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Sacre Investimentos
Mundo
23/07/2026
3 min

Centenas de pelicanos famintos sinalizam El Niño perigoso no Peru

Centenas de pelicanos famintos sinalizam El Niño perigoso no Peru

Centenas de pelicanos famintos passaram a ocupar portos, mercados de peixe e áreas costeiras em todo o Peru em busca de alimento, em um dos sinais mais visíveis do fortalecimento do fenômeno El Niño. O aumento da temperatura das águas do Oceano Pacífico tem reduzido a disponibilidade de peixes e alterado o equilíbrio dos ecossistemas marinhos.

Segundo especialistas consultados pela agência Reuters, o aquecimento do oceano está levando espécies de peixes a buscar águas mais profundas, obrigando aves marinhas a deixar suas áreas naturais de reprodução e a se aproximar de centros urbanos em busca de alimento, o que compromete sua sobrevivência.

Segundo especialistas, comportamentos assim são típicos de eventos do El Niño mais intensos. Embora alguns animais consigam alimento oferecido por pescadores e comerciantes, muitos acabam morrendo de desnutrição.

Meteorologistas alertam ainda que o Peru poderá enfrentar um episódio de El Niño forte ou até "superforte" neste ano. O fenômeno aumenta o risco de secas, enchentes e ondas de calor, com impactos diretos sobre diferentes setores da economia.

Impactos econômicos

A indústria pesqueira é uma das mais preocupadas. O setor teme não atingir a meta de US$ 5 bilhões em exportações em 2026, após registrar vendas de US$ 4,6 bilhões no ano anterior, segundo Alfonso Miranda, ex-vice-ministro da pesca do Peru. Representantes do setor afirmam à Reuters que ainda há grande incerteza quanto à intensidade dos efeitos climáticos nos próximos meses.

Dados da agência peruana de monitoramento do El Niño (ENFEN) mostram que a temperatura da superfície do mar está entre 2°C e 5°C acima da média. Com isso, espécies comerciais de maior valor econômico migraram para regiões mais profundas, reduzindo significativamente a produtividade da pesca.

Em reflexo desse cenário, a atividade industrial ligada ao setor pesqueiro recuou 31% nos cinco primeiros meses do ano. A agricultura, por sua vez, registrou crescimento de apenas 0,4%, também afetada pelas temperaturas mais elevadas.

Na tentativa de mitigar os impactos das chuvas previstas, o Congresso peruano aprovou, em 15 de julho, um aumento de US$ 2,8 bilhões no orçamento destinado a obras de infraestrutura e a medidas de prevenção. Mesmo assim, representantes do agronegócio avaliam que os recursos ainda são insuficientes diante dos desafios impostos pelo fenômeno.

O Peru é o terceiro maior produtor mundial de cobre, além de ser um dos principais exportadores de farinha de peixe e de produtos agrícolas, como mirtilos. Em 2025, as exportações agrícolas alcançaram um recorde de US$ 15,1 bilhões.

No entanto, produtores alertam que as perspectivas para a nova safra pioraram com o avanço do El Niño. A Associação dos Produtores Agrícolas do Peru (AGAP) estima que o fenômeno poderá reduzir em cerca de US$ 1 bilhão a receita adicional com exportações esperada para este ano.

Para Gabriel Amaro, representante da entidade, o país enfrenta um dos episódios climáticos mais severos das últimas décadas. Segundo ele, caso as previsões se confirmem, este poderá ser o pior El Niño registrado no Peru em cerca de 50 anos.

AutorMatheus Gonçalves
FonteExame
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