Caixa faz leilão de imóveis com desconto de 67% em plena greve: quais são os riscos?
Banco oferece 594 imóveis em 23 estados, com opções a partir de R$ 51 mil; especialistas alertam para possíveis atrasos em etapas pós-arrematação

A Caixa colocou à venda 594 imóveis em um novo leilão, com descontos que chegam a 67% sobre o valor de avaliação e opções a partir de R$ 51 mil. A rodada acontece em um momento atípico para os compradores: a instituição está com uma greve de funcionários em andamento, o que levanta dúvidas sobre eventuais impactos no processo de aquisição.
O leilão será realizado em duas etapas, nos dias 14 e 20 de outubro, às 10h, pela Globo Leilões. Os lotes incluem apartamentos, casas, terrenos, imóveis comerciais e propriedades rurais distribuídos por 23 estados. A paralisação da Caixa não impede, segundo a leiloeira, a realização do certame.
O ponto de atenção está nas etapas posteriores ao arremate, principalmente para compradores que dependem de financiamento imobiliário. “O leilão acontece, mas a operação pode ter alguma demora nas etapas seguintes, dependendo da necessidade de atendimento da Caixa”, explica um especialista ouvido pela EXAME.
Os imóveis têm lances iniciais que variam de R$ 51 mil a R$ 8 milhões. As condições de pagamento dependem de cada lote e podem incluir compra à vista, financiamento imobiliário pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e uso do FGTS, conforme as regras aplicáveis ao imóvel.
Em alguns casos, a Caixa permite financiar até 95% do valor do imóvel, enquanto determinadas unidades previstas em convênios podem ter condições específicas de financiamento integral.
Para compras financiadas ou com uso do FGTS, o comprador precisa passar por uma análise de crédito antes da conclusão da operação. O preenchimento dessa opção no termo de arrematação, porém, não garante a aprovação do financiamento.
Além do valor do lance vencedor, o comprador deve pagar uma comissão de 5% ao leiloeiro.
O catálogo reúne imóveis residenciais e comerciais em diferentes regiões do país. Entre os destaques estão um apartamento na Lapa, em São Paulo, com 55,17 metros quadrados de área privativa, três quartos e uma vaga de garagem. O imóvel tem avaliação de R$ 522,2 mil e pode ser adquirido por R$ 380,1 mil na segunda etapa do leilão. No Rio de Janeiro, um apartamento em Rocha Miranda, com 46 metros quadrados e dois quartos tem lance inicial de R$ 223,5 mil em eventual segunda oferta.
Cada imóvel possui um edital próprio, com informações sobre ocupação, condições de venda, prazos e regras específicas.
Greve da Caixa muda o risco para quem compra?
A principal dúvida para interessados noleilão da Caixa é se a paralisação dos funcionários pode comprometer a compra. O sindicato que representa os empregados da Caixa mantém uma greve por tempo indeterminado desde 10 de setembro, após a rejeição de uma proposta apresentada pelo banco para renovação do acordo coletivo de trabalho.
A paralisação pode afetar principalmente atendimentos presenciais e processos que dependem de áreas específicas da instituição. Os canais digitais e correspondentes bancários continuam disponíveis.
No mercado imobiliário, especialistas ouvidos pela EXAME explicam que o impacto depende do tipo de operação. Em compras à vista, o risco principal está relacionado a eventuais etapas administrativas posteriores ao arremate. Já nos casos com financiamento, o processo segue o fluxo tradicional de crédito imobiliário, que envolve análise, aprovação e assinatura do contrato.
“Normalmente, quando uma pessoa compra um imóvel em leilão e vai financiar, o edital já colocava que o interessado deveria ir até uma agência da Caixa e fazer uma avaliação de crédito. Isso é possível ser feito agora, porque o correspondente bancário está atuando. As etapas seguintes, sim, podem travar”, afirma um dos especialistas.
Segundo ele, a existência da greve não impede necessariamente a compra, mas pode aumentar o prazo até a conclusão definitiva da operação.
Outro especialista destaca uma diferença importante entre as modalidades utilizadas pela Caixa. Segundo ele, os leilões realizados por meio de leiloeiros — como o atual — continuam funcionando normalmente. O maior volume de vendas da Caixa, porém, ocorre em modalidades como venda direta e venda online, que não envolvem leiloeiros e podem depender mais diretamente dos fluxos internos do banco.
“Os leilões via leiloeiros seguem normal. O que parou são as vendas direta e online. Eu diria que mais de 80% dos arremates são nessas modalidades, justamente por não ter leiloeiro. O leilão acontece, mas o cliente arrematante tem zero amparo da Caixa pós-arrematação enquanto a greve perdura”, afirma.
A Globo Leilões, responsável pela condução do certame, afirma que até o momento não recebeu indicação de alteração no calendário.
“Com relação à greve, até o momento não temos indicação de impacto sobre o leilão em andamento, que já se encontra com edital devidamente publicado e segue normalmente conforme o cronograma estabelecido. Caso haja qualquer orientação oficial da Caixa que altere esse cenário, naturalmente seguiremos as determinações e comunicaremos imediatamente”, afirma Jhonni Balbino, CEO da Globo Leilões.
Cuidados antes de dar um lance
Apesar dos descontos, especialistas recomendam atenção antes da participação.
Antes de fazer uma oferta, o interessado deve verificar:
- o edital específico do imóvel;
- a situação de ocupação da propriedade;
- eventuais dívidas ou encargos vinculados ao imóvel;
- as condições de financiamento, caso necessário.
Após a homologação do resultado, o comprador precisa pagar a entrada mínima de 5% do valor ofertado em até dois dias úteis, quando aplicável.
Nas compras financiadas, a assinatura do contrato deve ocorrer em até 30 dias corridos. Caso o comprador não cumpra os prazos por responsabilidade própria, a venda pode ser cancelada e pode haver aplicação de multa de 5% sobre o valor do lance.
