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Sacre Investimentos
CiênciaCMDT
02/08/2026
3 min

Carvão oculto desvenda a idade real de pinturas rupestres após mais de um século

Nova técnica de datação identificou carbono nos pigmentos e mostrou que algumas figuras foram produzidas em períodos diferentes

Carvão oculto desvenda a idade real de pinturas rupestres após mais de um século

Pesquisadores conseguiram determinar, pela primeira vez, a idade exata de pinturas pré-históricas da caverna de Font-de-Gaume, no sudoeste da França. A descoberta foi possível após a identificação de carvão vegetal oculto nos pigmentos pretos, permitindo aplicar a técnica de datação por carbono-14 diretamente nas obras.

O estudo, liderado por pesquisadores do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS) e publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), também mostrou que algumas figuras foram modificadas em períodos separados por milhares de anos.

Por que essas pinturas eram consideradas impossíveis de datar?

A caverna de Font-de-Gaume, localizada na região da Dordonha, abriga algumas das mais importantes pinturas rupestres da Europa. No entanto, determinar quando elas foram produzidas sempre foi um desafio.

Isso porque os pesquisadores acreditavam que os pigmentos pretos utilizados nas pinturas eram formados apenas por óxidos de ferro e manganês. Como esses minerais não contêm carbono orgânico, não era possível utilizar a datação por radiocarbono.

Para investigar essa hipótese, a equipe analisou duas figuras negras da caverna — um bisão e uma imagem descrita como uma máscara — usando microespectrometria Raman e imageamento hiperespectral, técnicas capazes de identificar a composição química dos pigmentos sem causar danos às pinturas.

As análises revelaram que ocarvão vegetal estava distribuído de forma uniforme ao longo dos traços pretos, indicando que fazia parte do pigmento original e não era resultado de contaminações posteriores.

Carvão permitiu datar as pinturas por carbono-14

Após confirmar a presença de carvão, os pesquisadores receberam autorização para retirar amostras extremamente pequenas das pinturas e submetê-las à datação por carbono-14.

Os resultados mostraram que o bisão foi pintado entre 13.461 e 13.162 anos antes do presente (cal BP), período correspondente ao Paleolítico Superior, fase final da Idade da Pedra Lascada marcada pela produção de algumas das mais famosas pinturas rupestres da Europa.

Segundo os autores, a nova data é um pouco mais recente do que as estimativas anteriores para essa figura.

Pintura foi modificada ao longo de milhares de anos

A figura semelhante a uma máscara apresentou um resultado mais complexo. As amostras coletadas em diferentes partes da imagem produziram três intervalos distintos de idade: entre 15.981 e 15.121 anos, entre 15.297 e 14.246 anos e entre 8.993 e 8.590 anos antes do presente.

Os pesquisadores afirmam que esses resultados indicam que a imagem não foi produzida em um único momento. Em vez disso, ela pode ter sido modificada ou ampliada em diferentes épocas, sugerindo que a caverna continuou sendo frequentada e utilizada por comunidades humanas durante milhares de anos.

Segundo os autores, a combinação entre imageamento químico e datação por radiocarbono oferece uma nova ferramenta para investigar pinturas rupestres que até então eram consideradas impossíveis de datar.

A técnica pode ajudar arqueólogos a identificar quais figuras foram produzidas no mesmo período, compreender como os estilos artísticos mudaram ao longo do tempo e reconstruir quando grupos humanos retornaram às cavernas para criar novas pinturas ou modificar imagens já existentes.

AutorVanessa Loiola
FonteExame
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