Canadá busca diversificar parcerias comerciais em meio a tensões com EUA
País avançou em negociações com vários países, como China, México, Brasil e se aproximou de blocos como a União Europeia e o Mercosul

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O Canadá intensificou, desde o início do novo governo de Donald Trump, a diversificação do comércio além dos Estados Unidos, com negociações que incluem China, Índia, Coreia do Sul, México, Brasil e o bloco Mercosul. A União Europeia, bloco que convidou o país a tornar-se membro associado, também integra a nova rota. Ottawa prevê US$ 600 bilhões em exportações fora dos Estados Unidos na próxima década.
Por décadas, a ‘bússola’ que guia o comércio do Canadá apontou praticamente para uma única direção: o sul. O comércio com os Estados Unidos, principal parceiro ainda hoje, representa um pilar importante da economia canadense, com um fluxo que ultrapassou a marca de 917 bilhões de dólares em bens e serviços recentemente.
Agora, diante da troca de ameaças tarifárias entre Donald Trump e Mark Carney, Ottawa está recalculando a rota e olhando para outras parcerias. Um dos movimentos recentes e que chamou a atenção do mundo foi a aproximação com a União Europeia.
O bloco convidou o Canadá para ser um membro associado, uma classificação que até então não existia. Sem citar exemplos, a líder Ursula von der Leyen afirmou que a UE precisa repensar alianças diante de um mundo ‘abertamente hostil’.
De acordo com relatório do think tank americano Council on Foreign Relations (CFR), a estratégia 'America First' de Donald Trump está remodelando relacionamentos ao redor do mundo. Mas, ainda segundo o instituto, 'em nenhum lugar o efeito foi mais profundo do que no Canadá'.
O presidente americano Donald Trump e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, em encontro durante reunião de líderes do G7. (Ludovic MARIN / POOL / AFP)
Mesmo assim, o CFR afirma que a resposta canadense ao novo cenário tem sido 'enérgica e ambiciosa'.
José Pimenta, Policy Fellow do Insper Agro Global, afirma que o Canadá é um player fundamental no comércio ‘sobretudo de commodities’. Ele diz, no entanto, que essa não é uma transição rápida. ‘Isso não se faz do dia para a noite, não é fácil, porque cadeias produtivas com os Estados Unidos estão muito interligadas’, afirma Pimenta.
A movimentação canadense se intensificou muito desde o início do novo governo Trump. O país fechou diversos acordos comerciais e abriu negociações importantes com China, Índia, Coreia do Sul e México e muitos outros, numa agenda que prevê 600 bilhões de dólares de exportações além do vizinho na próxima década.
Nessa busca por novos parceiros, Ottawa também mira o Brasil e o Mercosul. Um acordo com o bloco pode sair até o fim de 2026. ‘Essas cadeias produtivas podem ter alguma sinergia, e é o momento de explorar essas sinergias para diminuir a dependência com os Estados Unidos’, diz Pimenta.
