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EXAME AgroCMDT
28/08/2026
3 min

'Caça aos frigoríficos': Trump compra briga com gigantes da carne nos EUA

Presidente quer ampliar espaço para pequenos produtores em meio à alta dos preços e à concentração do setor

'Caça aos frigoríficos': Trump compra briga com gigantes da carne nos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira, 28 que prepara medidas para permitir que agricultores e pecuaristas processem a própria produção, em uma tentativa de reduzir a concentração no setor de carne bovina do país.

A iniciativa ocorre após Trump afirmar que existe um “monopólio” no processamento de carne nos EUA. O setor é dominado por quatro grandes empresas — JBS, Tyson Foods, Cargill e National Beef — que, juntas, controlam cerca de 85% do mercado.

Duas delas têm ligação com o Brasil: a JBS, de origem brasileira, e a National Beef, controlada pela MBRF. As empresas não haviam se manifestado até a publicação da matéria.

Trump afirmou que autorizou a elaboração de documentos legais para garantir aos produtores “o direito de processar seus próprios alimentos”, mas não detalhou quais regras pretende alterar.

A secretária da Agricultura, Brooke Rollins, disse que o governo deve anunciar medidas na segunda-feira, 31, para fortalecer pequenos processadores de carne, incluindo redução de burocracia, ampliação das vendas entre estados e novos financiamentos.

A ofensiva ocorre em um momento de forte pressão sobre a cadeia de carne bovina americana, que enfrenta uma combinação de menor oferta de animais, custos elevados e margens apertadas.

A legislação americana exige inspeção federal para a comercialização de carne processada. Atualmente, pecuaristas que abatem e processam os próprios animais enfrentam restrições, com algumas exceções.

Produtores defendem a flexibilização das regras como forma de ampliar a concorrência e reduzir a dependência dos grandes frigoríficos. Já o Meat Institute, entidade que representa empresas processadoras, afirma que mudanças nas exigências de inspeção podem comprometer a segurança alimentar.

Crise da carne

Os frigoríficos americanos atravessam um dos períodos mais difíceis do ciclo pecuário nos Estados Unidos. Desde 2019, o número de cabeças de gado de corte caiu 13%, para 27,9 milhões de animais. O rebanho bovino total do país atingiu o menor nível desde 1952, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

A seca prolongada no oeste americano agravou o cenário ao elevar os custos com ração e reduzir as áreas de pastagem. Como consequência, muitos produtores venderam parte dos rebanhos para preservar o caixa.

Em 2025, a produção americana de carne bovina recuou 4% em relação ao ano anterior, para 11,8 milhões de toneladas. Com a queda, os Estados Unidos perderam para o Brasil a liderança global na produção da proteína.

As restrições sanitárias às importações de gado do México, um dos principais fornecedores americanos, também aumentaram a pressão sobre a oferta. A medida foi adotada após o avanço da bicheira-do-Novo-Mundo, uma praga que ameaça a pecuária da região.

O resultado foi a alta nos preços da carne bovina. Desde 2020, a valorização chega a 75%, segundo dados do Federal Reserve de St. Louis. O USDA aponta que os preços da proteína estão 16% acima dos níveis registrados há um ano, tornando a carne bovina um dos principais símbolos da inflação persistente nos Estados Unidos.

AutorCésar H. S. Rezende
FonteExame
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