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CiênciaCMDT
22/07/2026
3 min

Café ou energético? Estudo mostra qual opção representa maior risco ao coração

Café ou energético? Estudo mostra qual opção representa maior risco ao coração

O mesmo estimulante está presente no café e nas bebidas energéticas, mas seus efeitos sobre o coração podem ser bastante distintos. Uma nova análise científica mostra que a forma como a cafeína é consumida faz toda a diferença e ajuda a explicar por que um hábito associado à rotina de milhões de pessoas pode estar ligado à proteção cardiovascular, enquanto outros exigem cautela.

As conclusões foram reunidas pela Associação Americana do Coração (American Heart Association) em uma revisão publicada na revista Circulation na última segunda-feira, 20, que avaliou as evidências mais recentes sobre a relação entre cafeína e doenças cardiovasculares.

Qual o limite seguro da cafeína?

Após analisar dezenas de estudos, os especialistas concluíram que, para a maioria dos adultos, a ingestão de até 400 miligramas de cafeína por dia — o equivalente a aproximadamente três a cinco xícaras de café preto — é considerada segura.

Além disso, o consumo moderado de café sem açúcar, xaropes ou creme foi associado a menores riscos de doença cardíaca, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca,diabetes tipo 2 e algumas alterações do ritmo cardíaco.

Os autores destacam, porém, que as pesquisas mostram associações e não comprovam uma relação direta de causa e efeito. Isso porque o café reúne diversos compostos bioativos, além da cafeína, que também podem contribuir para esses efeitos.

Café x bebidas energéticas

O cenário muda quando a cafeína vem de bebidas energéticas e produtos altamente concentrados. Segundo os pesquisadores, esses produtos costumam reunir doses muito elevadas de cafeína e outros ingredientes que aceleram sua absorção pelo organismo. Como consequência, podem provocar aumentos importantes da pressão arterial e favorecer o surgimento de arritmias cardíacas.

Os chamados energy shots, vendidos em pequenas embalagens, podem concentrar entre 40 e 69 miligramas de cafeína em apenas 30 ml — uma quantidade de três a quatro vezes maior do que a encontrada no mesmo volume de café comum.

A revisão também encontrou associação entre essas bebidas e alterações do ritmo cardíaco mesmo em adultos jovens considerados saudáveis.

O que a cafeína faz no organismo?

Depois de ser consumida, a cafeína é metabolizada pelo fígado e normalmente atinge sua concentração máxima no sangue cerca de uma hora depois. A velocidade desse processo depende de fatores como genética, idade, metabolismo e frequência de consumo.

No curto prazo, ela pode elevar temporariamente a pressão arterial, a frequência cardíaca, o estado de alerta e os níveis de glicose. Em algumas pessoas, também pode provocar palpitações ou prejudicar o sono, enquanto outras desenvolvem tolerância ao consumo frequente.

Nem todo café é igual

Os pesquisadores também observaram que o modo de preparo da bebida pode influenciar seus efeitos.

Cafés preparados sem filtro de papel, como prensa francesa, café turco e algumas versões de expresso, preservam maiores quantidades de cafestol, uma substância associada ao aumento do colesterol LDL, conhecido como colesterol "ruim".

Já o café filtrado em papel e o café instantâneo praticamente não contêm esse composto.

Embora a revisão reúna as evidências mais recentes sobre a cafeína, os autores afirmam que ainda há poucas pesquisas comparando diretamente diferentes fontes do estimulante, como café, chá, refrigerantes, bebidas energéticas e suplementos.

Segundo a declaração científica, novos ensaios clínicos serão importantes para esclarecer como cada uma dessas bebidas influencia a saúde cardiovascular e orientar recomendações mais precisas para a população.

AutorVanessa Loiola
FonteExame
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