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Sacre Investimentos
Exame INBDR
01/08/2026
3 min

CEO da Ford prevê invasão de montadoras chinesas nos EUA

Jim Farley afirmou que a montadora trabalha com a possibilidade de fabricantes chinesas entrarem no mercado americano entre cinco e dez anos, apesar das barreiras comerciais impostas pelos EUA

CEO da Ford prevê invasão de montadoras chinesas nos EUA

O CEO da Ford, Jim Farley, afirmou a funcionários que a montadora trabalha com a possibilidade de fabricantes chinesas de automóveis entrarem no mercado americano em até dez anos. A declaração foi feita durante uma reunião interna na quinta-feira, 30, segundo três pessoas que acompanharam o encontro e relataram o conteúdo à Reuters.

A avaliação contrasta com a política comercial dos Estados Unidos, que hoje impõe tarifas de cerca de 100% sobre veículos elétricos produzidos na China, além de restrições ao uso de softwares e componentes chineses em carros vendidos no país. Ainda assim, Farley indicou que a Ford considera inevitável uma maior presença das montadoras asiáticas no longo prazo.

Competição chinesa já molda estratégia da Ford

Farley é um dos principais executivos da indústria a alertar para o avanço das fabricantes chinesas. Nos últimos anos, o CEO tem citado repetidamente empresas como a BYD como referência em custos, velocidade de desenvolvimento e eficiência produtiva.

A resposta da Ford passa pelo desenvolvimento de uma nova plataforma de veículos elétricos de baixo custo, desenhada para competir diretamente com os modelos chineses em preço e rentabilidade.

As declarações também acontecem em meio ao debate no Congresso americano sobre a ampliação das restrições às montadoras chinesas, reforçando a preocupação de Washington com o avanço da indústria automotiva do país asiático.

Pressão que vem de fora

Embora as fabricantes chinesas ainda não tenham presença relevante no mercado americano, elas vêm ampliando participação em outros mercados importantes para a Ford.

No México, marcas chinesas ganharam espaço nos últimos anos. No Canadá, acordos comerciais permitem a venda de um volume limitado de veículos elétricos produzidos na China. Analistas do setor consideram o mercado canadense uma porta de entrada para avaliar a receptividade dos consumidores americanos.

Na Europa, a Ford anunciou recentemente uma joint venture com a Geely para fortalecer sua posição na região. A parceria foi alvo de críticas de parlamentares dos Estados Unidos, mas a montadora argumenta que o crescimento das fabricantes chinesas exige que as empresas tradicionais se tornem mais eficientes para manter a competitividade.

No início do mês, o presidente do conselho da Ford, Bill Ford, resumiu a estratégia da empresa ao afirmar que os Estados Unidos não conseguirão impedir indefinidamente o avanço das montadoras chinesas e que o desafio será competir em igualdade de condições.

AutorPedro Gil
FonteExame
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