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InvestMercadosACS
27/10/2026
4 min

Caneta emagrecedora compensa queda dos antigripais no balanço da Hypera do 3º tri

Semavy vende 93 mil unidades no 1º mês e lucro da farmacêutica sobe 16%

Caneta emagrecedora compensa queda dos antigripais no balanço da Hypera do 3º tri
  • Casos de gripe caíram 23% no trimestre e as vendas de antigripais recuaram 15% nas farmácias
  • Semavy, a semaglutida da Hypera, vendeu 93 mil unidades em setembro e já tem mais de 11% do mercado
  • Receita subiu 9,4%, para R$ 2,44 bilhões, e o lucro avançou 16,1%, para R$ 527 milhões
  • Lançamento encareceu o marketing e a venda para o varejo ainda não virou caixa

O inverno de 2026 teve menos gripe, e isso apareceu no balanço da Hypera (HYPE3). O número de casos de gripe no país caiu cerca de 23% no terceiro trimestre, segundo dados da InfoGripe, da Fiocruz, citados no balanço da companhia. Com menos gente doente, as vendas de antigripais nas farmácias encolheram 15%, refletindo em uma das categorias mais tradicionais da dona do Benegrip.

O buraco, entretanto, foi coberto por um produto que tinha menos de um mês nas prateleiras. O Semavy, versão da Hypera para a semaglutida, princípio ativo do Ozempic, chegou às farmácias em 4 de setembro e fechou o mês com cerca de 93 mil unidades vendidas. Foi o suficiente para tomar mais de 11% do mercado brasileiro de semaglutida injetável já no mês de estreia, de acordo com dados da IQVIA citados pela empresa.

No consolidado do trimestre, a caneta lançada por R$ 333 entrou na conta da receita líquida da empresa, que cresceu 9,4% na comparação anual, para R$ 2,44 bilhões. O lucro líquido das operações continuadas subiu 16,1%, para R$ 527 milhões.

Uma caneta em 18 mil farmácias

Em setembro, o Semavy foi vendido em mais de 18 mil pontos de venda no Brasil, diz a Hypera. O lançamento ajudou a expandir o mercado de canetas emagrecedoras como um todo, que cresceu 11,3% em unidades distribuídas, segundo a companhia.

A corrida nacional do Ozempic começou em março, quando a patente da Novo Nordisk expirou no Brasil. A EMS saiu na frente com o Ozivy, em junho, e a Hypera chegou três meses depois. Com a caneta, a companhia passou a atuar em 61% do mercado farmacêutico brasileiro, ante 58% no trimestre anterior, diz o balanço.

Nas farmácias, as vendas totais da Hypera ao consumidor, o chamado sell-out, cresceram 6,6% no trimestre, 1,2 ponto percentual acima do mercado em que a empresa atua. Além de diabetes e obesidade, puxaram o resultado as linhas de skincare, gastroenterologia e cardiologia. Sem o tombo dos antigripais, o número teria sido maior.

O custo de entrar na briga

Colocar uma caneta nova em milhares de farmácias em poucas semanas tem preço. As despesas com marketing subiram 13,1%, para R$ 414,7 milhões, e a parte destinada a propaganda e promoção ao consumidor avançou 17,6%. A empresa também ampliou as equipes de visitação médica para sustentar os lançamentos de produtos de prescrição.

Como os gastos cresceram mais rápido que a receita, a margem operacional encolheu. O Ebitda, que mede a geração de caixa da operação, subiu apenas 3,4%, para R$ 782,3 milhões, e a margem caiu de 34% para 32,1%.

Se a operação cresceu pouco, por que o lucro avançou 16%? A resposta está nos juros. A despesa com juros líquidos caiu 42,3% no trimestre, graças à queda da Selic e à redução da dívida após o aumento de capital de R$ 1,5 bilhão feito no primeiro trimestre. A dívida líquida terminou setembro em R$ 5,61 bilhões, equivalente a duas vezes o Ebitda dos últimos 12 meses.

Venda que ainda não virou caixa

Há uma diferença entre o que a Hypera vendeu e o que chegou às mãos do consumidor. Parte da distância vem do abastecimento inicial de Semavy em varejistas e distribuidores, que ainda precisam revender o produto.

Esse movimento aparece no balanço. As contas a receber saltaram R$ 204 milhões em três meses, para R$ 1,91 bilhão, e o prazo médio de recebimento passou de 60 para 64 dias.

Mesmo com lucro maior, o fluxo de caixa livre caiu 19,6%, para R$ 553,7 milhões. Também pesaram os investimentos em novas fábricas e na produção própria de marcas compradas nos últimos anos.

O teste dos próximos meses

O primeiro mês de uma caneta tende a ser o mais forte. Como parte dos pacientes compra pacotes para três meses, que no caso do Semavy saem por R$ 999, os meses de lançamento costumam concentrar vendas, e os seguintes tendem a ser mais fracos, como apontam analistas.

A concorrência também deve apertar. A Anvisa já concedeu dez registros de semaglutida similar em 2026, e a chegada de genéricos, que por regra precisam custar pelo menos 35% menos que o produto de referência, deve pressionar os preços.

A Hypera diz que vai manter o preço do Semavy ao longo do tratamento e que não pretende entrar em guerra de preços.

 

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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