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InvestMercadosACS
10/06/2026
6 min

Caneta emagrecedora mais barata dobra número de compradores, diz CEO da Pague Menos

Caneta emagrecedora mais barata dobra número de compradores, diz CEO da Pague Menos

A chegada do Ozivy, primeira semaglutida produzida no Brasil por síntese química e aprovada para comercialização no país, deve ampliar significativamente o acesso aos medicamentos da classe GLP-1, como Ozempic, Mounjaro e Wegovy, as chamadas canetas emagracedoras. Para a Pague Menos, a combinação entre preços mais baixos e capilaridade da rede, especialmente no Norte e Nordeste, abre espaço para uma nova onda de pacientes que até agora estavam fora desse mercado.

A caneta da EMS começa a ser vendida na próxima segunda-feira, 15, com preço a partir de R$ 452 por unidade, mas poderá custar R$ 287 por mês nos três primeiros meses para pacientes cadastrados no programa Vida + Leve. Após esse período, o valor será de R$ 498 por caneta. A primeira leva terá mais de 500 mil unidades distribuídas pelas principais redes farmacêuticas do país.

Para Jonas Marques, CEO da Pague Menos, o impacto da redução de preço vai além da concorrência e representa uma mudança estrutural no acesso ao tratamento.

"Se voltarmos um passo atrás, o advento do GLP-1 como amplificação de saúde, como perda de peso e combate à obesidade já muda a história da humanidade. Nos Estados Unidos a penetração é de 12% a 13%, no Canadá chega a 15%. No Brasil estamos em 4,6%. Ou seja, ainda existe muito espaço para ampliar o acesso", afirma.

Segundo dados da NielsenIQ, apenas 4,6% dos lares brasileiros utilizam medicamentos à base de GLP-1 atualmente. Outros 26,1% são considerados potenciais usuários, mas ainda não iniciaram o tratamento, principalmente por causa do custo elevado. Na avaliação do executivo da rede de farmácias, o preço do Ozivy cria uma nova faixa de consumidores para o mercado.

"Quando você fala em um custo de cerca de R$ 10 por dia nos primeiros meses, você traz uma outra camada da população para dentro do tratamento. A classe média brasileira passa a ter uma oportunidade real de conversar com seu médico e avaliar o uso da semaglutida", diz.

Marques destaca ainda que o avanço desses medicamentos tem potencial de gerar benefícios de saúde pública. Segundo o CEO, uma perda de apenas 5% do peso corporal já está associada à redução de eventos cardiovasculares e melhora da qualidade de vida.

Preço menor mais que dobra o número de pacientes

A aposta da Pague Menos em uma expansão do mercado não é apenas teórica. Segundo o executivo, a rede já observou esse movimento recentemente após a redução de preços promovida por um concorrente. "Nós analisamos as últimas dez semanas e vimos que, quando houve uma redução de preço de cerca de 50%, o número de pacientes mais do que dobrou", afirma.

O dado mais relevante, segundo Marques, é a origem desses consumidores. Dos pacientes que entraram após a redução de preço, 84% eram novos usuários. "Não houve canibalização relevante. Isso mostra que o fator principal era acesso". Hoje, quase 16% dos potenciais consumidores afirmam que não utilizam GLP-1 exclusivamente por causa do custo do tratamento, segundo a NielsenIQ.

"Quando analisamos quem já utiliza semaglutida, vemos uma possível canibalização de no máximo 9%. O principal efeito é trazer novos pacientes para a categoria", acrescenta o CEO.

Norte e Nordeste são aposta para próxima fase de crescimento

Se o preço menor pode expandir o mercado nacional, a Pague Menos acredita ter uma vantagem específica na disputa por esses novos consumidores, com sua forte presença nas regiões Norte e Nordeste. Cerca de 70% da operação da companhia está concentrada nessas regiões, justamente onde a penetração dos medicamentos ainda é muito inferior à média nacional.

Os dados da NielsenIQ também mostram que, enquanto o Brasil registra penetração de 4,6% dos lares, o índice no Nordeste é de apenas 2,2%, menos da metade da média nacional.

"Embora sejamos a segunda ou terceira maior rede do país, quando falamos em acesso nós somos a primeira. Estamos no Norte e Nordeste, onde a penetração desses medicamentos é muito menor. Estamos nos preparando para acolher esse novo paciente e esse novo consumidor", afirma Marques.

O CEO vê o movimento como uma oportunidade de crescimento associada ao envelhecimento da população brasileira e ao aumento da preocupação com qualidade de vida. "Estamos muito otimistas porque atuamos justamente onde a penetração é menor. Nosso foco é orientar corretamente as pessoas em um mundo que está ficando mais saudável".

A estratégia da companhia não se limita à comercialização das canetas. Das cerca de 1.700 lojas da rede, 1.300 possuem unidades do Clinic Farma, estrutura de serviços de saúde que oferece exames e acompanhamento farmacêutico. Segundo Marques, a intenção é transformar a farmácia em um ponto de orientação para pacientes que iniciam tratamentos de longo prazo.

"A obesidade é uma condição complexa. Não basta apenas dispensar o medicamento. É importante garantir que a pessoa receba a orientação correta sobre o uso, reforçando aquilo que foi recomendado pelo médico".

Corrida logística para acompanhar a demanda

A popularização dos GLP-1 também está provocando uma corrida logística entre as grandes redes farmacêuticas. Esses medicamentos exigem controle rigoroso de temperatura desde o centro de distribuição até a entrega nas lojas, o que demanda investimentos em infraestrutura refrigerada.

A concorrente RD Saúde, dona das redes Raia e Drogasil,inaugurou recentemente um novo centro de distribuição em Itupeva, no interior de São Paulo, com a maior câmara refrigerada entre os 16 Centros de Distribuição da companhia. A empresa afirma que os medicamentos à base de GLP-1 já representam mais de 10% de seu faturamento e foram um dos principais motores de crescimento da categoria de medicamentos de marca no primeiro trimestre.

Na Pague Menos, a logística também é um ponto de atenção da companhia. "Há dois meses inauguramos nosso novo centro de distribuição na Paraíba, que é o décimo da companhia. O objetivo é reduzir o tempo de entrega dos produtos, diminuir estoques e garantir a qualidade de toda a cadeia logística",  afirma Marques.

A iniciativa dialoga diretamente com um dos pontos observados por analistas no balanço de 1° trimestre da rede farmacêutica. Relatório da XP destacou que a estabilização do novo centro de distribuição da Paraíba deve contribuir para melhorar a dinâmica de capital de giro da rede ao longo dos próximos trimestres.

Além disso, a expansão do mercado de GLP-1 tem relevância crescente para os resultados financeiros da varejista. De janeiro a março, esses medicamentos responderam por 9,1% das vendas da Pague Menos, participação que cresceu 167% em relação ao mesmo período do ano anterior.

AutorClara Assunção
FonteExame
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