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18/09/2026
4 min

Campeãs de queda: O que azedou o humor dos investidores com a CSN Mineração (CMIN3) e CSN (CSNA3) na semana?

A CSN Mineração (CMIN3) e a CSN (CSNA3) tiveram uma nova semana como destaque no Ibovespa (IBOV), mas liderando as maiores quedas do índice. Em cinco pregões, a CMIN3, em primeiro lugar, desabou 18,75%, enquanto a CSNA3, em terceiro lugar, teve perda de 12,16%. Uma junção de fatores contribuiu para azedar o humor dos investidores […]

Campeãs de queda: O que azedou o humor dos investidores com a CSN Mineração (CMIN3) e CSN (CSNA3) na semana?

A CSN Mineração (CMIN3) e a CSN(CSNA3) tiveram uma nova semana como destaque no Ibovespa (IBOV), mas liderando as maiores quedas do índice.

Em cinco pregões, a CMIN3, em primeiro lugar, desabou 18,75%, enquanto a CSNA3, em terceiro lugar, teve perda de 12,16%.

Uma junção de fatores contribuiu para azedar o humor dos investidores com os ativos, segundo analistas ouvidos pelo Money Times.

No caso da CSN Mineração, pesou o preço do minério de ferro, os custos de frete e os dados do minério de ferro. Já para a siderúrgica, os números do consumo do aço e as dúvidas sobre a venda da divisão de cimentos da holding tiveram destaque.

A campeã da desvalorização

Para Bruno Benassi, analista de ativos da Monte Bravo, a queda do minério de ferro para abaixo do nível de US$ 100 a tonelada, além do aumento no preço do frete com o petróleo acima de US$ 103 — algo que já impactou negativamente a companhia no segundo trimestre, com a pressão do frete jogando as margens para baixo —, explica parcialmente o desempenho negativo da companhia.

Na mesma linha, o analista de investimentos da AGF, Pedro Galdi, observa que o frete marítimo teve um aumento substancial para US$ 40 a tonelada.

“A Vale possui contratos de longo prazo para frete, então acabou sofrendo menos que outras, como CSN Mineração, Usiminas e mineradoras de pequeno e médio porte, principalmente em Minas Gerais”, detalha.

Para a CSN Mineração, Galdi considera que esse efeito de pressão nos custos também será observado no terceiro trimestre de 2026 (3T26).

Ele acrescenta que o frete entre Brasil e China é muito diferente de Austrália e China, o que tira competitividade das mineradoras brasileiras e afeta desempenho de suas ações.

O economista e head de renda variável da Fami Capital, Gustavo Bertotti, complementa que os dados econômicos de crescimento da China também acabam pesando negativamente no minério.

“As empresas brasileiras são muito afetadas pela questão de crescimento e crise imobiliária na China. Uma hora ela vai ganhar força, vimos alguns índices macro da China indicando ainda alguma preocupação em termos de desaceleração econômica. O governo chinês sabe que terá que fazer muito incentivo em diversas linhas de consumo para manter a meta de crescimento”, afirma.

E a CSN?

Na avaliação de Benassi, da Monte Bravo, a CSN também tem o impacto negativo do preço da CMIN3, dos números mais fracos do consumo de aço que foram divulgados recentamente e das notícias na mídia sobre possíveis atrasos na negociação de venda da CSN Cimentos e CSN Infra.

Galdi, da AGF, corrobora o cenário traçado por Benassi e considera que a holding atravessa um momento de elevado endividamento e busca através de venda de ativos uma melhora de sua estrutura de capital.

O movimento de venda de ativos acontece após a companhia encerrar o segundo trimestre de 2026 com dívida líquida de R$ 42,1 bilhões e alavancagem de 3,49 vezes.

“A ordem é a venda do braço de cimento, que deve ser finalizado até o final deste ano, gerando algo em torno de R$ 12 bilhões para reduzir dividas. Está em estudo também a venda de parte de sua estrutura logística”, diz o analista da AGF.

Para Bertotti, da Fami Capital, já considerando os resultados pressionados de CSN e Usiminas, com endividamento elevado, além macro doméstico pouco favorável, o setor siderúrgico atravessa um período de dependência em relação ao cenário externo.

A venda do ativo de cimento, com ganho estimado entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões, segue com incerteza. Durante a semana, saíram notícias de que a italiana Cementir desistiu da compra conjunta com a Votorantim. A chinesa Huaxin segue como favorita nas negociações.

A leitura é de que o novo CEO da holding, Fabio Schvartsman, um nome bem avaliado pelo mercado — com passagens por Vale, Ultrapar e Klabin —, tem a missão de reduzir a alavancagem da companhia.

AutorAnna Scabello
FonteMoney Times
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