Café em alerta: terremoto afeta rota de 60% das exportações da Colômbia
Desastre natural pausou operações em importantes portos colombianos, impedindo a exportação da commodity

O terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia na última segunda-feira, 10, afetou uma das principais rotas de escoamento do café do país e interrompeu temporariamente as operações no porto de Buenaventura, no Pacífico.
O tremorocorreu próximo ao coração da região cafeeira colombiana e, até terça-feira, havia deixado pelo menos 181 mortos e milhares de feridos, apura o Financial Times, enquanto os danos à infraestrutura ainda estão sendo avaliados.
A estrada que liga as áreas produtoras ao porto de Buenaventura também foi afetada pelo terremoto: a via é responsável pelo transporte de cerca de 60% das exportações colombianas de café.
Segundo a Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia, os terminais de Buenaventura interromperam temporariamente as operações para inspeções de segurança. Deslizamentos também bloquearam as estradas de acesso.
Linha de vida
Apesar dos problemas logísticos, as exportações não foram completamente interrompidas. Parte do fluxo de café passou a ser direcionada pelos portos da costa do Caribe.
A Colômbia é o terceiro maior produtor mundial de café e desempenha um papel relevante no mercado internacional. O país responde por cerca de um quinto das importações de café dos Estados Unidos.
O país também é o principal produtor mundial de arábica lavado suave, variedade valorizada pelo seu perfil de sabor e acidez. Os grãos colombianos são utilizados por grandes torrefadoras, inclusive pela Starbucks.
A possibilidade de interrupções no fornecimento ocorre em um momento de estoques apertados. Os contratos futuros do arábica acumulam alta de cerca de 30% desde o início de junho, impulsionados principalmente pelos temores relacionados ao fenômeno El Niño, que promete vir mais forte esse ano.
Na terça-feira, os futuros do arábica chegaram a US$ 3,26 por libra, atingindo o maior nível em várias semanas, antes de recuarem. Investidores passaram a avaliar os possíveis efeitos do terremoto sobre a oferta colombiana.
Especialistas alertam que qualquer interrupção significativa pode pressionar ainda mais os preços. Os estoques de arábica monitorados pela Intercontinental Exchange estão em níveis considerados muito baixos pelo mercado.
Outro inimigo no horizonte
Além dos danos causados pelo terremoto, os produtores colombianos enfrentam outra ameaça: o fortalecimento do El Niño. O fenômeno pode provocar mudanças prejudiciais na temperatura e na precipitação nas principais regiões produtoras.
O impacto climático é especialmente relevante, pois a Colômbia já prevê uma safra menor neste ano. A produção deve alcançar cerca de 12,8 milhões de sacas de 60 quilos, ante 14,8 milhões no ano passado.
A safra anterior foi a maior da Colômbia em 33 anos. Para os próximos ciclos, porém, a combinação de problemas de infraestrutura e condições climáticas adversas pode aumentar a pressão sobre a produção.
O setor acompanha principalmente a duração e a intensidade do El Niño. Um episódio curto e moderado poderia favorecer a produção, mas um fenômeno prolongado e intenso poderia afetar as lavouras na Colômbia, no Brasil e até mesmo no Vietnã.
Com a infraestrutura ainda em avaliação e os estoques globais em níveis reduzidos, o terremoto acrescenta uma nova fonte de incerteza ao mercado. Qualquer redução significativa nas exportações colombianas poderá repercutir nos preços internacionais do café.
