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Sacre Investimentos
InvestMercados
16/08/2026
4 min

Casas Bahia considera nova recuperação extrajudicial ou judicial após prejuízo de R$ 10,1 bi

EY aponta incerteza sobre continuidade operacional; rede fechou 298 lojas e promoveu cortes

Casas Bahia considera nova recuperação extrajudicial ou judicial após prejuízo de R$ 10,1 bi

A Casas Bahia considera uma nova recuperação extrajudicial ou uma recuperação judicial para reorganizar seus passivos e obrigações. A possibilidade consta nas notas explicativas do balanço do segundo trimestre, divulgado na madrugada deste domingo, 16.

A administração afirma que continua avaliando alternativas operacionais, financeiras, societárias e estratégicas, considerando a situação financeira da empresa, as projeções de fluxo de caixa, as negociações com credores e as condições dos mercados financeiro e de capitais.

Entre as medidas que podem ser implementadas, a companhia menciona uma “possível nova recuperação extrajudicial ou recuperação judicial”.

No segundo trimestre, o Grupo Casas Bahia registrou prejuízo líquido de R$ 10,117 bilhões, impactado por eventos não recorrentes. No primeiro semestre, o prejuízo líquido acumulado chegou a R$ 11,181 bilhões.

Em 30 de junho, o passivo circulante superava o ativo circulante em R$ 7,837 bilhões no balanço consolidado. O patrimônio líquido estava negativo em R$ 8,270 bilhões.

Em 2024, a Casas Bahia recorreu a uma recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas. O plano foi homologado pela Justiça em junho daquele ano.

Por que a Casas Bahia considera nova recuperação?

Entre o fim de 2025 e o primeiro semestre de 2026, a companhia trabalhou na estruturação de novas fontes de recursos. Uma captação junto a investidores internacionais não foi concluída após a desistência do investidor-âncora. Alternativas de liquidez por meio de empréstimos-ponte também não se viabilizaram conforme o cronograma e as condições esperadas.

Segundo o balanço, a piora das condições dos mercados financeiro e de capitais, o elevado custo de financiamento e a redução da disponibilidade de fontes de crédito aumentaram a pressão sobre a liquidez e o capital de giro da empresa.

A companhia afirma que vem adotando medidas para reforçar a liquidez, reduzir custos e diminuir a necessidade de capital. As ações incluem o fechamento de 298 lojas, a revisão dos estoques e dos volumes de compras e negociações com fornecedores, instituições financeiras, credores e outros parceiros.

Como parte dessas iniciativas depende de negociações com terceiros e pode não produzir os resultados esperados, a Casas Bahia também avalia medidas formais para reorganizar seus passivos e obrigações, incluindo uma nova recuperação extrajudicial ou uma recuperação judicial.

EY aponta incerteza sobre continuidade operacional

A Ernst & Young (EY), responsável pela revisão independente, destacou a existência de uma “incerteza relevante relacionada com a continuidade operacional” do Grupo Casas Bahia.

Segundo a EY, o prejuízo acumulado no semestre, o capital circulante líquido negativo e a necessidade de geração futura de caixa, entre outros fatores, podem levantar dúvida significativa sobre a capacidade de continuidade operacional da companhia.

A empresa depende da implementação bem-sucedida de medidas operacionais e financeiras para manter um nível adequado de capital de giro e cumprir suas obrigações nos vencimentos contratados, conforme o relatório.

A EY afirmou que não foi possível concluir sobre o uso da base contábil de continuidade operacional em 30 de junho de 2026 nem determinar eventuais efeitos ou ajustes nas informações financeiras intermediárias individuais e consolidadas. Devido à relevância do assunto, a empresa de auditoria informou que não conseguiu realizar procedimentos de revisão suficientes para fundamentar uma conclusão. Por isso, não expressou uma conclusão sobre essas informações.

Casas Bahia fecha lojas e prepara cortes

A Casas Bahia concluiu o fechamento de 298 lojas como parte do redimensionamento de sua operação. As unidades foram selecionadas considerando fatores como desempenho operacional, necessidade de capital empregado e retorno econômico diante do atual custo de capital, segundo o balanço.

A companhia também preparou um pacote de aproximadamente 1,9 mil a 2 mil demissões, segundo informações do Valor Econômico. Segundo o jornal, 600 pessoas foram desligadas na quinta-feira, 13, e outros 1,3 mil a 1,4 mil cortes estavam previstos para sexta-feira, 14.

O balanço não detalha as demissões de agosto, mas informa que a Casas Bahia está adequando sua estrutura organizacional e seu quadro de colaboradores ao novo tamanho da operação. O relatório da administração mostra que a companhia tinha 30.117 colaboradores em 30 de junho de 2026, ante 30.387 um ano antes.

O documento completo pode ser lido aqui.

AutorCarolina Ingizza
FonteExame
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