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Sacre Investimentos
InvestMercados
21/10/2026
4 min

Carrefour prevê prejuízo de € 200 milhões com protestos na França e ação desaba 13%

Manifestações atingem lojas, pressionam ações em Paris e elevam incertezas para grandes companhias francesas

Carrefour prevê prejuízo de € 200 milhões com protestos na França e ação desaba 13%

A onda de protestos que tomou as ruas da França nos últimos dias começou a pesar sobre os negócios das empresas e a Bolsa de Paris. Nesta quarta-feira, 21, as ações do Carrefour chegaram a recuar mais de 13% depois que a rede de supermercados reduziu suas projeções de lucro para 2026.

A empresa alega dificuldades para manter o funcionamento regular de suas unidades diante dos confrontos e das restrições de circulação impostas em algumas cidades. Também citou prejuízos provocados por saques, depredações e interrupções nas operações. A instabilidade também aumenta a pressão sobre outros setores da economia francesa, em um momento de preocupação com as contas públicas e o crescimento do país.

Os protestos ganharam força no sábado, 17, quando milhares de franceses saíram às ruas para reivindicar melhores condições de vida, investimentos em educação e respostas ao aumento do custo de vida.

Carrefour reduz projeções após prejuízos em lojas

O impacto dos protestos levou o Carrefour a abandonar parte das suas expectativas de crescimento em 2026. A empresa passou a projetar estabilidade ou ligeira alta no lucro ajustado por ação, substituindo a estimativa anterior de crescimento próximo de 10%.

A companhia também reduziu a previsão de expansão da margem operacional recorrente. Antes, esperava uma melhora superior a 0,25 ponto percentual em relação a 2025. Agora, trabalha com um avanço de até 0,15 ponto percentual, partindo de uma margem de 2,6% registrada no ano passado.

A redução do movimento de consumidores, o fechamento antecipado de estabelecimentos e os gastos adicionais com segurança também pressionam os resultados. O CEO do Carrefour, Alexandre Bompard, classificou a situação como "sem precedentes", segundo comunicado da rede.

O grupo decidiu ainda reduzir em 100 milhões de euros os investimentos previstos na França para o restante do ano. A medida representa uma tentativa de preservar recursos em um cenário de maior incerteza operacional.

O diretor-financeiro do Carrefour, Matthieu Malige, estimou que os protestos podem provocar um impacto de € 80 milhões a € 200 milhões no lucro operacional.

Protestos também pressionam os bancos e a bolsa francesa

Os efeitos da instabilidade ultrapassam o setor supermercadista, e as ações e os títulos públicos franceses passaram a enfrentar maior pressão em meio à escalada dos protestos e às dificuldades do governo para administrar as contas públicas.

Os rendimentos dos títulos soberanos franceses chegaram aos maiores níveis em 24 anos. Já o setor bancário ficou sob pressão com a combinação de incerteza política, deterioração das condições financeiras e dificuldades para a aprovação do orçamento público.

Enquanto isso, a França já enfrenta desafios fiscais importantes, e a continuidade dos protestos acrescenta um novo fator de instabilidade. Uma elevação prolongada dos custos de financiamento pode afetar as condições de crédito e a atividade econômica, a depender da duração da crise.

Michelin recua e setor de luxo apresenta desempenho desigual

Outras companhias francesas também registraram oscilações relevantes na Bolsa. A Michelin (MICP), fabricante de pneus, recuava 6,77% durante a manhã, após divulgar vendas abaixo das expectativas. Assim, a queda não foi atribuída diretamente aos protestos.

No setor de luxo, a reação foi diferente. A EssilorLuxottica (ESLX), fabricante de óculos e proprietária de marcas internacionais, esteve entre os destaques positivos, avançando 15,78%, algo que ajudou a compensar parte das perdas registradas em outros segmentos.

Até o momento, não há estimativas financeiras consolidadas que permitam atribuir perdas específicas dos protestos aos resultados de grandes grupos de luxo, como a LVMH, dona de marcas como Louis Vuitton, Dior, Fendi e Givenchy, e a Kering, controladora de Gucci, Saint Laurent, Balenciaga e Bottega Veneta.

Mas lojas de artigos de alto padrão estiveram entre os estabelecimentos saqueados durante os confrontos do dia 17 de outubro, ao lado de supermercados, farmácias, concessionárias de veículos e lojas de telefonia.

Governo tenta conter crise antes de novos protestos

A resposta do governo francês também passou a ser acompanhada pelo mercado. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu reconheceu falhas na atuação das forças de segurança durante os confrontos e anunciou medidas adicionais para conter novosepisódios de violência.

O governo decidiu mobilizar militares para apoiar as operações de segurança e reforçar a presença policial diante da possibilidade de novas manifestações. As autoridades também adotaram restrições de circulação em determinadas regiões.

Apesar das medidas anunciadas, grupos estudantis e movimentos sociais pretendem manter as mobilizações. Isso quer dizer que é mais difícil prever quando o comércio poderá retomar suas atividades sem restrições.

*Com agências internacionais

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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