Caixa Econômica Federal? Não. Banco do Brasil? Pode ser. Os planos da equipe cautelosa de Flávio Bolsonaro para privatizações
Um eventual governo de Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, deve ser cauteloso com as privatizações. Pelo menos é o que avalia sua equipe econômica e que ficou claro durante fala dos seus principais assessores do presidenciável em evento do Grupo Esfera, nesta segunda-feira (14). Daniella Marques, ex-assessora especial do Ministério da Economia e […]

Um eventual governo de Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, deve ser cauteloso com as privatizações. Pelo menos é o que avalia sua equipe econômica e que ficou claro durante fala dos seus principais assessores do presidenciável em evento do Grupo Esfera, nesta segunda-feira (14).
Daniella Marques, ex-assessora especial do Ministério da Economia e ex-presidente da Caixa Econômica Federal, “puxou a sardinha” para seu lado ao ser indagada sobre o tema privatização durante o evento.
Segundo ela, até o Correios, que acumula rombos bilionários, perdeu a janela de ser privatizado. Mas, para Daniella, “mais de 20 estatais” poderiam entrar na mira do governo e o “Banco do Brasil poderia (ser privatizado)”, pois negocia menos de uma vez seu patrimônio.
Mas seu antigo emprego, a Caixa, não vai entrar em uma eventual lista de estatais privatizáveis.
“A Caixa tem papel importante e a gente quer a Caixa como braço na ponta oferecendo solução de crédito”, disse ela. Ao contrário do discurso econômico liberal de Flávio Bolsonaro e de nomes de direita, a ex-presidente da Caixa defendeu o Estado “como desenvolvedor” e “ferramenta” para que brasileiro possa renegociar suas dívidas.
Daniela Marques voltou a defender a proposta de adequações na Reforma Tributária, cujo arcabouço principal começa a entrar em vigor em 2027, primeiro ano do mandato do próximo presidente. Segundo ela, a lei aprovada no Congresso é uma “colcha de retalho com tantas exceções que sobrou uma alíquota impagável”, a qual, na avaliação da economista, chega a 28%.
“Serviços e atividade produtiva foram penalizados. Não iniciaremos discussão sobre o arcabouço, mas vamos aprimorar antes que seja judicializado”, avaliou Daniella, que voltou a falar sobre “descontrole absoluto de gasto público”, com a dívida federal em 82% do Produto Interno Bruto (PIB).
IOF e imposto sobre o petróleo
Assessor de Daniella Marques na coordenação-geral do plano econômico de Flávio Bolsonaro, Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia e ex-secretário de Política Econômica no governo Jair Bolsonaro, ampliou o rol de propostas no mesmo painel.
Segundo ele, medidas como a redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) “aos valores de 2022” e acabar com imposto de exportação de petróleo são medidas prioritárias em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. Propostas que seriam levadas logo no início do mandato e aprovadas em até um ano e meio.
“Vamos aprovar essas mudanças, vamos mandá-las logo no começo e em 18 meses a gente recoloca o Brasil no caminho da prosperidade”, prometeu Sachsida.
Ele e Daniella Marques voltaram a citar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da reeleição, de Flávio Bolsonaro como outra medida emergencial, mas evitaram falar diretamente sobre quem seria o candidato mais prejudicado pela recente crise do Supremo Tribunal Federal STF). “O Brasil, com certeza”, disse Daniella. “Deixo para que nossa dama-de-ferro responda”, afirmou Sachsida.
