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PolíticaMPOL
02/10/2026
5 min

Candidatos se dividem em críticas ao cancelamento do debate na Globo; no Flow, Lula diz que é “infrutífero”

Os principais candidatos à Presidência da República não foram unânimes nas críticas ao cancelamento do debate da TV Globo, poucos antes do horário previsto para acontecer, nesta quinta-feira (1º), às 21h20. Teve quem culpou o judiciário, outro a falta do oponente, outro a covardia de outro oponente e, por fim, teve até quem aplaudiu a […]

Candidatos se dividem em críticas ao cancelamento do debate na Globo; no Flow, Lula diz que é “infrutífero”

Os principais candidatos à Presidência da República não foram unânimes nas críticas ao cancelamento do debate da TV Globo, poucos antes do horário previsto para acontecer, nesta quinta-feira (1º), às 21h20. Teve quem culpou o judiciário, outro a falta do oponente, outro a covardia de outro oponente e, por fim, teve até quem aplaudiu a decisão.

Para Ronaldo Caiado (PSD), o cancelamento do debate é um “atentado à democracia”, com o processo eleitoral no País “sendo destruído” e a democracia “sofrendo uma afronta”.

Caiado também criticou a decisão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de não comparecer ao encontro na Globo preferindo conceder uma entrevista ao Flow podcast.

“O Lula, desde o primeiro momento, fez questão de não só não comparecer, mas também buscar uma linha paralela no podcast para tentar inviabilizar. E a partir daí nós tivemos algo ainda mais grave”, afirmou. “Lula provocou isso tudo, foi determinante. Bateu em retirada e foi buscar todos os artifícios e decisões”, seguiu.

Conforme explicou a Globo em nota, o cancelamento do debate aconteceu após duas decisões da justiça dadas também pouco antes do debate: a que impediu que fosse filmado o púlpito vazio reservado a Lula e a que obrigou a presença do presidenciável Renan Santos (Missão). De acordo com a emissora, as decisões representaram uma “interferência indevida” na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates.

Flávio Bolsonaro: interferência do judiciário

Antes do anúncio do cancelamento do debate, Flávio Bolsonaro, que havia confirmado presença, já havia desistido de participar. Sem apresentar provas, o filho de Jair Bolsonaro afirmou ter havido uma tentativa de interferência do Judiciário nas eleições com a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de proibir a TV Globo de exibir o púlpito vazio com o nome de Lula.

“Não vou compactuar com censura e interferência do Judiciário nas eleições. Está todo mundo aqui pronto para ir à Globo. Nos preparamos”, disse, em vídeo publicado em suas redes sociais após anunciar que desistiria de comparecer ao programa. Após sua decisão, o debate acabou cancelado pela emissora.

Flávio acusou, também sem provas, a tentativa da campanha do presidente Lula de “ganhar no tapetão”. “A democracia perde muito. Estou na defesa da democracia. Todos podem observar que há um grande desespero por parte da campanha do Lula. Já sabem que vão perder no voto e estão tentando melar a eleição jogando no tapetão”, falou.

O candidato disse ainda que a decisão do TSE representa o “ápice” da insegurança jurídica: A insegurança jurídica vinha acontecendo não é de agora. Agora, chegou a seu ápice. Minutos antes de iniciar o debate da Globo, onde milhões de pessoas aguardavam ansiosamente para comparar as propostas de seus candidatos, e vem uma decisão, várias decisões”.

Renan Santos: Flávio Bolsonaro teve medo

Colocado como um dos “culpados” pelo cancelamento, Renan Santos (Missão) criticou o concorrente de direita Flávio Bolsonaro pela desistência em participar do debate.

Em vídeo publicado em rede social, Renan disse que o adversário cancelou a participação três minutos após sua inclusão no encontro ser oficializada e atribuiu a decisão a medo de enfrentá-lo.

“Flávio Bolsonaro cancelou participação três minutos após a minha ser oficializada”, declarou Renan. “O medo, a pauta que esse cara tem de mim.” O candidato também criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que já havia anunciado sua ausência. “Lula e Flávio Bolsonaro fugiram e, por conta dessa fuga, não vai ter debate”, afirmou.

Augusto Cury: insegurança jurídica e atentado à democracia

Augusto Cury (Avante) afirmou que as decisões que embasaram o cancelamento do debate presidencial pela TV Globo causam insegurança jurídica e representam um atentado à democracia.

Segundo Cury, o Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou um protagonismo “completamente desproporcional” no Brasil. O presidenciável também declarou que o cancelamento do debate, último antes do primeiro turno das eleições, foi uma “frustração tremenda”.

Cury disse ainda que o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) se acovardaram ao faltar ao programa. Lula informou na quarta-feira que não participaria. Já Flávio cancelou a participação três horas antes do início do debate, marcado para 21h30.

“Lula e Flávio Bolsonaro, vocês se acovardaram. Vocês amam muito mais o cargo do que a sociedade brasileira”, declarou.

Romeu Zema: cancelamento ‘faz sentido’

Romeu Zema (Novo) criticou a decisão do STF, que determinou a inclusão de Renan Santos no debate presidencial da TV Globo. Ele afirmou em vídeo nas redes sociais que a decisão da Globo “faz sentido” diante do que chamou de “insegurança jurídica total”.

“Debate cancelado. Fomos comunicados agora e faz sentido, sim. O Judiciário brasileiro se transformou numa bagunça, em um desrespeito total a quem segue as leis”, escreveu Zema em rede social.

O candidato afirmou que Renan foi incluído “em cima da hora” e “totalmente em desacordo com a legislação”.

“Triste dia para a democracia brasileira. Jogaram a última pá”, afirmou Zema. “É a eleição mais absurda da história do nosso País”, acrescentou.

Lula: debate com vários candidatos é ‘infrutífero’

Em entrevista ao Flow Podcast, no mesmo horário em que deveria ter acontecido o encontro de candidatos na TV Globo, Lula criticou o formato dos debates presidenciais com vários candidatos e defendeu uma espécie de “processo seletivo” que permita confrontos entre adversários com patamares semelhantes de intenção de voto.

“Quando você tem cinco ou seis candidatos, você fala um minuto e espera dez minutos, fala dois minutos e espera dez minutos. Não tem sequência. Você não pode pegar uma pessoa que tem 49% e levar para disputar com uma pessoa que está começando, tem 1%. É desproporcional até para o telespectador”, afirmou.

Lula comparou a dinâmica a um jogador que dá um pique e volta a descansar. “Eu, sinceramente, acho esses debates infrutíferos. Não produzem nada, não dão sequência”, disse. O petista também criticou o espaço para frases de efeito e provocações durante os confrontos e disse preferir formatos em que os candidatos respondam às mesmas perguntas.

Com informações do Estadão Conteúdo

AutorFernando Antunes
FonteMoney Times
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