CDI, prefixado ou IPCA+? Veja onde investir na renda fixa com a Selic em 14%
Com os juros ainda elevados, os três principais indexadores da renda fixa seguem oferecendo retornos atrativos. Veja quais títulos XP, BTG, BB-BI e Itaú BBA estão recomendando para agosto

Após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central desta quarta-feira (5), a taxa Selic caiu 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. Enquanto o mercado discute os próximos movimentos do ciclo de juros, o investidor de renda fixa vive um cenário positivo: praticamente todos os indexadores oferecem rentabilidades atrativas.
Dos pós-fixados atrelados ao CDI, passando pelos prefixados e chegando nos indexados à inflação (IPCA+), todas as formas de remuneração continuam pagando taxas altas. Isso não significa, entretanto, que tudo vale a pena.
Nas carteiras recomendadas de agosto, analistas de bancos e corretoras ponderam sobre os diferentes cenários em que cada indexador se sai melhor. Isso porque, o cenário da economia ainda não está claro.
Neste momento, a desaceleração da inflação nos últimos meses e a atividade econômica enfraquecendo movimentam as apostas de que o Copom fará mais cortes na Selic.
Ainda assim, diante da guerra no Oriente Médio e da expectativa de um El Niño forte neste ano, as incertezas continuam no radar e seguram os juros em patamares elevados.
Diante desse cenário, XP, BTG Pactual, Itaú BBA e Banco do Brasil BI divulgaram suas carteiras recomendadas de renda fixa para agosto. Veja onde as casas enxergam as principais oportunidades em cada indexador.
CDI: para aproveitar os juros altos de agora
Os pós-fixados continuam sendo os favoritos das casas para a parcela mais conservadora da carteira, aquela destinada à reserva de emergência e ao dinheiro que precisa de liquidez no curto prazo.
A avaliação dos analistas é que, mesmo com a expectativa de pelo menos mais um corte residual da Selic — para 13,75% ao final do ano —, osjuros devem permanecer elevados por um período considerável, garantindo um carrego atrativo para os investidores.
1. Tesouro Selic (XP)
O título público remunera o investidor pela taxa Selic e é uma das formas mais simples de aproveitar os juros elevados sem assumir grandes oscilações de preço.
A XP destaca que o papel é especialmente indicado para reserva de emergência, gestão de caixa ou para investidores que preferem manter liquidez e proteção no curto prazo.
2. CRA SLC Agrícola (BTG)
Uma das maiores produtoras agrícolas do país, a SLC combina escala, produtividade e receita, destaca o BTG.
A companhia tem exposição a commodities — um setor altamente volátil —, mas tem histórico sólido de gestão e fundamentos resilientes, segundo o banco.
O CRA escolhido (CRA025007PT) tem vencimento previsto para 2033 e, nesta quinta-feira (6), está oferecendo uma taxa pós-fixada de CDI + 0,85% na plataforma do BTG. A SLC tem rating AA pela S&P Global e pela Moody's Local.
3. CRI Pacaembu (Itaú BBA)
A aposta do Itaú BBA está na incorporadora Pacaembu, focada nas faixas mais baixas do programa Minha Casa Minha Vida, em segmentos atendidos sobretudo pelos recursos do FGTS.
Para o banco, a baixa alavancagem, a elevada liquidez e a demanda aquecida pelos programas habitacionais fazem da empresa um bom investimento.
O CRI selecionado (25L2398303) vence em 2032 e paga 102% do CDI, segundo dado do BBA. O rating da Pacaembu Construtora é AAA pela Moody's Local.
- Aqui vale lembrar que CRI e CRA são títulos incentivados, com isenção de imposto de renda (IR) sobre os rendimentos para pessoas físicas. Entretanto, esses papéis não têm cobertura pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), de modo que o risco de crédito depende das condições de pagamento da própria empresa.
Prefixados: a aposta em mais queda dos juros
Em sua carta, a XP afirma que os títulos prefixados são recomendados para quem acredita que os juros cairão nos próximos anos. Assim, o investidor trava hoje uma taxa alta e já conhecida até o vencimento.
Entretanto, a recomendação é não alongar essa exposição, concentrando os prefixados em vencimentos de até quatro anos.
A leitura das casas é que os prêmios desses papéis continuam elevados, especialmente nos vencimentos intermediários, permitindo capturar retornos interessantes caso a Selic siga realmente uma trajetória de queda — ainda que lenta.
1. Tesouro Prefixado 2029 (XP)
A XP recomenda o Tesouro Prefixado com vencimento em janeiro de 2029. O papel está oferecendo 14,10% ao ano de taxa na plataforma do Tesouro Direto nesta quinta-feira e tem um vencimento curto, o que reduz parte da volatilidade em comparação com títulos prefixados mais longos.
2. CDB PicPay (XP)
Entre os títulos bancários, a XP selecionou o CDB do PicPay com vencimento também em 2029 e remuneração próxima de 14,8% ao ano.
A recomendação se apoia no fortalecimento da instituição após o IPO realizado neste ano, no ganho de escala obtido com a integração da carteira do Banco Original e em indicadores de capital considerados confortáveis.
Outro diferencial é que CDBs têm cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para aplicações de até R$ 250 mil por CPF, por instituição emissora, considerando o principal e os juros. O rating do PicPay é AA- pela Moody's Local.
3. CRI Multiplan (Itaú BBA)
O CRI (23K0018801) da Multiplan entrou na lista de selecionados de agosto do Itaú BBA, com uma taxa de 13,88% ao ano, para vencimento em janeiro de 2031. A empresa é uma das maiores operadoras de shopping centers do país e tem rating AAA pela Fitch Ratings.
Em sua carteira, o banco de investimentos destaca a forte geração de caixa da companhia, a elevada qualidade dos ativos do portfólio e a baixa alavancagem financeira.
Além disso, os empreendimentos são voltados para consumidores de maior renda, um público que historicamente apresenta maior resiliência em períodos de desaceleração econômica, como o atual.
IPCA+: para garantir ganho real no longo prazo
Os títulos indexados à inflação continuam sendo os queridinhos dos analistas para horizontes mais longos. Eles continuam oferecendo juros reais elevados, permitindo ao investidor proteger o patrimônio da inflação e ainda obter um rendimento alto.
Segundo as casas, as melhores oportunidades estão nos vencimentos intermediários, onde a relação entre risco e retornoé apontada como mais equilibrada pelos relatórios. A recomendação da XP são vencimentos próximos a seis anos.
- SAIBA MAIS: Tesouro IPCA+ 8%: vale mais a pena travar as taxas altas por seis anos ou por algumas décadas?
1. Tesouro IPCA+ 2032 (XP)
A XP recomenda o título público para quem busca proteção contra a inflação sem abrir mão de uma taxa real elevada. Nesta quinta, o Tesouro IPCA+ está oferecendo 8,16% ao ano de juro real na plataforma do Tesouro Direto, um patamar considerado historicamente elevado.
A casa destaca que o preço do título oscila menos do que um prefixado de mesmo prazo, mas lembra que o valor do título flutua conforme mudam as expectativas para as taxas de juros de hoje até o vencimento — a chamada marcação a mercado.
No entanto, essa oscilação só se concretiza (seja valorização ou desvalorização) em caso de resgate antes do vencimento. Se o título for levado até o prazo final, a correção da inflação e a taxa real contratada são pagas integralmente.
- Isso também vale para os outros títulos IPCA+, como os papéis privados citados a seguir.
2. Debênture Equatorial Goiás (BTG)
A Equatorial Goiás aparece entre as principais apostas do BTG para o segmento de infraestrutura e debêntures incentivadas — que têm isenção de IR para pessoas físicas.
A recomendação se apoia na garantia da holding Equatorial Energia, uma das maiores empresas privadas do setor elétrico brasileiro. O banco destaca ainda o perfil previsível de geração de caixa típico das concessões de energia elétrica.
A debênture incentivada CGOSA2 da Equatorial vence em 2038 e era negociada com a taxa IPCA + 8,04% na plataforma do BTG nesta quinta. A subsidiária Equatorial Goiás tem rating AAA pela S&P Global.
3. CRA Eldorado (BTG)
A Eldorado é a escolha do BTG para investidores dispostos a buscar um prêmio de crédito maior dentro do universo de papéis indexados à inflação.
O papel CRA0250080X está pagando IPCA + 8,79%, conforme os dados da plataforma do BTG, com vencimento em 2035.
No relatório, os analistas destacam que a empresa é uma das maiores produtoras de celulose do país e que conta com suporte financeiro da J&F, holding controladora da JBS.
Segundo o banco, a companhia mantém forte geração de caixa, ativos florestais que podem ser convertidos em liquidez e uma posição competitiva em custos de produção, fatores que ajudam a sustentar a tese de investimento mesmo em um setor sujeito à volatilidade dos preços da celulose.
O BTG também recomenda o CRA com vencimento em 2040 (CRA0250080Y), negociado com taxa de IPCA + 8,81% nesta quinta. O rating da Eldorado é AA+ pela Fitch Ratings.
CDI, prefixado ou IPCA+: em qual investir?
Em sua recomendação de alocação, a XP indica exposição aos três indexadores. Os percentuais, entretanto, mudam conforme o perfil de investidor.
Para um investidor conservador, a casa recomenda a seguinte divisão de portfólio:
- Pós-fixado (reserva de emergência): 20%
- Pós-fixado (títulos de crédito): 52,5%
- IPCA+: 12,5%
- Prefixados: 5%
Essa distribuição contempla 90% da carteira. Os 10% restantes estão divididos igualmente em fundos multimercados, fundos listados, renda fixa global e ações globais.
"É importante notar que, para a definição da alocação, são levados em consideração fatores não apenas atuais, mas também expectativas para os próximos anos, tendo como base um horizonte de cerca de cinco anos", diz o relatório.
No mais, os analistas afirmam que, mais importante do que escolher entre CDI, prefixado ou IPCA+, é priorizar emissores de qualidade e evitar concentrações excessivas em um único papel ou empresa.
Veja as carteiras de renda fixa para agosto:
Itaú BBA
| Título | Retorno | Vencimento | Rating local |
|---|---|---|---|
| CRI Rede D'Or (23L1737622) | IPCA + 7,98% | 15/12/2033 | AAA |
| CRI JHSF (24J2539865) | IPCA + 8,61% | 16/10/2034 | |
| CRI Multiplan | 13,88% | 15/01/2031 | AAA |
| CRI Brasil Terrenos (25H0243071) | 14,90% | 16/08/2032 | AA+ |
| CRI Iguatemi (24F1126524) | 95% do CDI | 15/06/2032 | AAA |
| CRI Construtora Pacaembu (25L2398303) | 102% do CDI | 28/12/2032 | AAA |
Fonte: Itaú BBA.
XP Investimentos
| Ativo/Emissor | Retorno | Vencimento | Rating local/ Perspectiva |
|---|---|---|---|
| Tesouro Selic 2029 | Selic + 0,01% | 01/03/2029 | |
| CDB PicPay | 14,78% | 03/08/2029 | AA-/ Estável |
| CDB Banco C6 Consignado | 14,70% | 21/07/2030 | AA-/ Estável |
| DEB Coelba (CEEBD1) | 13,88% | 15/11/2032 | AAA/ Estável |
| Tesouro Prefixado | 14,13% | 01/01/2029 | - |
| Tesouro IPCA+ 2032 | IPCA + 8,17% | 15/08/2032 | |
| Tesouro IPCA+ 2035 (com juros semestrais) | IPCA + 7,45% | 15/05/2035 | |
| DEB Raposo Castelo (CERT11)* | IPCA + 8,07% | 15/03/2029 | AAA/ Estável |
| DEB Águas do Rio 4 (RIS414)* | IPCA + 11,24% | 15/09/2034 | A/ Negativo |
| DEB Energisa (ENGIB9) | IPCA + 7,87% | 15/09/2033 | AA+/ Estável |
| DEB CPFL (PALFB6)* | IPCA + 7,60% | 15/02/2035 | AAA/ Estável |
| CPR-F Suzano (26D00013405) | IPCA + 7,51% | 17/03/2036 | AAA/ Estável |
(*) Título para investidor qualificado.
Fonte: XP Research.
BTG Pactual
| Título | Indexador | Vencimento | Rating Local |
|---|---|---|---|
| DEB Autopista Litoral Sul (PLSB1A) | IPCA + 9,83% | 15/10/2031 | AAA |
| CRA Eldorado (CRA0250080X) | IPCA + 8,79% | 17/09/2035 | AA+ |
| CRA Eldorado (CRA0250080Y) | IPCA + 8,81% | 17/09/2040 | AA+ |
| DEB Equatorial Goiás (CGOSA2)* | IPCA + 8,04% | 15/01/2038 | AAA |
| DEB MetrôRio (MGPRA0) | IPCA + 8,64% | 15/03/2042 | AAA |
| DEB Rialma (RALM11) | IPCA + 8,89% | 15/12/2046 | AAA |
| CRA 3tentos (CRA025008N8) | 104% do CDI | 15/10/2030 | AA |
| CRA SLC Agrícola (CRA025007PT) | CDI + 0,85% | 22/09/2033 | AA |
Retorno verificado na plataforma do BTG em 06/08/2026.
Fonte: BTG Pactual.
BB Investimentos
| Título | Vencimento | Rating local |
|---|---|---|
| DEB Celpe (CEPEB7) | 15/08/2040 | AAA |
| DEB Equatorial Goiás (CGOSB0) | 15/08/2037 | AA+ |
| DEB Engie (EGIEA6) | 15/02/2038 | AAA |
| DEB MRS (MRSAC2) | 15/09/2039 | AAA |
| DEB Vibra (VBBRA0) | 15/03/2036 | AAA |
