Casas Bahia (BHIA3) paga aluguel ao HSLG11, mas segue devendo ao FII; entenda como fica a ação de despejo
O pagamento foi realizado na última quarta-feira (14), no valor de R$ 2,87 milhões, acrescido de R$ 57,5 mil em multa por atraso

Depois de o fundo imobiliário HSI Logística (HSLG11) entrar com uma ação de despejo contra a Casas Bahia (BHIA3), inquilina de dois imóveis do FII, a varejista decidiu quitar parte da dívida. Segundo fato relevante divulgado ao mercado, a empresa pagou o aluguel referente a setembro do galpão de Contagem (MG).
No entanto, a varejista, que está em recuperação judicial, continua inadimplente com o pagamento do aluguel do ativo localizado em São José dos Pinhais (PR).
O pagamento relativo ao empreendimento mineiro foi realizado na última quarta-feira (14), no valor de R$ 2,87 milhões, acrescido de R$ 57,5 mil em multa por atraso. Com isso, o montante desembolsado pela Casas Bahia chegou a R$ 2,93 milhões.
Mesmo tendo quitado a dívida, a ação de despejo contra a empresa referente ao galpão de Contagem permanece em andamento.
Isso porque, de acordo com o HSLG11, o pagamento ocorreu após o ajuizamento da ação e não caracteriza a purgação da mora prevista em lei — ou seja, não neutraliza os efeitos da inadimplência.
Casas Bahia ainda deve R$ 1,4 milhão ao HSLG11
No caso do imóvel de São José dos Pinhais, o valor em aberto é de R$ 1,43 milhão, sem considerar multas e juros por atraso.
Diante da inadimplência, a ação de despejo referente ao galpão paranaense também seguirá em andamento. O processo foi ajuizado em 8 de outubro, quando foi divulgado pelo fundo ao mercado.
O HSLG11 também destacou que, por se tratar de um crédito posterior ao pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, o montante devido tem natureza extraconcursal.
Na prática, isso significa que o crédito não se submete, em regra, aos efeitos da RJ, conforme as disposições legais aplicáveis. Assim, a empresa continua obrigada a fazer o pagamento dentro do prazo.
Casas Bahia no portfólio
Atualmente, a Casas Bahia representa cerca de 30,7% da receita de aluguel contratada do HSLG11, segundo o relatório gerencial mais recente do fundo.
Desse total, 27,4% correspondem à locação direta e 3,3% à receita proveniente de áreas sublocadas à varejista.
Embora a base de locatários tenha diversificação de setores, o HSLG11 ainda possui concentração relevante em varejo, com destaque também para o Mercado Livre (13,3%), Bemol (12,9%) e Assaí (11,8%).
Em um ambiente mais difícil para o varejo, essa concentração vira um ponto de atenção. Além disso, o portfólio é focado em apenas seis ativos.
Por outro lado, há caminhos para reduzir o problema da concentração do setor no portfólio, especialmente da Casas Bahia. Como os imóveis são de alta qualidade, Caio Araujo, analista da Empiricus Research, avalia que é mais fácil substituir o inquilino. Confira a tese da casa para o HSLG11 aqui.
Recuperação judicial da Casas Bahia
A Casas Bahia, cabe lembrar, anunciou em 16 de agosto o pedido de recuperação judicial, em conjunto com algumas subsidiárias.
Na época, a empresa afirmou que a solicitação ocorreu em um contexto de deterioração das condições econômico-financeiras, atribuindo a situação da companhia a, entre outros fatores, um ambiente macroeconômico marcado por taxas de juros elevadas.
No balanço do segundo trimestre deste ano, a companhia reportou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões. O valor é 18 vezes maior do que o saldo negativo de R$ 555 milhões apresentado no mesmo período de 2025.
*Com informações do Money Times
