Caixa não espera Minha Casa Minha Vida para famílias com renda de até R$ 21 mil
Vice-presidente de Habitação do banco diz que expansão para esse público é improvável no curto prazo, mas vê FGTS capaz de sustentar orçamento já aprovado

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A Caixa não prevê, no curto prazo, ampliar o Minha Casa, Minha Vida para famílias com renda mensal de até R$ 21 mil, afirmou a vice-presidente de Habitação, Inês Magalhães, em reunião com analistas do banco BTG Pactual. A executiva avalia que o FGTS pode sustentar o orçamento aprovado e que a maior seletividade no crédito não ameaça a meta de crescimento do programa em 2026.
A Caixa não espera, no curto prazo, uma ampliação do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) que inclua famílias com renda mensal de até R$ 21 mil. A possibilidade vinha sendo discutida no mercado e levaria o programa a alcançar uma parcela maior da classe média, mas não está no cenário considerado pelo banco estatal.
A avaliação foi apresentada por Inês Magalhães, vice-presidente de Habitação da Caixa, em reunião com analistas do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME). Segundo ela, novas mudanças nas condições do MCMV ainda podem ocorrer, mas uma expansão dessa magnitude é considerada improvável no curto prazo.
Ao mesmo tempo, a Caixa avalia que o FGTS tem condições de sustentar o orçamento do MCMV já aprovado no Plano Plurianual, mantendo o programa em trajetória considerada saudável.
A instituição também não vê risco para a meta de crescimento do MCMV em 2026, mesmo diante de uma política de concessão de crédito mais seletiva.
Na avaliação da Caixa, o MCMV passou por uma evolução importante nos últimos anos, com aumento da construção de novas moradias e mudanças nas condições do programa consideradas positivas para os diferentes participantes do mercado.
Para os próximos anos, a principal variável de atenção é a taxa de desemprego, que influencia tanto a capacidade de pagamento das famílias quanto a saúde financeira do FGTS. Magalhães avalia que o balanço do fundo é suficiente para sustentar o orçamento do programa já aprovado no Plano Plurianual.
A Caixa também não descarta novos ajustes nas regras do MCMV. A diferença é que, segundo a avaliação apresentada ao BTG, a ampliação para famílias com renda de até R$ 21 mil não deve acontecer no curto prazo.
Crédito mais seletivo, mas inadimplência saudável
A Caixa vem adotando uma postura mais criteriosa na concessão de crédito imobiliário e acompanhando de perto o comportamento de sua carteira. Até agora, porém, a inadimplência permanece em níveis considerados saudáveis, segundo Magalhães.
O banco também trabalha com as incorporadoras em uma agenda para reduzir o risco de inadimplência antes da conclusão das operações.
Entre as medidas estão o aumento das informações disponíveis sobre os compradores antes da venda, a melhoria da qualidade de crédito dos clientes transferidos para a Caixa e a redução do financiamento sem garantia, especialmente o chamado pró-soluto após a entrega das chaves.
Medidas como uma eventual ampliação do comprometimento máximo de renda ou do loan-to-value (LTV), indicador que relaciona o valor financiado ao preço do imóvel, estão em discussão, mas não devem avançar no curto prazo.
Mesmo com a maior seletividade, a Caixa não considera que a política de crédito coloque em risco a meta de crescimento do MCMV em 2026.
Caixa mantém aposta no crédito para a classe média
A atuação da Caixa fora do MCMV também continua relevante. Para famílias de renda média e alta, o banco trabalha principalmente com o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que utiliza recursos da poupança para financiar imóveis que não se enquadram no programa habitacional.
Segundo Magalhães, as novas regras do SBPE aprovadas no ano passado ajudaram a Caixa a aumentar a originação de financiamentos para construção ao longo de 2026.
A intenção agora é manter o volume de financiamento à construção próximo ao patamar registrado neste ano. Durante a transição das novas regras, porém, uma parcela maior dos recursos deverá ser direcionada ao financiamento dos compradores, e não das incorporadoras.
A inadimplência da carteira de SBPE também permanece em níveis considerados saudáveis.
A estratégia da Caixa, portanto, é manter separados os dois principais mercados de crédito habitacional: o MCMV segue apoiado pelo FGTS e concentrado nas famílias atendidas pelo programa, enquanto o SBPE continua como principal canal para o financiamento da classe média e de imóveis fora das regras do MCMV.
