários em determinadas etapas da operação é ampliar a adoção de caixas de autoatendimento, os chamados self-checkouts. O sistema permite que o próprio cliente registre e pague suas compras, reduzindo a necessidade de atendimento individual no caixa.

"Isso acaba também aumentando a produtividade, porque o próprio consumidor vai lá e se resolve. Não precisa depender de alguém atendendo para passar a compra dele no caixa", disse Correa.

O executivo afirma que os testes têm ajudado a companhia a identificar oportunidades para reorganizar as operações e minimizar os efeitos da mudança tanto para os clientes quanto para os acionistas. "Estamos tentando reorganizar as operações para garantir o mínimo impacto possível para o consumidor e, obviamente, o mínimo impacto possível para o acionista da companhia", concluiu.

AutorClara Assunção
FonteExame
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