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InvestMercados
20/07/2026
3 min

Carro elétrico põe em xeque sobrevivência de montadoras dos EUA na China

Carro elétrico põe em xeque sobrevivência de montadoras dos EUA na China

Depois de bater recorde de vendas em 2025, o setor automotivo na China pode enfrentar o pior desempenho do mercado desde 2021. As vendas de veículos de passeio caíram 20,2% no primeiro semestre na base anual, e a China Passenger Car Association (CPCA) revisou para baixo sua estimativa de crescimento.

Analista e chefe de pesquisa industrial para Hong Kong e China na Citic CLSA, Xiao Feng vê que as fabricantes dos Estados Unidos não devem sobreviver à concorrência acirrada no país, restando no mercado nomes como as chinesas BYD, Geely e Leapmotor, além da alemã Volkswagen e da japonesa Toyota.

Entre as grandes chinesas, a BYD liderou com 1,8 milhão de vendas no primeiro semestre, seguida por Geely, com 1,4 milhão, e Leapmotor, com 356 mil unidades. Do lado estrangeiro, a Volkswagen somou 973 mil entregas no período e a Toyota, 579 mil, considerando janeiro a maio.

A CPCA espera fechar 2026 com 20,4 milhões de unidades entregues, abaixo dos 23,7 milhões vendidos no ano passado. Até o momento, as vendas acumuladas do primeiro semestre somam 8,7 milhões de unidades, enquanto Feng projeta um cenário ainda mais duro, com queda acumulada de 20% no ano.

Ele projeta alguma resiliência apenas nos veículos elétricos e híbridos, cujas vendas devem cair entre 5% e 6%.

Combustível caro e menor subsídio travam demanda

Dois fatores puxam o consumo para baixo neste ano. O primeiro é o custo da energia usada em transporte, que subiu 15,3% em junho na comparação anual, segundo dados do departamento nacional de estatísticas da China.

Esse encarecimento derrubou a procura por carros a combustão, cujas vendas no varejo caíram 39% em junho, com os modelos puramente a gasolina recuando 42% e respondendo sozinhos por 78% de toda a queda do mês no segmento de passeio.

O segundo fator é a retirada dos incentivos fiscais a veículos elétricos por parte de Pequim, que vinha sustentando artificialmente a demanda nos últimos anos. Para Feng, o desempenho baixo das vendas em 2026 pode ser, ainda, um reflexo de antecipação da demanda que ocorreu em 2025.

Margem apertada ameaça tirar montadoras do jogo

O analista acredita que a combinação de custo alto e margem baixa vai forçar uma consolidação do setor, reduzindo o mercado fragmentado de elétricos da China a apenas sete ou oito grandes players até 2030.

A margem de lucro do setor está em 3,4% entre janeiro e maio deste ano, com o lucro da indústria caindo 20%, conforme o secretário-geral da CPCA, Cui Dongshu, em declaração repercutida pela CNBC. Já o preço médio dos veículos de passeio caiu mais de 1% em junho.

Exportações podem puxar a virada em 2027

Feng mantém a expectativa de que o segmento volte a crescer em 2027, apoiado por melhora na demanda. Isso porque o mercado automotivo chinês é, na sua visão, um segmento cíclico, em que o envelhecimento da frota tende a puxar naturalmente a troca de veículos e, com isso, novas vendas.

"Com uma perspectiva econômica mais favorável, poderia se esperar um crescimento ainda maior [no mercado de veículos elétricos]", acrescentou.

E parte dos consumidores estrangeiros já migram para os elétricos chineses por causa do baixo custo operacional, de acordo com dados coletados pela CNBC. As vendas externas de veículos de passeio cresceram 11,5% em junho ante maio e saltaram 82,3% na comparação com igual mês do ano passado.

*com agências internacionais

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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