Caged e desemprego no Brasil e Jolts nos EUA: o que move os mercados
Além da agenda econômica, o mercado brasileiro entra em uma terça-feira com novas pesquisas eleitorais para a Presidência da República

A agenda desta terça-feira, 29, concentra uma série de indicadores de atividade, emprego e inflação que podem ajudar o mercado a calibrar as expectativas para juros no Brasil e nos Estados Unidos.
No cenário doméstico, os investidores acompanham o IGP-M, a taxa de desemprego e os dados de crédito, além do Caged e do resultado das contas do Governo Central. No exterior, os destaques são o mercado de trabalho e a confiança do consumidor nos Estados Unidos, enquanto os PMIs da China encerram o dia com números importantes para commodities e empresas ligadas à economia chinesa.
O cenário político brasileiro também permanece no radar, com a divulgação de novas pesquisas eleitorais às vésperas do primeiro turno. No pregão anterior, a combinação entre o noticiário eleitoral e a cautela externa levou o Ibovespa a fechar abaixo dos 183 mil pontos, enquanto o dólar avançou para R$ 5,22.
O que acompanhar
A primeira bateria de indicadores domésticos sai às 8h. A Fundação Getulio Vargas (FGV) divulga o IGP-M de setembro, índice que em agosto registrou queda de 0,22% na comparação mensal e alta de 2,16% em 12 meses. Na mesma hora, saem as sondagens de Serviços e Comércio da FGV. Em agosto, os indicadores estavam em 89,0 e 84,2 pontos, respectivamente.
Às 8h30, o Banco Central divulga o saldo de crédito bancário de agosto. Em julho, o estoque registrou crescimento de 9,5%.
O principal dado da manhã sai às 9h, quando o IBGE divulga a taxa de desemprego da Pnad Contínua referente a agosto. Em julho, a taxa estava em 5,3%. O mercado acompanha o número em busca de sinais sobre a força do mercado de trabalho e o ritmo da atividade econômica.
Também estão previstos para esta terça-feira os dados do Caged de agosto, sobre a criação de empregos formais. Em julho, o saldo havia sido positivo em 58,5 mil vagas.
No campo fiscal, o Tesouro Nacional divulga o resultado primário do Governo Central de agosto. Em julho, o resultado havia sido superavitário em R$ 10,8 bilhões.
Às 11h30, o Tesouro realiza leilão de NTN-B e LFT. O resultado da operação pode ser acompanhado pelos investidores para avaliar a demanda pelos títulos públicos e as condições de financiamento do governo no mercado.
Nos Estados Unidos, o mercado de trabalho volta ao centro das atenções às 11h, com a divulgação do relatório Jolts, que mostra o número de vagas de trabalho em aberto em agosto. Em julho, eram 7,271 milhões de vagas.
No mesmo horário, sai o índice de confiança do consumidor do Conference Board referente a setembro. O indicador estava em 89,4 pontos em agosto.
Os dados ganham importância em um momento em que o mercado acompanha os sinais sobre a atividade americana e os próximos passos do Federal Reserve (Fed).
Ao longo da tarde, três dirigentes do Fed também fazem discursos: Austan Goolsbee, de Chicago, às 14h; Alberto Musalem, de St. Louis, às 14h30; e John Williams, de Nova York, às 15h. As falas podem trazer novas pistas sobre a avaliação dos dirigentes para a economia e a política monetária americana.
Já à noite, às 22h30, a China divulga os PMIs oficiais de setembro de indústria, serviços e do índice composto. Em agosto, os indicadores estavam em 49,8, 49 e 49,5 pontos, respectivamente.
Na sequência, às 22h45, saem os PMIs calculados pela RatingDog/S&P Global. Os indicadores de agosto estavam em 51,5 pontos para a indústria, 51,4 para serviços e 52,1 no índice composto.
Os números serão acompanhados especialmente pelo mercado de commodities e por empresas expostas à economia chinesa, depois de uma sessão em que o minério de ferro caiu 0,91%, embora as ações da Vale tenham avançado 0,55%.
Reta final das eleições
Além da agenda econômica, o mercado brasileiro entra em uma terça-feira com novas pesquisas eleitorais. Está prevista a divulgação de levantamento da AtlasIntel para a Presidência da República.
Também serão divulgadas pesquisas para governos estaduais e Senado em diferentes estados por AtlasIntel, Quaest e Real Time Big Data.
O tema já teve impacto sobre os ativos na sessão anterior. Na segunda-feira, 28, o Ibovespa recuou 0,26%, aos 182.991 pontos, enquanto o dólar à vista subiu 0,85%, para R$ 5,225. O movimento ocorreu em um dia marcado pela divulgação de pesquisas Quaest e BTG/Nexus, que mostraram abertura de vantagem de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno.
O desempenho dos mercados brasileiros também deve continuar sensível ao ambiente externo. Na segunda-feira, as bolsas de Nova York fecharam em queda, pressionadas pela alta dos rendimentos dos Treasuries e pela volatilidade do petróleo. O Dow Jones caiu 0,67%, o S&P 500 recuou 0,77% e o Nasdaq perdeu 0,92%.
O petróleo, por sua vez, continuou no radar após a reação de Donald Trump a uma proposta do Irã envolvendo o Estreito de Ormuz. O Brent para novembro subiu 0,92%, para US$ 105,28 por barril, enquanto o WTI avançou 0,21%, a US$ 92,60.
