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Sacre Investimentos
Mundo
20/09/2026
4 min

Candidata de Lula fica pelo caminho: por que Bachelet desistiu da corrida pela ONU?

Após um placar arrasador na prévia do Conselho de Segurança e sob risco de veto dos EUA, ex-presidente chilena deixa Brasil e México sem carta na mesa

Candidata de Lula fica pelo caminho: por que Bachelet desistiu da corrida pela ONU?

Nova York —  Neste sábado, 19, a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, anunciou que retira sua candidatura a secretária-geral da ONU, encerrando uma campanha que o Brasil ajudou a costurar desde o início e sustentou até quando o próprio país da candidata já havia desistido dela.

A decisão veio em um vídeo nas redes sociais e em uma carta enviada à organização, um dia depois de mais uma votação informal desfavorável a ela no Conselho de Segurança.

Na terceira rodada de straw polls, realizada na sexta-feira, 18, Bachelet recebeu apenas um voto de "encorajar", contra onze de "desencorajar" e três abstenções. Foi o pior resultado de uma sequência de quedas.

A chilena, que aparecia em quarto lugar na primeira consulta, em julho, quando somou seis votos favoráveis, escorregou para dois em agosto e chegou à sexta-feira na sétima posição entre oito candidatos.

Uma candidatura lançada a três mãos

A candidatura de Michelle Bachelet nasceu como um empreendimento sul-americano de peso.

Apresentada em fevereiro conjuntamente por Chile, Brasil e México, reunia um currículo que o Itamaraty considerava imbatível: duas passagens pela Presidência chilena, o comando da ONU Mulheres e a chefia do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

O arranjo, porém, começou a desidratar cedo. No mês seguinte ao anúncio, após a eleição do presidente de direita José Antonio Kast, o novo governo chileno retirou o apoio oficial, avaliando que a dispersão de candidaturas latino-americanas tornava a vitória inviável.

Mesmo sem o respaldo de Santiago, Lula manteve o nome de pé, ao lado da presidente mexicana, Claudia Sheinbaum. À época, o presidente brasileiro escreveu que Bachelet tinha "todas as credenciais" para ser a primeira mulher latino-americana a liderar a organização.

Neste sábado, na carta de despedida da corrida, a chilena devolveu o gesto. Agradeceu de forma nominal a Lula e a Sheinbaum, dizendo-se especialmente grata aos dois por terem apoiado a candidatura "desde o primeiro dia com generosidade e convicção".

Segundo fontes a par do processo, o suporte dos dois países foi além do discurso: seus embaixadores chegaram a hospedar a ex-presidente nas viagens de campanha.

Os obstáculos que a derrubaram

Mais do que a perda do apoio doméstico, pesou contra Bachelet a resistência dos Estados Unidos.

Diplomatas e parlamentares americanos, incluindo o embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, haviam levantado objeções ao seu histórico como alta comissária de direitos humanos, e circulava a expectativa de que os EUA a vetariam caso avançasse.

No Conselho, onde qualquer um dos cinco membros permanentes pode barrar um nome, a sombra do veto costuma matar candidaturas antes mesmo da votação formal. Ao anunciar a saída, Bachelet admitiu o revés e buscou dar-lhe um sentido.

Afirmou não se arrepender de ter encarado o que chamou de grande desafio e sustentou que sua campanha ajudou a fixar na agenda globalideia de que o próximo secretário-geral deveria ser uma mulher latino-americana.

"Apoio decididamente que, após 80 anos de sua criação, a secretaria-geral seja ocupada por uma mulher da América Latina", escreveu.

Quem fica na disputa

Desde a fundação da ONU, a América Latina só ocupou a Secretaria-Geral uma vez, com o peruano Javier Pérez de Cuéllar, entre 1982 e 1991, e nenhuma mulher jamais chegou ao cargo.

Com a saída da chilena, a disputa para suceder António Guterres, cujo segundo mandato termina em 31 de dezembro, fica com sete nomes - quatro mulheres e três homens.

Seguem à frente a costa-riquenha Rebeca Grynspan e a guianense Carolyn Rodrigues-Birkett, que liderou a votação de sexta e desponta como favorita.

O presidente Lula chega a Nova York neste domingo, 20, para uma passagem curta pela cidade: recebe o prefeito Zohran Mamdani na segunda-feira, 21, e na manhã de terça, 22, abre, mais uma vez, o Debate Geral da Assembleia, antes de deixar os Estados Unidos.

AutorLia Rizzo
FonteExame
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