Candidato tenta impedir que camisa da seleção seja usada na campanha na Colômbia

O senador Iván Cepeda, que disputa a eleição presidencial na Colômbia, quer que seu rival, Abelardo de la Espriella, deixe de usar a camisa da Seleção do país na campanha.
Espriella, de direita, foi o mais votado no primeiro turno. Ele teve 43% dos votos no domingo, 31. Cepeda somou 40%.
Na reta final da campanha, Espriella passou a usar mais a camisa do país em eventos públicos e convocou seus apoiadores a usar o uniforme ao votar. O candidato usa um tom nacionalista na campanha.
No domingo, 31, a EXAME viu poucas pessoas em Bogotá com a camisa da seleção, mas presenciou um senhor vestido com o traje amarelo provocar apoiadores de Cepeda, que se reuniam em frente ao local onde o candidato votou. Ele cantarolou "Petro, me diga o que sente", uma versão de um canto argentino usado contra o Brasil na Copa de 2014.
Cepeda questiona o uso político do símbolo nacional. "A camisa da seleção é de todos os colombianos", disse.
O candidato de esquerda questionou a Federação Colombiana de Futebol (FCF) sobre o uso político da camisa, mas recebeu uma resposta de qualquer cidadão pode comprar a camisa.
"A FCF informa que não é distribuidora da camisa da seleção da Colômbia. Qualquer cidadão pode adquiri-la nos pontos autorizados pela Adidas", disse a entidade, em comunicado.
O segundo turno da eleição será disputado em 21 de junho, durante a realização da Copa. A Colômbia enfrenta o Uzbequistão no dia 17, e a República Democrática do Congo, no dia 23.
Abelardo de la Espriella, candidato a presidente da Colômbia mais votado no 1º turno, durante discurso em Barranquilla (Rodrigo Buendia/AFP)
Quem é Abelardo de la Espriella?
O candidato, de 47 anos, fez fortuna como advogado, defendendo autores de crimes polêmicos, como o de David Guzmán, que criou um esquema de pirâmide que atingiu 200 mil correntistas. Também defendeu traficantes, jogadores de futebol e Alex Saab, acusado de lavar dinheiro para o regime de Nicolás Maduro na Venezuela.
O advogado também fez carreira como empresário, e atua em negócios variados, como uma grife de roupas, vinho, rum, café e restaurantes.
Em seu site, Espriella se define como "um homem renascentista do século 21" e se compara a Leonardo da Vinci, por ter múltiplos interesses. Ele também escreveu livros, cantou ópera e atuou em filmes e séries.
Agora, ele busca o cargo de presidente. Antes residente em Miami, entrou para a política, segundo ele, para impedir que a Colômbia seja "destruída" pela esquerda.
Na campanha, ele alterna entre ternos de corte impecável e roupas mais casuais, como um boné, que lembra o estilo de Nayib Bukele, de El Salvador, um presidente que admira.
Outra referência veio de Javier Milei. Ele diz ser "o tigre", enquanto o presidente argentino se compara a um leão.
As propostas
Espriella criou o movimento Defensores de la Patria, em 2025, e conseguiu reunir assinaturas para se registrar e disputar a Presidência, com foco no combate à violência.
Para combater as máfias no país que mais produz cocaína no mundo, propõe uma aliança militar com os Estados Unidos e Israel, a construção de megapresídios e defende o porte de armas.
"Em meu governo, bandido que não se submeter à Justiça será abatido", disse à AFP em fevereiro.
Também quer reduzir o tamanho do Estado, fazer reformas trabalhistas para flexibilizar as jornadas e cortar impostos das empresas.
O candidato afirmou que era preciso "estripar" a esquerda na Colômbia, embora depois tenha suavizado a declaração. Também fez comentários considerados homofóbicos e machistas, embora defenda maior igualdade e segurança para as mulheres.
