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Sacre Investimentos
InvestMercadosACS
09/08/2026
5 min

Canetas emagrecedoras impulsionam vendas, mas pressionam margens de farmácias

Resultados de Pague Menos, RD Saúde e Panvel mostram que a categoria cresce, mas o maior peso no mix reduz a rentabilidade

Canetas emagrecedoras impulsionam vendas, mas pressionam margens de farmácias

Os balanços do segundo trimestre das grandes redes de farmácias listadas na Bolsa confirmaram uma contradição que já começava a aparecer no setor. As chamadas "canetas emagrecedoras" continuam sendo um importante motor de crescimento, mas o avanço dos medicamentos GLP-1 não necessariamente se converte em mais rentabilidade para as varejistas. Em algumas companhias, o aumento da participação desses produtos no mix pressionou a margem bruta.

O movimento havia sido antecipado em reportagem da revista EXAME publicada antes da divulgação dos balanços.

Naquele momento, o mercado já discutia se a expansão dessas "canetinhas", desenvolvidas inicialmente para o tratamento de diabetes, mas que passaram a ser indicadas também para obesidade, seria suficiente para compensar a queda de preços provocada pela entrada de concorrentes e, principalmente, se o aumento do volume vendido seria capaz de preservar as margens das farmácias.

Os resultados financeiros do 2° trimestre do ano mostram que a resposta, por enquanto, é mais complexa.

Na Pague Menos (PGMN3), a receita bruta cresceu 9,3%, para R$ 4,3 bilhões, enquanto as vendas em mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês) avançaram 8%, abaixo dos 13% registrados no primeiro trimestre. A própria companhia reconheceu que teve seu menor patamar de crescimento no trimestre. “Tivemos o menor patamar de crescimento no trimestre”, disse o CEO Jonas Marques a analistas nesta semana.

Segundo o executivo, parte do problema esteve no canal digital. A empresa trouxe novos clientes, mas não tinha infraestrutura suficiente para atender à demanda, especialmente nas vendas de medicamentos GLP-1. O problema ocorreu durante uma atualização do sistema da Vtex, no momento do pagamento dos produtos.

“Nós poderíamos ter feito melhor, nós erramos, o digital ficou sobrecarregado. Em 2024 começamos a melhorar o digital e estamos trabalhando diuturnamente para melhorar isso”, afirmou Marques.

O impacto apareceu justamente em uma categoria que vinha ganhando espaço rapidamente. A contribuição dos GLP-1 para o crescimento da empresa caiu para 3,2% no segundo trimestre, ante 6,5% no primeiro trimestre, segundo o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME).

Mesmo com a desaceleração das vendas, a rentabilidade operacional da companhia melhorou. O Ebitda ajustado atingiu R$ 281,7 milhões, alta de 15% na análise do BTG, e a margem Ebitda chegou a um recorde de 6,5%, ante 6,1% um ano antes. A margem bruta, por outro lado, recuou de 30,7% para 30,6%.

O Safra classificou o resultado como neutro, destacando o desempenho operacional, mas chamou atenção para a geração de caixa. O banco afirmou que o crescimento da receita continuou saudável, embora a desaceleração tenha prosseguido, e destacou que a menor contribuição dos GLP-1 foi um dos fatores por trás da perda de ritmo do SSS.

O BTG também apontou a menor exposição aos GLP-1 como uma das razões para a desaceleração das vendas em mesmas lojas. Segundo o banco, a participação dos medicamentos na receita caiu para 8,2%, ante 9,1% no primeiro trimestre, enquanto a contribuição para o crescimento da receita caiu de 6,5 pontos percentuais para 3,2 pontos.

Na RD Saúde, vendas de GLP-1 avançam, mas mix pesa sobre margem

Na RD Saúde (RADL3), maior rede de farmácias do país, o fenômeno apareceu de outra forma. A receita bruta avançou 18%, para R$ 12,8 bilhões, e a companhia continuou ganhando participação de mercado. As vendas em mesmas lojas cresceram 13%, enquanto as lojas maduras avançaram 11%.

Dentro do mix, os medicamentos de marca cresceram 24% na comparação anual, impulsionados principalmentepelos produtos GLP-1. Ao mesmo tempo, porém, a margem bruta caiu de 29% para 28,9%.

“A maior participação de medicamentos GLP-1, o ajuste não caixa do valor presente líquido e menores ganhos com inflação de estoques foram quase compensados por ganhos comerciais e uma base de comparação favorável para perdas de estoque”. Ou seja, mesmo com o forte crescimento da categoria, o aumento de sua participação no mix teve efeito negativo sobre a rentabilidade bruta.

A margem Ebitda, contudo, permaneceu praticamente estável, em 8%, em função da diluição das despesas gerais e administrativas. O Ebitda ajustado chegou a R$ 1,017 bilhão, alta de 18%.

A geração de caixa foi outro destaque. O fluxo de caixa livre chegou a R$ 550 milhões, enquanto a dívida líquida ajustada caiu 25%, para R$ 3 bilhões. A alavancagem passou de 1,3 vez para 0,8 vez o Ebitda em um ano.

Para o Safra, foi justamente essa combinação de crescimento e geração de caixa que sustentou uma leitura positiva do trimestre, apesar da pressão sobre a margem bruta.

Panvel mostra o mesmo dilema

NaPanvel (PNVL3), o avanço do GLP-1 foi ainda mais expressivo. As vendas da categoria cresceram 63,6% na comparação anual e passaram a representar 11,3% da receita do varejo.

O Itaú BBA classificou o resultado como positivo, destacando que o crescimento acelerou e que a alavancagem operacional ajudou a compensar as pressões sobre a margem.

Mas, novamente, a maior participação das canetas veio acompanhada de pressão sobre a rentabilidade. A margem bruta consolidada caiu 0,5 ponto percentual na comparação anual. Segundo o banco, a administração atribuiu a pressão a um menor ajuste da CMED, à maior participação de medicamentos de marca e à menor participação de produtos isentos de prescrição.

O relatório, porém, destacou explicitamente que as vendas de GLP-1 cresceram 63,6% e responderam por 11,3% da receita do varejo, permanecendo uma importante fonte de crescimento, mas também funcionando como um vento contrário para a margem.

Ainda assim, a Panvel conseguiu compensar parte desse efeito com ganhos de eficiência. As despesas com vendas tiveram diluição de 70 pontos-base, enquanto a margem EBITDA ajustada subiu 40 pontos-base, para 5,4%. O lucro líquido ajustado chegou a R$ 38,9 milhões, alta de 39,1%.

O Itaú BBA manteve uma visão positiva sobre a companhia e afirmou que o trimestre reforçou sua tese de investimento, embora tenha reconhecido que “a economia dos GLP-1 continua sendo um debate importante para os próximos trimestres”, disse o banco.

AutorClara Assunção
FonteExame
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