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Sacre Investimentos
Economia
25/08/2026
3 min

Campanhas de Lula e Flávio propõem soluções divergentes para taxas de juros de longo prazo elevadas

As campanhas dos dois principais candidatos à Presidência divergem sobre como reduzir as taxas de juros de longo prazo no Brasil, com assessores apresentando propostas bastante diferentes para diminuir os custos de financiamento em toda a economia. O debate se intensificou à medida que a eleição de 4 de outubro se aproxima e os investidores […]

Campanhas de Lula e Flávio propõem soluções divergentes para taxas de juros de longo prazo elevadas

As campanhas dos dois principais candidatos à Presidência divergem sobre como reduzir as taxas de juros de longo prazo no Brasil, com assessores apresentando propostas bastante diferentes para diminuir os custos de financiamento em toda a economia.

O debate se intensificou à medida que a eleição de 4 de outubro se aproxima e os investidores continuam exigindo prêmios elevados para comprar títulos públicos de longo prazo, aumentando os custos de financiamento tanto para o Estado quanto para o setor privado e alimentando preocupações sobre as perspectivas fiscais do país e o crescente peso da dívida.

Em entrevista publicada pelo jornal Folha de S.Paulo nesta terça-feira (25), o coordenador-geral do programa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, José Sérgio Gabrielli, propôs a recompra de títulos públicos pelo Tesouro como forma de conter os rendimentos de longo prazo, ação semelhante às medidas recentemente adotadas pelo Tesouro dos Estados Unidos na semana passada.

Na entrevista, Gabrielli criticou um editorial publicado na Folha na semana passada que clamava por cortes urgentes nos gastos federais para evitar uma crise fiscal e reduzir as taxas de juros, afirmando que o artigo retratava o Brasil como estando “à beira do caos”.

Nem a campanha de Lula nem o Tesouro responderam imediatamente a pedidos de comentário da Reuters.

Enquanto isso, o ex-ministro de Minas e Energia Adolfo Sachsida, que se juntou à equipe econômica do candidato Flávio Bolsonaro (PL) na semana passada, afirmou que cortes nos gastos, e não a intervenção no mercado, são a única maneira sustentável de reduzir os juros.

Em uma postagem no X, ele descreveu a proposta de Gabrielli como uma tentativa artificial e “medíocre” de suprimir os custos dos empréstimos.

“Tecnicamente, isso quer dizer que ele vai colocar liquidez na economia… na hora que ele fizer isso, a inflação aumenta. A hora que a inflação aumentar, os juros vão aumentar também”, disse Sachsida.

Atualmente, o Brasil paga cerca de 7,5% em taxas de juros reais sobre títulos públicos com vencimento em 2045, o que ressalta o alto prêmio que os investidores estão exigindo para financiar o país no longo prazo, em meio a dúvidas sobre sua capacidade de controlar o rápido crescimento dos gastos obrigatórios.

Analistas estão céticos quanto à capacidade de qualquer um dos candidatos de controlar as finanças públicas do Brasil, embora as reações do mercado às pesquisas sugiram que o mercado prefere o programa de Bolsonaro.

A elevada carga de juros do país tem sido o principal fator por trás do aumento da dívida pública bruta, um dos principais indicadores de solvência. A dívida bruta aumentou mais de 10 pontos percentuais desde que Lula iniciou seu terceiro mandato não consecutivo em 2023, chegando a 81,9% do PIB.

Embora o Tesouro tenha realizado uma recompra de títulos em grande escala em março, após o conflito entre os EUA e Israel com o Irã, tais operações não são utilizadas rotineiramente.

Em declarações públicas, autoridades do Tesouro argumentaram que as intervenções no mercado secundário de títulos para lidar com alta volatilidade seguem uma sequência que inclui a redução da oferta nos leilões, a diminuição do volume das ofertas, o cancelamento de leilões e, somente caso necessário, a realização de recompras ou outras operações de liquidez.

AutorReuters
FonteMoney Times
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