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Sacre Investimentos
InvestMercados
28/07/2026
4 min

Canetas emagrecedoras movimentam R$ 6,1 bi no e-commerce em 2026

Com alta de 213%, medicamentos para obesidade puxaram avanço de 45,8% da categoria de Saúde, a que mais cresceu no e-commerce brasileiro no 1° semestre

Canetas emagrecedoras movimentam R$ 6,1 bi no e-commerce em 2026

A categoria de Saúde registrou o maior crescimento do e-commerce brasileiro no primeiro semestre de 2026, em um movimento puxado pelo avanço das vendas de medicamento à base de GLP-1, as chamadas canetas emagrecedoras, segundo relatório "Da Compra à Confiança — Panorama do e-commerce brasileiro no primeiro semestre de 2026", divulgado nesta terça-feira, 28, pela Confi, por meio da Neotrust e da Aftersale, em parceria com o E-commerce Brasil.

De janeiro a junho, as vendas das "canetinhas" movimentaram R$ 6,1 bilhões no comércio eletrônico, um salto de 213% em relação ao mesmo período do ano passado.

O desempenho fez a categoria de Saúde avançar 45,8% no semestre, o maior crescimento entre todos os segmentos monitorados pelo estudo, à frente de Casa e Construção (26,9%), Moda e Acessórios (23,1%) e Esporte e Lazer (20,9%).

Apesar de Moda e Acessórios continuar como a maior categoria em faturamento, com R$ 19,3 bilhões, seguida por Eletrodomésticos (R$ 19,2 bilhões), Saúde consolidou a terceira posição ao movimentar R$ 15,5 bilhões, evidenciando o peso crescente dosmedicamentos para obesidade no varejo digital.

Caneta emagrecedora impulsiona venda de suplementos e vitaminas nas farmácias

O resultado reforça uma tendência que já vinha sendo apontada por analistas e pelo setor farmacêutico. Em relatório recente, o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) classificou a América Latina como a próxima fronteira de expansão dos medicamentos à base de GLP-1 após o forte crescimento observado nos Estados Unidos e na Europa.

Segundo o banco, o mercado global desses medicamentos foi estimado em cerca de US$ 63 bilhões em 2025 e deve superar US$ 73 bilhões em 2026, impulsionado pelo aumento da obesidade, maior cobertura dos tratamentos, ampliação das indicações médicas e maior confiança nos resultados clínicos.

Na avaliação do BTG, o debate já não é mais se os medicamentos irão transformar os padrões de saúde e consumo, mas a velocidade com que esse impacto será percebido em diferentes setores da economia.

O crescimento também ocorre em um momento de expectativa de maior acesso aos tratamentos no Brasil. Em relatório divulgado em março, o Itaú BBA projetou que o mercado brasileiro desses produtos, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, poderá crescer de cerca de R$ 10 bilhões em 2025 para aproximadamente R$ 50 bilhões até 2030.

Segundo o banco, a expansão deve ser favorecida pelaqueda da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, que abre espaço para a entrada gradual de versões mais baratas. Atualmente, o alto custo dos medicamentos limita seu uso a uma base estimada entre 1,5 milhão e 2 milhões de brasileiros, mas a expectativa é de que a redução dos preços amplie significativamente o número de pacientes ao longo dos próximos anos.

Os efeitos desse movimentojá começam a se espalhar por outras categorias do varejo farmacêutico. Levantamento da Impulso, plataforma de Retail Media da RD Saúde, mostrou que consumidores em tratamento com GLP-1 aumentaram em 65% os gastos com vitaminas e em 60% os desembolsos com suplementos no período de 12 meses encerrado em março de 2026.

Em volume, as vendas de suplementos cresceram 70%, indicando que a adoção das canetas emagrecedoras vem estimulando uma cesta de consumo mais ampla voltada à saúde e ao bem-estar.

Expansão do e-commerce

No relatório da Confi, o avanço da categoria de Saúde ocorre em um cenário de expansão do comércio eletrônico como um todo.

O e-commerce brasileiro faturou R$ 208,4 bilhões no primeiro semestre, alta de 16,9% na comparação anual, com 756,7 milhões de pedidos, um crescimento de 34,8%. Segundo o estudo, o desempenho foi sustentado por consumidores que passaram a comprar com mais frequência, ainda que com menos itens por pedido e menor tíquete médio.

AutorClara Assunção
FonteExame
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