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Sacre Investimentos
EconomiaCMDT
25/06/2026
3 min

Café do DF? Projeto em região de Brasília investe em qualidade para competir com protagonismo do Sudeste

Café do DF? Projeto em região de Brasília investe em qualidade para competir com protagonismo do Sudeste

Depois da uva e do trigo, o Distrito Federal investe no café para crescer na produção do grão de qualidade. A Fundação de Apoio à Pesquisa do DF (FAPDF) injetou R$ 1 milhão no edital Agro Learning para validar a viabilidade comercial de longo prazo da cultura na região do Cerrado e competir com Sudeste, protagonista global no setor .

Estimativas da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF) indicam que a região possui área de cultivo de café ainda pequena, de menos de 600 hectares, presentes em áreas restritas ao Programa de Assentamento Dirigido do Distrito Federal (PAD-DF), em Planaltina, Brazlândia e Lago Oeste.

Mas a produtividade do café, graças à irrigação, varia de 45 sacas a 60 sacas por hectare, das variedades arábicas como Catuaí e Bourbon. A média nacional brasileira é em torno de 30 sacas por hectare. A qualidade, próximo passo do projeto e dependia do aporte que chega pelo projeto coordenado pela professora Lívia de Lacerda de Oliveira, engenheira de alimentos e docente da Universidade de Brasília (UnB).

O consórcio científico é executado em parceria com a Emater-DF e o Instituto Nacioanl de Meteorologia (Inmet), com conclusão prevista para o final de 2026. A pesquisadora questiona o motivo de a região ainda não conhecer de forma sistemática a identidade desses cafés, considerando que o território já apresenta excelente produtividade.

A pesquisa adota o protocolo internacional da Specialty Coffee Association (SCA), sistema global que baliza os preços dos cafés que pontuam acima de 80 pontos e são comprados por valores maiores do que o da commodity negociada nas bolsas.

O objetivo é correlacionar a composição dos grãos produzidos em uma altitude superior a 1.000 metros da região do Distrito Federal, fatores que amplia a precificação do produto final.

Lívia de Lacerda explica que o coração do projeto está justamente no cruzamento dos dados de clima, solo, manejo, composição química e avaliação sensorial. O ambiente geográfico do Planalto Central, com inverno seco e alta amplitude térmica, atua como um acelerador de qualidade.

O estresse hídrico controlado faz com que a planta concentre mais sólidos solúveis, gerando uma bebida naturalmente mais doce e complexa.

Indicação Geográfica

O desdobramento comercial do estudo visa pavimentar o caminho para a criação de Indicação Geográfica (IG) própria e selos de denominação de origem. No mercado internacional, grãos com certificação de origem chegam a registrar ágio superior a 50% em leilões eletrônicos.

Paralelamente, o projeto analisa a elasticidade da demanda e a jornada de decisão do consumidor de alta renda quando exposto a marcas entrantes. A consolidação do Distrito Federal como um polo fornecedor de grande relevância macroeconômica ainda depende da expansão de sua escala e da constância de volume para exportação.

*Sob supervisão de Gustavo Porto

AutorJuliana Rodrigues
FonteMoney Times
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