Camil (CAML3): após salto de 40% em um mês, ação ainda tem espaço para subir? BTG e Itaú BBA avaliam
Após uma valorização de 43.40% em um mês (até 11h30 desta sexta-feira), a Camil (CAML3) segue com recomendação de compra de BTG Pactual e Itaú BBA. O balanço do segundo trimestre fiscal de 2026, porém, deixou para a segunda metade do exercício a expectativa de uma melhora mais expressiva, com os preços do arroz e […]

Após uma valorização de 43.40% em um mês (até 11h30 desta sexta-feira), a Camil (CAML3) segue com recomendação de compra de BTG Pactual e Itaú BBA.
O balanço do segundo trimestre fiscal de 2026, porém, deixou para a segunda metade do exercício a expectativa de uma melhora mais expressiva, com os preços do arroz e a trajetória dos juros no radar dos analistas.
O BTG mantém preço-alvo de R$ 9, enquanto o Itaú BBA estabelece R$ 7 para o papel. Considerando a cotação de referência de R$ 6,92 apresentada pelo BBA, os valores representam potenciais de valorização de aproximadamente 30% e 1,2%, respectivamente.
Embora recomende a compra da ação, o Itaú BBA avaliou os resultados como neutros, próximos de suas projeções. Já o BTG classificou o trimestre como misto, com receitas e volumes mais fracos do que o esperado, parcialmente compensados por despesas menores.
A Camil adota um calendário fiscal diferente do ano civil: seu segundo trimestre corresponde ao período de junho a agosto.
BTG vê trimestre misto
Na avaliação do BTG, os resultados combinaram volumes e receitas abaixo das expectativas com despesas comerciais, gerais e administrativas menores do que o banco projetava.
A receita líquida ficou próxima de R$ 2,8 bilhões, queda de 7% na comparação anual e 8% abaixo da estimativa da casa. Pelos ajustes do BTG, o Ebitda — lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização — somou R$ 212 milhões, recuo de 12,5% em um ano e 5,5% abaixo do esperado.
Apesar disso, a margem Ebitda ajustada de 7,7% superou a projeção de 7,5%. O lucro líquido de R$ 41 milhões também ficou acima dos R$ 21 milhões estimados pelo banco.
Outro destaque foi a liberação de R$ 146 milhões em capital de giro, após o consumo sazonal de R$ 1,2 bilhão no trimestre anterior.
Itaú BBA concentra expectativas no segundo semestre
Para o Itaú BBA, a receita de R$ 2,76 bilhões ficou próxima do esperado. O segmento Growth surpreendeu positivamente nos volumes, com crescimento anual em todas as categorias, compensando parcialmente preços abaixo das projeções no segmento Turnover e um cenário ainda desafiador nas operações internacionais.
O banco relaciona a evolução dos volumes à execução comercial da companhia, com maiores gastos em promotores e materiais promocionais. Ao mesmo tempo, essas iniciativas e o aumento das despesas com frete pressionaram a rentabilidade.
Excluindo uma contribuição não recorrente de R$ 10,5 milhões em outras receitas operacionais, o Ebitda ajustado calculado pelo BBA ficou em R$ 215 milhões, com margem de 7,8%, cerca de 3% abaixo da projeção. O valor difere do apresentado pelo BTG, conforme os ajustes considerados por cada casa.
O BBA também observa que despesas financeiras menores do que as previstas foram explicadas por efeitos não recorrentes de R$ 21 milhões relacionados à liquidação de instrumentos derivativos.
No balanço patrimonial, o alívio no capital de giro começou a aparecer, mas a alavancagem permaneceu praticamente estável em relação ao trimestre anterior, ainda em nível elevado. A expectativa é de uma liberação mais relevante de recursos no segundo semestre fiscal.
O que pode sustentar novas altas de CAML3?
Os preços do arroz são uma das principais variáveis a acompanhar. Segundo o Itaú BBA, a média registrada durante o trimestre ficou significativamente abaixo das cotações à vista observadas na data do relatório, o que favorece as perspectivas para a segunda metade do exercício.
Mesmo assim, o banco entende que a trajetória operacional está alinhada às suas estimativas. Novas revisões para cima dos resultados dependeriam principalmente de uma alta do arroz além dos níveis atuais ou de uma queda dos juros mais intensa do que a incorporada nas expectativas do mercado.
Após a valorização recente de CAML3, a discussão também passa pelo quanto os investidores estariam dispostos a pagar pelos lucros da companhia em um cenário de juros menores — movimento conhecido como expansão de múltiplos.
As duas casas seguem com indicação de compra, mas o Itaú BBA pondera que a continuidade dos ganhos da ação no curto prazo dependeria desses estímulos adicionais.
