Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
EmpresasCMDT
02/07/2026
4 min

Castrolanda quer crescer 5% em 2026, aposta em ‘cozinha industrial’ para bovinos e foge de modelo tradicional nos laticínios

Castrolanda quer crescer 5% em 2026, aposta em ‘cozinha industrial’ para bovinos e foge de modelo tradicional nos laticínios

A Castrolanda Cooperativa Agroindustrial, que completa 75 anos em 2026, segue com seu plano estratégico de crescimento sustentável.

Fundada em 1951 em Castro (PR) por imigrantes holandeses, a cooperativa é uma das principais do Sul do Brasil, reunindo cerca de 1.300 cooperados e forte atuação nos segmentos de leite, grãos, carnes e batata.

No ano passado, a cooperativa faturou R$ 6,2 bilhões. Para este ano, a expectativa é alcançar R$ 6,5 bilhões, um crescimento de 4,84%, embora abaixo da projeção inicial de R$ 6,9 bilhões divulgada no início de 2026.

A revisão das estimativas reflete um cenário mais desafiador para o agronegócio, marcado pela pressão sobre os preços das commodities agrícolas e pelo aumento dos custos com insumos e fertilizantes.

Embora tenha sede em Castro, a Castrolanda atua em diversos municípios vizinhos, como Ponta Grossa, Piraí do Sul e Ventania. A cooperativa também está presente no sul do estado de São Paulo, nas cidades de Itaberá, Itararé e Itapetininga, onde mantém uma unidade voltada à atividade leiteira.

Mais recentemente, a cooperativa desembarcou em Colinas do Tocantins, com foco na comercialização de insumos para produtores de grãos, além de oferecer estruturas de armazenagem e secagem da produção.

Castrolanda acelera investimentos de R$ 500 milhões

Após passar por um processo de reorganização interna entre 2024 e 2025, a cooperativa entrou em uma nova fase focada na expansão. Ao todo, serão investidos R$ 500 milhões em três projetos, todos localizados em Castro (PR).

O principal investimento será a construção de uma nova torre de secagem para a indústria de leite, um projeto de grande porte cuja conclusão está prevista para ocorrer em um prazo de três a quatro anos.

O segundo projeto prevê a construção de uma fábrica de tortilhas. Toda a produção será destinada a um cliente distribuidor responsável pela comercialização dos produtos.

Já o terceiro investimento chama atenção pelo conceito inovador: trata-se da construção de uma Unidade de Dietas Bovinas (UDB), definida pelo diretor-presidente da Castrolanda, Willem Berend Bouwman, como uma “grande cozinha industrial” voltada à preparação de dietas prontas para bovinos.

“Nós compramos todos os ingredientes para alimentação dos animais, como soja, casca de soja, casca de citros e caroço de algodão. A mistura balanceada será preparada industrialmente e entregue aos cooperados, que precisarão apenas adicionar silagem na propriedade antes de fornecer a alimentação aos animais”, disse, ao Money Times.

Segundo Bouwman, o objetivo é facilitar a rotina dos produtores, eliminando a necessidade de formular e estruturar as dietas nas propriedades.

“Fazemos isso de forma mais profissional e industrial, reduzindo desperdícios e aumentando a qualidade da alimentação”, afirma.

Um modelo diferente para o setor de lácteos

A Castrolanda, juntamente com as cooperativas Frísia e Capal, integra a intercooperação Unium. Por meio dessa parceria, as três cooperativas formam o segundo maior captador de leite do Brasil.

“Nós produzimos juntos cerca de 3 milhões de litros de leite por dia, um volume gigantesco que industrializamos.”

Segundo o presidente da Castrolanda, o setor apresenta oscilações naturais de preços ao longo do ano, mas costuma operar com margens relativamente estáveis, entre 15% e 20%.

“O produtor de leite está em um período complicado porque estamos saindo da safra e entrando no inverno, o que reduz a produção e melhora um pouco os preços. Também temos a questão do leite em pó importado, que concorre de maneira indireta com o nosso produto.”

Na avaliação de Bouwman, o segmento de laticínios enfrenta desafios relevantes. Ainda assim, a estratégia da Castrolanda difere da adotada por boa parte das empresas do setor.

“Grupos como Frimesa, Aurora, Piracanjuba, Italac e Lactalis trabalham no modelo B2C, levando seus produtos diretamente às prateleiras dos supermercados. Nós produzimos e industrializamos, mas a maior parte do nosso leite é comercializada acompanhada de uma prestação de serviço para grandes empresas.”

Dessa forma, a Unium concentra sua atuação na industrialização e na prestação de serviços para grandes companhias do setor.

Nesse modelo, o leite é entregue já processado e envasado em embalagens UHT para clientes que comercializam o produto com suas próprias marcas. Apenas uma pequena parcela da produção é vendida diretamente pela cooperativa.

“O mercado de lácteos é desafiador, e o segmento de leite UHT é ainda mais competitivo. Quando falamos de produtos de maior valor agregado, como queijos e iogurtes, que oferecem margens um pouco melhores, também enfrentamos preços apertados por causa da inflação e da perda do poder de compra da população. O mercado realmente atravessa um momento bastante delicado.”

AutorPasquale Augusto
FonteMoney Times
Distribuído por