Casal transforma casa de praia em pousada com diárias até R$ 12 mil em Maragogi
Com 20 acomodações e R$ 19,5 milhões investidos em quatro anos, empreendimento aposta em exclusividade e preservação ambiental

O que era para ser uma casa de praia familiar se tornou em uma pousada que aparece nas listas de melhores do Brasil. Com diárias de até R$ 12 mil, a Camurim Grande, localizada em Maragogi, em Alagoas, mira o público premium. Apenas 20 acomodações compõem o cenário junto com 880 árvores plantadas pelo próprio casal dono do empreendimento, Marcelo Lacerda e Cristiana Freire.
“A pouca quantidade de acomodações é um dos principais atrativos para os hóspedes que nos procuram. Essa exclusividade e essa área verde traz cada vez mais pessoas”, diz Lacerda.
O negócio completa 15 anos e, somente nos últimos quatro, foram investidos R$ 19,5 milhões. O terreno original era para ser loteamentos, mas foi adquirido em 1990 pelo casal. No começo, foram poucas quadras. Depois, as compras foram aumentando até chegar nos atuais 6,5 hectares. Nos 600 metros de orla, é possível ver a maior barreira de corais do Brasil e a quarta maior do mundo, com 130 km de extensão.
Ele, produtor de cana-de-açúcar, e a esposa — num passado, dona de casa — contam que ao construírem a casa, alguns amigos pediam para alugá-la. Eles falaram: “Faz mais que acomodações que a gente aluga”. Em um ano bom para a agricultura, usaram o dinheiro para investir no negócio e, de fato, transformar o local em um hotel. Até que no dia 1º de junho de 2011, um casal resolveu fechar 20 acomodações para o réveillon daquele ano.
Pousada Camurim Grande, em Maragogi (AL), quando era uma casa de praia (Camurim Grande/Divulgação)
“Só que teve um detalhe, que foi uma ousadia: nós não tínhamos as 20 acomodações. Fechamos um contrato com ele em março e dali fomos fazer o projeto, achamos uma construtora e começamos a construir no dia 1º de junho e entregamos para esses hóspedes no dia 27 de dezembro. Abrimos a pousada sem cabeceiras de cama, com alguns chuveiros sem funcionar, mas deu certo”, relembra Freire.
O local era uma península entre o Rio Maragogi e o mar, conta Lacerda. Depois, conseguiram comprar um terreno do vizinho e concorrente, o Salinas Maragogi, e contruir uma ponte para ter acesso a via. “Não tinha acesso para a propriedade. Construímos a casa com o material passando pela praia de noite”, diz.
Na contramão de grandes resorts, mas não os únicos
Camurim Grande, pousada em Maragogi (AL), do casal Cristiana Freire e Marcelo Lacerda (Camurim Grande/Divulgação)
Atualmente, segundo a Costa dos Corais Convention & Visitors Bureau, há 175 meios de hospedagem em Maragogi, que somam 6,3 mil leitos com taxa de ocupação média anual de 80% a 97%. E a região tem previsão de crescer mais ainda com a entrega do aeroporto prevista para 2027. Só entre 2024 e 2026, de acordo com o levantamento, o metro quadrado valorizou 40%. Em toda a região, foram destinados R$ 700 mil na promoção turística neste ano.
“Outras pousadas que tiram de você, são concorrentes, afinal não deixamos de ser um negócio. Mas eu acho que a gente consegue ficar diferente de quase tudo que tem na região pela exclusividade”, afirma Freire, citando os hotéis Nannai, em Ipojuca (PE), o Kenoa, na Barra de São Miguel (AL), e o Antonina, em Maragogi (AL), como os principais.
Mas, para a proprietária, eles vão, em partes, na contramão do mercado. Segundo ela, a taxa de construção da propriedade atualmente é menos de 5%, ou seja, estão “habitando menos e preservando mais”. Ao mesmo tempo, não são os únicos a fazerem isso. “A hotelaria está mudando. Ela está mais nichada, então tem mais hotéis pequenos, dando uma hospedagem mais refinada. Isso é um movimento que está acontecendo agora”, comenta. “Mas qualquer empresário aqui iria construir prédios altos”, pontua Lacerda.
Ampliação com olhos no ESG
A Camurim Grande tem no seu escopo as políticas ESG. Redução de plástico, meta de lixo zero, reaproveitamento de água de chuva, energia 100% renovável e recuperação do manguezal no entorno do rio, a ideia agora é ampliar o terreno para outras práticas. Oito hectares foram adquiridos do outro lado da pista por R$ 16 milhões para realizar compostagem e também criar uma horta orgânica e um galinheiro.
Cada árvore existente na pousada também foi plantada pelo casal. Segundo Freire, a temperatura do local é 1,5ºC menor do que em outras áreas ao redor, devido à vegetação. De shampoos a loções corporais e sabonetes, tudo é produzido na pousada de maneira orgânica e vegana. “A saboneteira Verde Camurim é uma consequência natural de toda essa parte da sustentabilidade que vivemos aqui”, destaca a fundadora.
Quem paga por tudo isso?
As 20 acomodações são distribuídas entre chalés, bangalôs, casas e cabanas. As unidades têm entre 70 e 242 metros quadrados, com varandas privativas e, em algumas categorias, piscinas exclusivas. E quem paga por tudo isso? Cerca de 70% dos hóspedes vêm de São Paulo, explicam os sócios. O restante se divide principalmente entre o Centro-Oeste, com forte presença de pessoas ligadas ao agronegócio, e estados do Sul, além de Brasília e Goiânia.
Para os proprietários, porém, o preço não está apenas na estrutura física. A pousada se define como uma “hotelaria artesanal” e “autoral”, em que o objetivo é oferecer uma experiência personalizada ao hóspede. A operação também é intensiva em mão de obra: são quase cinco funcionários por acomodação. Agora, a intenção dos proprietários é levar essa experiência para além do público brasileiro. Freire diz que uma das principais metas é aumentar a visibilidade da pousada no exterior e atrair mais estrangeiros.
