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Sacre Investimentos
ESGESGCMDT
30/05/2026
3 min

Café com menor pegada de carbono chega a primeira colheita no Brasil

Café com menor pegada de carbono chega a primeira colheita no Brasil

O café conilon, uma das variedades mais produzidas no Brasil e matéria-prima importante para a indústria global de café, agora é produzido em uma versão com menor pegada de carbono em fazendas do sul da Bahia e do Espírito Santo.

A primeira safra faz parte de uma parceria entre a Yara Brasil, empresa de nutrição de plantas e fertilizantes, a JDE Peet’s, especializada em café, e a Ofi, fornecedora de ingredientes para alimentos e bebidas. Iniciado em junho de 2025, o projeto envolve mais de 20 propriedades e tem duração inicial de duas safras.

A iniciativa busca reduzir emissões na produção do grão, aumentar a produtividade e capacitar produtores em práticas agronômicas mais sustentáveis. Para isso, combina fertilizantes de menor emissão, assistência técnica, treinamentos e acompanhamento ao longo do ciclo produtivo.

Na parceria, a Yara fornece assistência agronômica, capacitação em manejo nutricional das plantas e acesso aos fertilizantes de menor emissão do portfólio da Yara. Segundo a companhia, esses produtos utilizam tecnologias capazes de reduzir emissões de gases de efeito estufa ou substituir fontes de matéria-prima por alternativas renováveis.

Redução de carbono no café

Com esse pacote, a Yara estima que seja possível reduzir em cerca de 40% a pegada de carbono do café, na comparação com sistemas que utilizam fertilizantes convencionais.

A expectativa é que a parceria gere ganhos de até 7,6 sacas por hectare, o que pode ampliar a rentabilidade dos cafeicultores. A projeção pode variar conforme condições de solo e clima, material genético, nível tecnológico e adesão às recomendações técnicas.

Entre os produtores participantes está Rafael Sol, engenheiro agrônomo que atua com café, pimenta e cacau em Eunápolis, no interior da Bahia. Segundo ele, os primeiros sinais nas lavourassão positivos.

“A gente percebe claramente um melhor pegamento de frutos, plantas mais túrgidas e um desenvolvimento mais uniforme da lavoura. São sinais importantes que mostram que estamos no caminho certo”, afirma.

Cadeia do café

A JDE Peet’s participa do projeto financiando parte dos insumos e com foco no fortalecimento da cadeia cafeeira. Para a companhia, apoiar produtores é uma forma de aumentar a resiliência do setor e garantir que a cafeicultura continue sendo uma atividade economicamente viável.

“Apoiar os cafeicultores é essencial para o futuro do café. Quando os produtores são mais resilientes, toda a cadeia de valor se torna mais segura. Garantir o futuro da cafeicultura é fundamental para o negócio, e isso só é possível se os produtores continuarem a considerar o cultivo de café como uma fonte viável de sustento”, afirma Bruno Ribeiro, gerente de Fornecimento Responsável na JDE Peet’s.

A Ofi atua com treinamentos em melhores práticas agronômicas, qualidade das culturas e uso seguro de herbicidas, além de monitorar a segurança ao longo do ciclo produtivo. A empresa tem presença em segmentos como café, cacau, laticínios, castanhas e especiarias.

Secas e impacto na agricultura

Para Manoela Duenas, gerente de Sustentabilidade da Ofi Brasil, as secas registradas no Brasil no último ano e a alta nos preços do café mostram como as cadeias globais de suprimento estão expostas às mudanças climáticas.

“Nossa presença em todas as principais origens de café e o relacionamento próximo com produtores, aliados à nossa expertise em ingredientes, nos permitem gerar um impacto mensurável na descarbonização, contribuindo para proteger os meios de subsistência dos agricultores e preservar a rica diversidade do café para o futuro”, afirma.

Com a primeira colheita, o projeto passa da fase de implantação para a avaliação dos resultados em campo. A parceria será acompanhada pelo potencial de reduzir emissões na produção de café conilon e, ao mesmo tempo, ampliar produtividade e rentabilidade para os produtores envolvidos.

AutorLetícia Ozório
FonteExame
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